sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

É O MEU ADOLESCENTE... JÁ NÃO É O MEU BEBÉ...

Na quarta-feira, o meu primogénito trouxe para casa daquelas fotografias que (quase tradicionalmente) tiram na escola e que para nós constituem uma recordação dos tempos de escola e das amizades.
Para além da fotografia de grupo, trouxe também as suas, tiradas individualmente na mesma sessão fotográfica.
Como qualquer mãe, fiquei babadíssima a olhar para elas e senti mesmo que tenho o filho mais lindo do Mundo. Por minutos, fiquei fixa no seu olhar, no seu sorriso, nas covinhas das suas bochechas, no cabelo (que no dia anterior tinha ido cortar)... Encantei-me com o brilho que dele emana e que mostra que é um adolescente feliz.
Mas depois procurei nele o rosto de criança de outras fotos, de outros anos, e não o achei... Procurei aquela criancice e doçura de menino da mamã e descobri-as transformadas numa meiga rebeldia e num olhar divertido e confiante...
Tentei rever o meu bebé e percebi que hoje é já um jovem de personalidade vincada, que gosta de rir e de falar alto, que leva a vida descontraidamente, que se olha e se ama cada vez mais e que, apesar dos tumultuosos e inconstantes desafios da adolescência, mantém vinculados os valores que lhe transmitimos e o caráter de pessoa boa e que ama o próximo.
Fiquei feliz, mas com um nó de emoção na garganta. O meu pequenote já não o é e, daqui para a frente, será cada vez menos. O meu menino está a crescer e a sair de debaixo das minhas asas, voando por e para um mundo que não consigo controlar nem comandar. O meu miúdo reguila está construindo o seu próprio caminho, traçando objetivos, definindo prioridades, olhando em frente.
Já não decido o que veste, nem a música que ouve ou o tipo de filmes prediletos. Já não sou eu a pessoa que prefere ter consigo numa sala de espetáculos ou numa partida de ping-pong. Já não entendo alguns «calões» nem me identifico com as mesmas brincadeiras inocentes mas travessas.
Mas continuo (e continuarei sempre) do seu lado, acompanhando o voo, aconselhando de acordo com a minha experiência de vida e o meu pensar, sendo para ele exemplo de integridade, assumindo as minhas falhas e faltas de ser humano, alertando, despertando... E vou recebê-lo no meu colo como sempre fiz, embalando-o quando o dia for difícil ou a noite estiver a ser inquieta, fazendo-lhe «cafuné» no sofá ou dizendo-lhe «amo-te» e que tenho orgulho na pessoa que é.
E confio nele... porque sei que o seu «eu» estará sempre lá e manter-se-á bonito.
Estarei sempre aqui, atenta e presente se o voo não correr da melhor forma e as pedras teimarem em meter-se no seu caminho-
Orgulho-me do seu crescer... mas já não é o meu bebé...

O que significa ser mãe
Imagem retirada DAQUI.

2 comentários :

  1. Oh meu Deus, sinto exactamente o mesmo!! O meu pequenote ainda vai nos 10 anos, ainda vou conseguindo tê-lo mais por perto, mas já sinto o ar da mudança ;)

    Beijinho <3

    Lina Soares
    Trinta por uma linha

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