quinta-feira, 8 de setembro de 2016

APÓS 11 MESES...

Há quase 11 meses que não fazia aquele caminho rotineiro e, outrora, chato. Que, logo pela manhã, conduzia durante 15 minutos aquela distância de (quase) 15 kms. Poderia acrescentar à frase a palavra "tranquilamente", mas este é um advérbio que só agora se aplica pois durante muito tempo o ansiosamente ou o inquietamente foram os que melhor se adequaram à viagem diária matinal e, intensamente aumentados, ao regressar após um dia de trabalho.
E foi um caminho tranquilo, com música descontraída e uma tolerância cívica e segura para quem compartilhou as mesmas estradas e cruzamentos.
Há quase 11 meses que não estacionava naquele largo onde tantas vezes fui recebida com abraços grandes de braços pequeninos e tantas outras me despedi de colegas após longos minutos de conversas mais e menos banais, sobre, contra ou para além do ensino.
E foi um estacionamento tranquilo, de recordações vivas, de velhotas à janela e muitos "bons dias" à saída do carro, um deles alto e a bom som para o senhor Alberto ouvir detrás do balcão do café onde não entro há quase 11 meses.
Há quase este tempo que não tocava àquela campainha, aguardando no portão onde muitas vezes cumprimentei os "meus" e outros pais da escola, onde afaguei crianças e abracei adultos por quem tenho carinho ou que me pareciam precisar de um para aquele dia a mais na vida, onde convenci pequenos a entrar e impedi reguilas de sair descuidadamente.
E esperei calmamente... e um sorriso surgiu espreitando à porta, em troca recebendo um outro rasgado e meu. Ouvi o "estalido" do portão abrindo e entrei... regressando para o outro lar também aconchegante e quente, com cheiro a tintas, colas e papéis, com madeiras que rangem e paredes velhas de rosto novo pintado de branco.
Há quase 11 meses que não pegava num daqueles livros, onde se vai escrevendo a história de uma família, de dias bons e maus, de atividades de sucesso (ou não), de horas de consolidação e outras (poucas demais, na minha opinião) de diversão, de dias muito ou pouco compridos, de rotinas e compromissos, de crescimento.
E foi-me entregue um novo, por abrir, verdinho desta vez, sinal de um recomeço que acredito de esperança e de uma nova oportunidade de fazer a diferença no mundo de alguém ou, tão somente, de dar o meu melhor naquilo que amo fazer. E uma paz encheu-me e preencheu-me em segundos.
Estou de volta à escola após 11 meses . E estou recuperada, renovada e confiante. E valeu a pena esperar e investir pois agora a "Marija" (como dizia o "golfinho" João) está de volta em pleno.


5 comentários :

  1. ESTÁS DE VOLTA AMOR E IRRADIANDO A FELICIDADE DE FAZER O QUE REALMENTE TE PREENCHE ENTRE OUTROS PROJECTOS QUE TE REALIZAM. AMO TE

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    1. Verdade, amor. Sou mesmo uma mulher de projetos e sonhos... e vou lutar por todos eles. Também te amo

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Querida Marisa,
    Bom regresso e um feliz começo!!
    Beijinhos

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