sábado, 27 de fevereiro de 2016

NA MINHA CAMA... SÓ ELES

Quando os meus filhotes era pequenos, registava muitos dos seus episódios engraçados ou marcantes, para que um dia mais tarde pudéssemos (re)lê-los juntos e matar saudades. Registei palavras, momentos, progressos, alegrias e dores nuns cadernos individuais, onde também colei recordações, bilhetes e panfletos, embalagens dos doces preferidos, diplomas e outros registos. Também escrevi num babyblog e neste cantinho, pois acredito que as palavras escritas nos marcam para sempre e quis escolher as melhores... E eles gostam de as ler...

Agora são mais crescidos, a entrar os dois na adolescência, e já não acham muita graça ao que escrevo sobre eles, por isso fizemos o acordo de eu só escrever de vez em quando e a contar episódios mais "inocentes". (Ai a vida social dos filhos!!!!)

Mas hoje não consegui ficar caladinha (com os dedos) porque me apeteceu imenso vir aqui contar-vos um episódio que já aconteceu connosco algumas vezes e que, em vez de me aborrecer ou zangar, me dá imensa satisfação por mostrar a nossa relação de cumplicidade e confiança. (Não lhes digam que eu acho graça, please!!)

À sexta-feira é dia de adormecermos os três no sofá, depois de um jantar saboroso à frente da televisão.
Fazemos uma maratona de episódios de uma série do agrado dos três (e viva as gravações da box!!), vemos um filme (nada de desenhos animados, que já não gostam), ouvimos música e vemos videoclips (e o que eles gozam com esta minha palavra "antiga") ou simplesmente fazemos zaping.
Algumas vezes comemos pipocas. Às vezes optamos por bombons, gomas ou bolachas. Noutras, em que jantámos mais cedo, bebemos chá e comemos torradas.
Mas o mais importante é que estamos os três juntinhos e repartimos o sofá, aconchegadinhos uns nos outros e bem tapados com as mantas que por lá sempre param. É um momento nosso, uma rotina prazerosa.
E, tal como já disse, costumamos adormecer.
Bem, nem sempre adormecemos os três. (Há uma menina nesta casa que tem uma resistência ao sono como nunca vi!) E normalmente, por incrível que pareça e ao estilo de mãe desnaturada, eu sou a primeira a adormecer.
Mas a malta não se importa e o serão segue em beleza até alguém se cansar de estar sozinho acordado ou acordar estremunhado de madrugada. Aí, esse "sortudo" fica encarregue de acordar os outros dois e "carregá-los" para as camas.

Ah pois!!! E quando a maior dorminhoca não quer acordar nem sair do sofá??? (Eu, entenda-se!!)
Aí, a malta esfalfa-se usando todos e mais alguns truques para levantar estes maravilhosos 74 kgs ou para despertar um cérebro cheio de ticos e tecos com anestesia geral.
Zangados de tanto se esforçarem quando deviam estar a ser pacifica e calmamente acordados (ou carregados no colo?) ou completamente despertos por tanto rir às gargalhadas com os disparates sem sentido que me saem da boca sem passar nos neurónios, a verdade é que os miúdos tentam mesmo que eu vá para a cama.
Mas ultimamente nem sempre isto acontece,
É que há duas pessoas nesta casa que adoram dormir na cama da mãe, duas pessoas que negoceiam lá passar umas horas submetendo-se à escravatura de fazer um café à progenitora ou tirar a loiça da máquina 2 vezes no mesmo dia. São duas crianças, querem parecer jovens ou adultos, mas não passam de bebés quando se aninham no meu colo.

E há alguma forma melhor de dormir na minha cama do que aproveitando que estou a ressonar no sofá e que não ligo a mínima quando os dois me querem acordar? Haverá, na verdade, mais alguma solução? Poderão duas inocentes criaturas resistir a sair da sala pé ante pé e regaladamente se instalarem na cama mais quente e fofinha da casa? Que outra escolha poderia ser feita? Eu percebo-os... não havia outra forma (tão fácil) de ganhar o direito a pernoitar naquele paraíso.

Ontem foi assim.
E eu, inocente e ferrada no sono, ali fico... sozinha no sofá, de cabecinha deitada numa almofada desconfortável e tapadinha com duas mantas polares que anda por ali.
Mas não passei frio. Os miúdos foram queridos e deixaram o aquecedor ligado no mínimo.
Mas não fui incomodada. Os miúdos apagaram as luzes e desligaram a televisão.
E, na realidade, não fiquei sozinha. Os miúdos deixaram também as gatas a dormir em cima do sofá.

E hoje cada um teve o que mereceu: eles dormiram até às tantas e eu acordei eram 6h da manhã. Bolas, hoje é sábado!!! (Mas vou vingar-me esta noite e dormir sozinha bem à larga no meio da minha cama!) 

(Fotos do ano passado raptadas às escondidas de um computador qualquer!)

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