quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ENFRENTAR UM NOVO DIA

Há dias em que acordo tão negra e azeda que a única coisa que me apetece fazer é ficar na cama e fingir que ainda é cedo e que o sol ainda não brilha.
Vejo as horas e, independentemente de serem 9, 11 ou uma da tarde, acho sempre que é cedo demais.
A cama parece segurar-me e eu aproveito. Ponho o quarto ainda mais na penumbra, tapo-me bem, escondendo a cara, fecho os olhos com força e procuro adormecer.
Alguma vezes consigo. E sonho... ou fico negra também por dentro, como se a escuridão do quarto entrasse em mim a cada inspiração.
Outras vezes não consigo e fico dando voltas e voltas na cama, enrolando-me nas cobertas e baralhando as ideias, até ao ponto em que não consigo mover-me, por estar presa entre mantas e lençóis, nem me encontro nos pensamentos desorganizadamente espalhados pelos lobos cerebrais.
De uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, acabo sempre por ter de me levantar, mais que não seja por necessidades fisiológicas ou porque alguém toca insistentemente à campainha. E aí, dói demais.
Nem as janelas apetece abrir, nem o apetite pede mais que um copo de leite com café, nem o pijama quer sair do meu corpo.
E o dia passa. Passa lentamente demais, apesar das horas serem de menos, mas passa como se a tristeza enchesse a casa de noite de lua nova e não deixasse entrar vida nela.
E lá para as 20h começo a desejar fortemente que o dia de amanhã chegue. Porque o amanhã será sempre diferente... para melhor.


Há uns dias atrás acordei exatamente assim, negra e azeda, capaz de ficar na cama por muitas horas.
Já conheço o efeito destes despertares, como acabam e me destroem, como me fazem perder a vida.
Por isso, contrariei mais do que o costume e obriguei-me a sair da cama.
Contrariando a cabeça e o corpo, lutei contra a cama e consegui vencer a batalha.
Ergui-me e, para não dar tempo de mudar de ideias, tomei um duche cheiroso, pus creme no corpo, vesti a minha roupa interior favorita e, de robe e chinelos, comi uma fantástica tosta mista e bebi um daqueles galões de copo cheio. Soube-me a vida.
Depois vi que toda a casa ainda estava às escuras e abri persianas e portadas, deixando o ar fresco entrar e o sol iluminar todas as divisões.
Olhei-me ao espelho, vi a cara triste que ainda tinha e disse a mim mesma: "Tu mereces, miúda!"
Sim, mereço. Confesso que o sei. Também confesso que nem sempre me lembro deste saber. Talvez tenha de o escrever no próprio espelho para me recordar diariamente...
E com um "bora lá, gira!" agarrei-me a cremes e maquilhagens e tratei de mim como se tivesse almoço marcado com o Diogo Morgado ou fosse entrevistar o José Luis Peixoto.
Vesti-me, simples, ao meu jeito, mas de forma cuidada e procurando o que me fica melhor, usei um perfume de aroma floral, coloquei um brincos bonitos e calcei tacão alto.
Sem exageros, estava pronta para encarar de frente o dia.
E saí. Não fui longe, não demorei muito tempo, nem fiz nada de especial, mas aproveitei cada bocadinho de de tudo, dando um ênfase especial às pequeninas maravilhas que encontrei. E até uma folha castanha, caída no chão, revelou a beleza das suas formas.

6 comentários :

  1. E a coragem que isso exige. Parabéns! Na segunda foto nem parece a mesma pessoa. ;) Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade minha querida.
      E tive tantos dias como o primeiro nos últimos meses!!!!
      Mas agora, cabeça para cima!!
      Beijocas

      Eliminar
  2. E é assim que tem de ser, com força e para a frente. As pequenas coisas interessam, eu mesmo quando não estou triste adoro observar um carreiro de formigas, as folhas a cair, um cão a correr. Nesses momentos somos apenas nós e aquilo, nada mais interessa. É preciso estarmos apenas porque no dia a dia temos de ser, fazer, andar, mexer, falar, etc... Por isso, não pensar e apenas observar, apenas estar alivia a cabeça e o corpo. É assim que penso e que sou sempre. Nem sempre é fácil, mas se tu consegues afastar, nem que seja um bocadinho só, uma depressão, também consegues viver o dia a dia quando te sentes mais alegre. Acho que a ideia é essa, não nos lembrarmos de estar apenas, só quando estamos em baixo, mas sim sempre que possível.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade minha linda. Sabes, chego à conclusão de que a depressão me tem dado a oportunidade de mudar de vida.
      E vou conseguir!!!
      Beijocas

      Eliminar
  3. É preciso contrariar, por vezes, o que o nosso corpo pede. Revelaste muita coragem pela atitude. Sê feliz!
    Beijinhos amiga.

    www.trapinhartes.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai minha linda, a coragem temos de a achar sei lá onde!!!
      Mas merecemos, oh se merecemos!!
      Beijocas
      P.S. Espero a minha pulseirinha!!

      Eliminar