quarta-feira, 13 de julho de 2016

SOU ASSIM: NADA DE ÁGUA MORNA...

Um dos principais problemas com que se confrontam as pessoas com baixa autoestima é a aceitação da sua forma de ser e de estar. Normalmente, quem tem uma imagem negativa de si mesmo é porque não se aceita nem respeita tal e qual como é. Quem não gosta de si, passa a maior parte do tempo a descobrir defeitos, dando-lhe o tamanho do mundo, culpa-se por ser como é e agir como age, relativiza ou minimiza as suas capacidades e qualidades, deseja ser de outra forma, muitas vezes o oposto de si mesmo, enaltece quem é e faz de forma diferente, colocando o outro num pedestal, está constantemente insatisfeito consigo mesmo, apesar dos progressos que vai fazendo na busca de ser como "devia ser".
Sei do que falo, porque tenho sido assim (quase) toda a vida e estou (mesmo) a aprender a aceitar-me, a respeitar-me e a amar-me.

Descobri há algum tempo uma das razões para esta minha dificuldade em gostar de ser como sou e em respeitar e valorizar a minha personalidade: sou efetivamente uma pessoa de extremos. Sou mesmo e, hoje sei, não há como fugir nem contornar... nem devo continuar a tentar fazê-lo. (Até porque só conseguimos aceitar-nos quando paramos de tentar ser de outra forma!)
Sempre fui e sempre serei. Faz parte de mim e pode ser algo mau ou errado (lá estou eu!!!), mas é como sou e também consegue ser muito bom em muitas situações.

Costumo dizer que não sou "água morna" e a verdade é que não sou mesmo...
Se a minha personalidade fosse um bom banho, oscilaria entre o duche gelado, que revitaliza e dá energia, e o escaldante, que relaxa e conforta. E isto seria excelente se cada um surgisse na estação do ano certa... mas nem neste aspeto posso considerar-me alguém "temperado". Aliás, digo sempre, à boca cheia, que sou pessoa de "mau feitio".

E os tais extremos, que tanto me caracterizam, veem-se e sentem-se em coisas banais do dia a dia, em características ditas normais no ser humano. São, em alguns casos, qualidades que, por existirem em exagero em mim, acabam por parecer defeitos. Mas fazem parte do perfil que me caracterizam e, hoje em dia, estou a deixar de as criticar e passar a valorizar, pois, na verdade, mesmo em extremo, fazem de mim o ser humano que sou e conduzem também os meus atos bons, que são, modéstia à parte, muito superiores aos maus. (Eu a dizer isto?!! Que evolução!)

E tudo isto, de certeza, parece muito "no ar" para quem não é como eu, nem conhece gente assim. Por isso, arrisco a apresentar parte da extremista que existe em mim.




Sou uma pessoa sensível. Ser assim é bom e mau na relação com os outros, porque sou extremamente sensível. Consigo perceber quando alguém não está bem e ouvir até ao fim quando desabafa, intuitivamente descobrindo o que dizer e na hora certa. Consigo bem colocar-me no papel dos outros e compreender as suas ações e palavras. Comovo-me com o sucesso das pessoas, com os obstáculos que ultrapassam, com as boas ações. Mas fico de rastos quando me magoam, quando são injustos ou não mostram sensibilidade para agir comigo da mesma forma. Sou exageradamente sensível.

Sou uma pessoa intensa e a vida mostra-se excelente e péssima por isso mesmo. Vivo com muita intensidade, como se não houvesse amanhã. Entrego-me de cabeça aos projetos que aceito, vivo as emoções no último grau de intensidade, gosto de vibrar com a adrenalina das aventuras, amo profundamente as pessoas, dedico-me de corpo e alma ao trabalho... isto, muitas vezes, causa exaustão. Provoca ansiedade e angústia, contribui para noites mal dormidas, desgostos e desilusões. Rio à gargalhada e tenho sorrisos rasgadíssimos, mas também choro compulsivamente. Vivo momentos de euforia, mas sofro de dores profundas.

Sou uma pessoa naturalmente benevolente, com paciência e compreensiva. Dou sempre várias oportunidades, ouço o que me dizem, reflito bastante, sigo o coração. Perdoo com facilidade e aceito as diferenças. Sou a tal "boazinha" com dificuldades em dizer que "não". Mas vou enchendo. Demora a desistir seja do que for, mas quando desisto corto pela raiz. Mas acabo deixando que abusem da minha boa vontade e que me usem em proveito próprio. E muitas vezes nem dou conta, apesar de andar já de olho mais aberto.

E podia continuar desvendando-me, mas não teria graça nenhuma... sou um ser normal, apesar de ter algum interesse. Há quem diga que sou "única"... e não somos todos? (É logo o que, genuinamente, me vem à cabeça!)
Mas o que realmente importa é que, para além da necessidade urgente de ir traçando alguns limites nas relações com os outros, tenho de fazer de tudo para me aceitar como sou e perceber que, para o bem e para o mal, são estas minhas características que me tornam na pessoa que sou... e é por causa delas que as pessoas me amam... e são elas que dirigem a minha vida e comandam as minhas ações e, se passar todo o tempo a tentar ser doutro modo, desperdiçarei a única vida que me terei e passarei o tempo a sobreviver num mundo que, só por si, já quase nos obriga a ser "o que esperam de nós".

E ser como sou é o principal caminho para a felicidade pois, apesar do lado mau dos extremos, o que me deixa profundamente infeliz é esta insatisfação constante que me leva à desgastante luta por ser diferente. Aceitar-me e exigir que me aceitem também é o segredo para ser feliz de verdade (mesmo que com momentos fortes de tristeza!).

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