quarta-feira, 15 de novembro de 2017

SOU PROFESSORA COM ORGULHO E ESTOU EM GREVE

Hoje não poderia deixar de estar em GREVE. Não posso concordar com o desrespeito que o Governo dá à minha profissão, da qual me orgulho muito e que merece ser dignificada.

Merecemos o respeito de todos, não só pela grande importância que a Educação tem na sociedade e no país, mas porque o conquistamos diariamente trabalhando de forma empenhada sem condições físicas e materiais, em sobrecarga de trabalho e acumulação de funções, sem um vencimento justo, com formações contínua pagas do próprio bolso (em horário pós-laboral) e sofrendo as constantes mudanças nos currículos.

No momento em que o país começa a levantar a cabeça e que se preparam os descongelamentos, nós seremos deixados de fora de algumas regalias que os outros vão recuperar.
Nós só pedimos que não finjam que estivemos parados durante estes 9 anos e tal. Nós só queremos que os contabilizem e nos coloquem no escalão correto de acordo com os anos que já lecionámos.
Nós até nem queremos que nos devolvam como retroativos as centenas de euros mensais que nos roubaram e que, segundo disseram, foram necessários para endireitar o país! (Afinal, foram só mais de 9 anos a 14 vencimentos anuais!!)
É que, durante essa quase década, nós continuámos de mangas arregaçadas a fazer o nosso trabalho com empenho e dedicação... não merecemos que ele EXISTA???

O Governo diz que «a contagem desse tempo de serviço iria pôr em causa a sustentabilidade dos próximos Orçamentos de Estado»... Pois, nós temos de segurar as pontas, apesar de termos a educação de crianças e jovens nas nossas mãos!
Mas será que temos de segurar essas pontas com as duas mãos que, como HUMANOS, apenas temos ou devemos deixá-las livres para ensinar conteúdos, despertar capacidades, desenvolver competências, estabelecer afinidades e cumplicidades, apoiar no crescimento social, emocional, cogitivo dos futuros adultos do país?
Não será preferível deixá-las livres para, além de tudo isso, poder continuar a planificar, a reunir, a articular, a estudar, a cooperar com as famílias...?
Não serão elas (até mesmo) necessárias para cumprir funções que não deveriam ser nossas mas que, mais uma vez porque o Estado economiza e não dá resposta, acabam por fazer parte do quotidiano das escolas (enfermagem, psicologia, contabilidade...)?

Sou Professora do 1.º Ciclo e tenho orgulho no que faço e na forma como sei fazê-lo.
Comecei a trabalhar a 27 de setembro de 1999... já passaram 18 anos... Agora querem fingir que foram apenas metade? Não acho justo e não aceito. Não posso aceitar que se esqueçam que, nessa metade, trabalhei com o mesmo empenho, dedicação, seriedade e profissionalismo que na outra metade. Não podem esquecer!

Ah! E já agora também não aceito que falem da massa salarial que «gastam» com os professores como se fossemos funcionários públicos dispensáveis e acessórios e não fosse a EDUCAÇÃO o pilar de uma sociedade civilizada!

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