terça-feira, 5 de janeiro de 2016

FRUSTRAÇÃO, A QUANTO OBRIGAS

Garanto que não vou escrever nenhum testamento a fazer-me de coitadinha, até porque não entro muito nesses jogos, mas tenho de desabafar um sentimento que hoje me assiste: sinto-me frustrada.

Sou mulher de muitos defeitos, os quais não terei razões para não assumir (já passei a fase da perfeição há muito tempo), mas também sei que há qualidades que fazem parte de mim e das quais me orgulho bastante.
Uma delas é a persistência e a outra é a capacidade de amar.
As duas juntas fazem uma mistura (aparentemente) infalível, mas que parece condenada a trazer sentimentos de injustiça e frustração a quem as conscientemente usa com as pessoas à sua volta.
Eu sou uma delas! Uso consciente e inconscientemente porque está em mim... parece que corre no sangue e na alma.

Quando amo, entrego-me e faço de tudo para criar felicidade à minha volta. Dou o "coiro e o cabelo", como popularmente se diz, por essa pessoa, faço o que for preciso para que tenha bons momentos, ouço-a e acompanho-a nos bons e maus bocados, incentivo para que aproveite o melhor da vida, coloco as suas vontades, necessidades e interesses à frente dos meus, motivo, aplaudo, preocupo-me... Sou de amar por inteiro e de me entregar sem medida nem limite.

E amar não significa que seja só a uma homem... Faço o mesmo com a família, com os amigos, com os colegas, com os alunos, com quem se cruza no meu caminho e me cativa. Faço porque sou assim e não sei ser de outra forma. Ou não chego a ligar-me emocionalmente ou ligo a persistência ao amor e uso a mistura o melhor que consigo.

Às vezes esgoto-me, fico sem energia para mim mesma. Outra vezes fico a pensar no que posso mais fazer e a achar que não sou nem dei o suficiente. Há ainda aquelas em que me desligo porque me parece que quem amo está melhor se mim. Noutras digo que "sim" ao outro e esqueço-me que a mim me dava mais jeito um "não". E vou esticando a corda... E dando. E exigindo também, é verdade, mas nunca na mesma medida que dou.

E há um dia em que a bolha rebenta e eu preciso que também me amem incondicionalmente. Há um dia em que faço um disparate, digo umas verdades que magoam ou simplesmente discordo de quem amo. E há um dia em que preciso que me deixem desabafar, que tenham paciência e tolerância, que aceitem que falhe e me deem tempo para me arrepender e pedir perdão.
E é nesse dia que se marca o fim de uma relação em que muito investi. É nesse dia que alguém desiste de mim e decide que está melhor se me ter por perto. É nesse momento que me torno imperdoável. E não me é dada uma segunda oportunidade. E não há um tempo de espera até eu pedir desculpa. Não há compreensão, não há investimento, não há tolerância. Há uma desilusão a pairar sobre mim. Eu própria tenho dificuldade em perdoar-me e me desiludo.

Depois, com a tempo a passar, fica a dor de não ter resolvido tudo ou de ter havido qualquer coisa que podia ter feito e não fiz. Fica aquele amor a palpitar no peito e a vontade de fazer as pazes, de voltar a abraçar aquela pessoa. Fica a saudade e os "ses" todos no ar.
E a outra pessoa, que continuo a amar, porque quem ama com a tal mistura não deixa de o sentir tão facilmente, recomeça a viver com mais coragem, com mais força, com maior autoestima, mais em paz e livremente, mais feliz. E eu fico com menos um bocado... e frustrada. Feliz ao mesmo tempo por ela, mas frustrada por não ter dado o suficiente ou ter dado demais da forma errada.

E esta frustração repete-se e acontece inúmeras vezes na minha vida. Acontece com amigos, com familiares, com colegas... Tantas aconteceu que já sinto medo de amar, de me agarrar a alguém.

Há dias assim... em que as frustrações vêm ao cimo e me vejo obrigada a construir um pouco mais do muro com que tenho de me proteger.

1 comentário :

  1. Compreendo o sentimento. Também não sei amar/gostar pela metade e muitas vezes me desiludo por não ver o mesmo do outro lado. Só peço que isso nunca nos impeça de amar assim, verdadeiramente. Beijinho grande

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