domingo, 3 de julho de 2016

APRENDER A DIZER "NÃO"

Apesar de contar já com 38 anos de idade e de ter feito imensas tentativas, há um longo caminho que ainda tenho de percorrer para aprender a dizer "não" sem hesitações nem culpas.
Gosto de acreditar que esta dificuldade de aprendizagem vem da minha forma de ser, que nasceu comigo e que, por isso mesmo, está enraizado em mim. (E não são as raízes a parte mais difícil de arrancar numa planta?)
Mas sei, sem com isto responsabilizar nada nem ninguém desta falha crucial na minha personalidade, que é mais fácil educar-se para este "não" se começarmos em criança e tenho tentado passar a mensagem aos meus filhos.
É que, mesmo correndo o risco de parecermos egoístas, precisamos saber dizer "não" quando na realidade não queremos dizer sim, quando sabemos, à partida, que aceitar será irmos contra a nossa própria felicidade.
(Não, não estava a referir-se ao dizer "não" às crianças quando elas pedem e pedem e pedem. Esse "não" é inquestionável para mim e, felizmente, consigo e uso sempre que educo, seja em casa, seja na escola).



Dizer "não" é assumir, perante quem nos pede, convida ou oferece, que estamos a pensar em nós e no nosso bem-estar pessoal. É valorizar-nos e dar pontos à nossa autoestima e autoconfiança.
É urgente e essencial dizermos "não" a tudo o que nos deixa desconfortáveis, nos leva a sacrificar as nossas prioridades e necessidades. Fazê-lo não é egoísmo, mas amor-próprio e respeito por nós mesmos.
Ao contrário do que possamos pensar, não é por dizermos "sim" a tudo que somos menos generosos ou atenciosos. E quem me dera que este meu saber consciente conseguisse dominar o inconsciente ser "bonzinho" que sou normalmente! É que a vontade de ajudar toda a gente e de evitar conflitos e o medo de parecer mal-educada ou de perder oportunidades, que vivem inconscientemente no meu ser, não facilitam a aprendizagem consciente de que a pessoa mais importante para mim tenho de ser eu mesma.
Mas hei de lá chegar. Sei que hei de conseguir, tal como sei que já dei alguns passinhos na direção certa, pelo menos treinando estratégias como dizer "não" diretamente, sem explicações muito detalhadas nem pedir desculpa por fazê-lo, pedir um tempo para pensar no assunto, para não correr o risco de me arrepender depois ou de ceder demasiado facilmente à tal vontade de agradar e também para perceber que estou ou não a prejudicar as minhas necessidades e prioridades e a forma como me sentirei se aceitar e se recusar. A resposta "certa" é aquela que traz conforto, paz e felicidade, por isso é importante sentir o que a mente nos diz quando prevemos ambas as respostas.
E é tão valioso o sentimento de conforto emocional que alcançamos quando dizemos "sim" a nós mesmos!


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