domingo, 30 de julho de 2017

«O DIA EM QUE O MAR VOLTOU», DE MIGUEL GIZZAS

Quem conhece este meu blogue sabe da admiração imensa que tenho pelo escritor/autor/cantor Miguel Gizzas. Conheci-o através da sua primeira obra editada e fiquei completamente rendida à sua escrita e às suas músicas.
Este homem talentoso, mas modesto e simples, lançou um novo conceito de literatura e de música, juntando-os numa só obra completa e que desperta mais os nossos sentidos: um romance musical. Um livro que traz música a acompanhar. Capítulos que vêm musicados. Poemas com som que podemos ouvir enquanto lemos, através de códigos QR.
Sobre o primeiro, já AQUI escrevi.
Sobre o segundo, não poderia deixar de aqui voltar para escrever.

«O dia em que o mar voltou» conta-nos a história de uma catástrofe a acontecer em Lisboa, num futuro próximo. Um terramoto, um tsunami... e a capital volta a ficar destruída a 13 de dezembro de 2024, tal como aconteceu em 1755.
Enleadas com esta grande história, surgem outras, de vida e de morte, de amor e amizade. Surgem personagens e momentos das suas vidas, todas elas diferentes e afastadas umas das outras, mas que, naquele fatídico dia, se cruzam e se modificam.

Ao contrário do que fiz com o primeiro livro, desta vez conheci primeiro todos os temas do CD que o acompanha, deixando-me encantar com as letras e as melodias. Num estilo português muito próprio, quase uma comunhão de pop, fado, música popular e baladas, Miguel Gizzas encanta com a sua voz doce, apaixonada e segura, interpretando poemas que lhe saem da alma e do coração.

Só mais tarde comecei a ler o livro.
Tal como aconteceu com o primeiro, comecei por gostar isoladamente das histórias dos primeiros capítulos, que surgem desligadas umas das outras e que apresentam as personagens, parecendo trata-se de um livro de contos, não havendo ligação entre elas. Mera ilusão. Todas foram importantes para me aproximar das personagens principais do livro, que se cruzaram devido à catástrofe que mudou para sempre as suas vidas.
Também gostei bastante da história central, da forma pormenorizada, sem ser cansativa, como são descritos o terramoto e o tsunami, a sua evolução, os efeitos, os resultados... Quase que a tragédia nos apresenta Lisboa, nos faz uma visita guiada, destruindo os percursos, mas valorizando o património, deixando-nos cientes do que perderíamos (ou perderemos) se (ou quando) uma calamidade destas acontecesse (ou acontecer).
A escrita de Miguel Gizzas continua a agradar-me amplamente. Gosto do estilo, da harmonia de descrições, narrações e diálogos, da criatividade, da simplicidade e musicalidade das frases. Apesar do primeiro livro estar já muito bem escrito, este mostra um amadurecimento do escritor, uma afirmação maior, uma evolução.

Desta vez, achei os temas musicais menos reveladores e essenciais na história. Apesar de bons poemas e melodias, parecem-me mais afastados das personagens do que os de «Até que o mar acalme», menos pertencentes a uma história global e menos coesos com o livro.
Isto também pode estar relacionado com a forma como conheci as músicas e livro, diferente do que acontecera com o primeiro. (Por isso aconselho a que descubram o romance musical como um só, ouvindo os temas à medida que os seus poemas surgem nos capítulos).

Para terminar, tenho mesmo de deixar aqui os meus parabéns a Miguel Gizzas por esta obra de grande qualidade, desejando-lhe o maior sucesso e o devido pedestal no panorama musical português e nas livrarias de todo o país.

Mais sobre Miguel Gizzas aqui no blog:
- Mais música, mas em português...
- Um ensaio especial de Miguel Gizzas e Ricardo Carriço
- Final conheço... o novo livro e cd de Miguel Gizzas
- Miguel Gizzas em concerto, na Amadora


Sem comentários :

Enviar um comentário