quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

DIZEM QUE SOU POSITIVA

Durante muito tempo (anos, mesmo) não entendia nem concordava quando me diziam que eu era uma pessoa positiva. Diziam que sim, mas eu achava sempre que o faziam para me alegrar ou para me transmitir «coragem» para deixar de lado os pensamentos mais negros sobre a vida. Outras vezes pensava que só me consideravam positiva as pessoas mais pessimistas. Cheguei mesmo a considerar que enganava toda a gente à minha volta, transmitindo aquilo que não sentia e camuflando as imagens negativas que enchiam a minha mente.
Hoje sei que nada disto é verdade. Hoje consigo ver positivismo em mim e perceber como esta minha característica tem ajudado o meu mundo a caminhar em direção ao sol.
Na verdade, quando acontece alguma coisa menos boa, quando me deparo com dificuldades e obstáculos, quando o «barco» começa a «ir ao fundo» ou as luzes se apagam à minha volta, a minha primeira reação, instintiva e imediata, é chorar. Dói no peito, sinto uma facada e choro... Parece que o mundo vai acabar (ou inundar-se?) naqueles minutos. Quanto maior é a «desgraça» mais ruidoso é o choro. Choro porque alivia e, ao que parece, o choro traz para fora a negatividade da situação. Posso chorar durante uns minutos ou durante horas... algumas vezes de seguida... noutras por «episódios» que regressam sempre que me lembro do que aconteceu ou prevejo o que vem aí. Mas depois passa. Passa sempre.
E depois do verdadeiro mar de emoções vem a disposição para seguir em frente, o arregaçar das mangas, o acreditar que tudo se vai resolver. Vem a reflexão sobre o que fazer para melhorar, a busca das ferramentas necessárias, a redefinição de objetivos e a escolha de novos caminhos. Porque há sempre uma solução e uma forma de dar a volta. (Até porque dizem que só para a morte é que não há mesmo solução. «Dizem» lol)
Ainda que não surjam imediatamente, muitas vezes por culpa do dito choro, as imagens das soluções vêm à minha cabeça e consigo seguir em frente com o olhar no horizonte. Muitas vezes ainda dorida, já vejo as cores lá em frente e sei que, fácil ou dificilmente, a elas chegarei para me pintar.
Não sou uma positiva otimista, daquelas que acha que tudo vai correr bem e que nada precisamos de fazer para isso acontecer. Não acredito na sorte nem tenho fé que algo ou alguém transforme o mau em excelente. Não consigo dizer «ainda bem» quando algo de mau acontece, acreditando que logo depois vem a bonança e resolve. Não fico parada a assistir às derrocadas da vida só por confiar que os pedregulhos um dia se irão transformar em castelos de sonho. Considero-me uma positiva realista, que tem a «simples» reação de seguir em frente sem paralisar e sem achar que «só me acontece a mim», não imortalizando as dores nem esperando que alguém venha resolver (ou ajudar a resolver) os meus problemas.
Acho que é o meu positivismo que faz com que veja sempre o melhor de cada pessoa e que, quando as de
silusões e os episódios negros acabam por acontecer, volte a acreditar na sua beleza. Porque o ser humano, tal como a vida, merece sempre uma segunda oportunidade e tem sempre um lado colorido e doce a valorizar.
Hoje acredito que sou positiva e sei, com toda a certeza, que esta minha forma de olhar a vida tem sido a corda que me tira do fundo do poço, a boia que me traz de volta à margem, o ar quente que me permite voar no balão dos sonhos e das ambições. Tem sido a luz que me tira do zero sempre que dele me aproximo ou nele tombo ou caio.
Se tornar consciente esta minha característica, até consigo verbalizar o que há de positivo em cada situação e, ao fazê-lo, acredito mais e faço acreditar também.
Dizem que sou positiva e eu acho que têm razão.

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