terça-feira, 26 de janeiro de 2016

AO COLO DA MÃE

Estão crescidos demais para os meus braços. Seus corpos não cabem neles por inteiro. Os braços e as pernas compridas não facilitam e o peso da cabeça de adolescente cansa-me o corpo em poucos minutos. Mas continuam a precisar de colo e eu de os ter no meu. Continuam a gostar de ser embalados e de ouvir cantar para adormecer. Continuam a ser os meus bebés nesses momentos e sabe tão bem que assim seja.

Ontem foi ela quem pediu. Disse sorridente e com ar maroto:
- Mãe, vem adormecer-me!
E olhou para mim com ternura, colocando a cabecinha de lado e fazendo olhinhos (com aquela magia de abrir e fechar rapidamente, qual bonequinha com vida).
Fui. Não seria eu se não fosse. E que bem me soube que o pedisse assim tão meiguinha. Tem quase 11 anos, quer ser crescida, mas é muito menina. É a minha menina! Vai sê-lo sempre e para sempre, tenha que idade tiver.
Sem estar a meu colo, dei-lhe colo. Ambas deitadas no calor da minha cama, onde tantas vezes cura doenças, recebe (e dá) mil carinhos, confessa as suas preocupações e desilusões e faz ronha pedido companhia para dormir, abraçámo-nos muito e ela aninhou-se em mim. As pernas enlaçadas nas minhas e o meu braço apoiando a cabecinha, que procurou o bater do meu coração como tranquilizante. O embalo feito de outra forma, pois nós, mães, conseguimos sempre um modo de mexer o corpo, por mais curto que seja o espaço. Voltou a ser bebé sem deixar de ser menina e o conforto leva as duas para um momento colorido e doce.

- É bom mãe! És tão fofinha!
Que bom, meu Deus. Que bom que é tê-la assim nos meus braços, embalá-la, dar-lhe colo, trocar beijinhos miudinhos, roçar o meu nariz no dela e sussurrar-lhe ao ouvido. Que bom é ser mãe e insubstituível.

E que bom é receber o mesmo colo quando preciso, mesmo sendo adulta e ainda mais difícil de segurar.
Que bem me sinto quando a minha mãe o faz, sem ser preciso pedir, só porque percebe que também o bater do seu coração e o embalar do seu corpo me acalmam e tranquilizam naquele momento.
Saber que a tenho comigo e com ela posso voltar a ser pequena, a chorar desalmadamente ou, até mesmo, a chuchar no dedo... não há conforto igual, nem melhor e encorajador carinho.
Ontem recordei os momentos difíceis da minha vida que se tornaram suportáveis no seu colo e as vezes em que fui rija demais para me chegar perto e deixar que o fizesse. E a diferença foi o caminho entre a paz e a solidão, entre ser princesa mimada e plebeia sofrida. Nenhum outro colo, nenhum outro simples gesto tem tanto poder em mim.

Não quero nem posso deixar de dar e receber colo. Não quero que os meus filhos deixem de gostar de estar no meu, nem que o recusem ou tenham vergonha de o pedir. Não quero que se façam rijos como eu, nem que se esqueçam que os amo como ninguém e que estarei sempre pronta para os dois.
Também não quero mais fingir que sou uma pedra. Quero abraços, quero mimos, quero colo. Quer estar no colo da minha mãe para sempre.

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