sábado, 6 de agosto de 2016

DESABAFO DE SOLIDÃO...

Não foi escrito hoje, mas foi sentido no peito. Infelizmente! Sim, porque prefiro não me sentir só, que a solidão me arrasta para um tempo e espaço de que não tenho quaisquer saudades.
De vez em quando ataca forte... independentemente se estou ou não fisicamente acompanhada.
Quem já sentiu a dor da solidão quando um mar de gente se encontra à sua volta?
Quem já se sentiu intimamente preenchida e acompanhada numa tarde solitária?
Para mim, a solidão é um estado de alma que dispenso convictamente...


"Sinto-me infinitamente só.
Quero sair daqui, mas não sei para onde ir, nem o que fazer... sozinha sinto que não sou ninguém, apesar de saber ter já alcançado tanto na vida.
Sinto-me inútil, dispensável, a mais.
Várias opções me passam pela cabeça; nenhuma consigo só imaginar-me a fazer neste momento. Acho que nem sei ao certo que coisas são essas que tida a gente descobre e faz.... estarão masmorramente presas num lugar inacessível à minha alma?
Não quero estar sozinha. Não gosto, não sei e não consigo.
Apetece-me sair daqui, mas sei que não devo... a única opção que me ocorre como verdadeira e possível é caminhar até casa e isolar-me ainda mais no meu refúgio, no quarto, na cama. Ficar por lá, olhos fechados, lágrimas escorrendo, corpo enrolado em si mesmo, como que procurando formas de se tornar minúsculo e desaparecer.
Na verdade, acho que me apetece mesmo hibernar. Esconder-me numa toca, dormir sem necessitar de comer ou beber nem, tão pouco, abrir os olhos. Respirar o mínimo, não me mexer, não ver nem ouvir ninguém por não querer nem precisar e não porque sim ou porque a vida é assim.
A inutilidade é como areia movediça que nos prende e puxa no sentido contrário aos desejos e aos sonhos, até ao ponto em que, sufocados e cansados, nos deixamos dominar. E aí, mesmo que tentemos voltar a resistir, procurando algo para fazer e metas a atingir, não somos já donos do nosso sentir e pensar.
Porque a solidão, quando me invade e preenche assim intensamente, rouba até a vontade de fazer o que mais amo, reduzindo o prazer a pó que sopro com cada suspiro de tédio ou fastio."

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