domingo, 27 de dezembro de 2015

PRIMEIRO NATAL PELA METADE

Foi em 2002 que me tornei mãe, a partir do momento em que soube que o meu Simão crescia no meu ventre. Desde aí, durante os últimos treze anos da minha vida, o Natal sempre se celebrou em volta dele e depois também da irmã. Vieram os primos... E rapidamente eram cinco as crianças a brincar e a abrir presentes, desejosos por saber o que lhes trouxera o Pai Natal.

Este ano foi diferente... ou melhor, começou a ser diferente. Este foi o primeiro Natal em que não estive com os meus filhos durante os dois dias de celebrações.

O dia 24 foi quase igual. Teve a diferença de sermos menos, de não haver gritos nem correrias. A mesa estava mais vazia, mas as conversas aqueceram o ambiente. Sentia-se tranquilidade e paz, como todos  nós precisamos nesta época (e não só, claro!)

A meia-noite chegou depressa, os presentes foram carinhosamente distribuídos, este ano com direito a jogo e a promessa do "amigo secreto" em 2016, os doces e fritos saboreados. Tudo dentro da (quase) normalidade.

A noite trouxe os mimos de partilhar camas com quem amamos e conversar até adormecer.

E o dia 25 chegou nublado e foi difícil despir os pijamas enquanto o sol não descobriu...

Se há coisa que me doa de verdade por ser agora "mãe solteira" é ficar sem eles em alguns momentos.
Sei que estiveram bem, que o pai os ama e que adora estar com eles, que ficam felizes por continuar a estar com a avó Lina e o avô Quim no Natal, mas o dia 25 doeu muito. Foi como se metade de mim saísse com eles pela porta quando de manhã foram com o pai.

Chorei, confesso que sim. Chorei muito. De peito apertado, quase como se me fosse impossível respirar sem eles, deixei a dor soltar-se num choro pesado, compulsivo, quase descontrolado. Chorei e foi o abraço apertado da minha mãe, o colo de pé, as lágrimas que também dela correram, a liberdade que tive para chorar à vontade sem controlo, o que me fez conseguir respirar fundo e fixar-me no seu "já passou, filha!".

E, já recomposta, pus-me bonita e agradeci por tê-los na minha vida e por, em breve, poder voltar a abraçá-los.

O dia foi melhorando à medida que o Natal chegava ao fim... Um ambiente novo, cheio de gente querida que me acarinhou e onde os meninos nunca marcaram presença, pelo que a falta deles ficou disfarçada... um "domingo" como aqueles em que estão com o pai.

E está passado... E a primeira vez custou... 

De certeza que há quem pense que sou demasiado sentimentalista. Há também que diga que deveríamos ter pensado nisso quando decidimos que dois bons amigos deveriam prosseguir vidas em separado. Há quem sinta de outra forma e quem arranje guerras parentais para vencer os dois dias, nem que tenha de arranjar argumentos contra alguém que tem igual direito em estar com os seres que mais ama no mundo.

Não me interessa. Eu sinto a experiência desta forma e não quero ser nem agir de outra maneira, mesmo que isso me faça sentir o coração pela metade.

7 comentários :

  1. Nem sei o que dizer nem o que passou! É triste essa situação e acredite que as crianças também sofrem pois também eu sou filha de pais separados e penso que seja igualmente doloroso não poder ter os 2 juntos! Beijinhos e força

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    1. Olá Sarinha.
      Eu sei que sim... senti-o na voz dos filhotes, principalmente do mais velho, quando lhes liguei à noite. Custa-lhes muito mesmo...
      Beijocas

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  2. Até eu chorei a ler isto.... É a vida, só resta chorar um bocadinho para aliviar e depois seguir em frente. (Segredinho Será que foi em 2002 que te tornaste mãe? Escreveste 2012)

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    1. Olá linda!!!
      Chorar alivia. É verdade!! Limpa a alma. E de cabeça erguida depois... estou aprendendo, Sofia.
      Obrigada por estares desse lado dando força.
      (Vou emendar o segredinho!!! Gracias!!)

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  3. Amiga tu não tens sentimentalista, tu és uma mãe. Que sente falta de uma parte dela

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  4. Amiga tu não tens sentimentalista, tu és uma mãe. Que sente falta de uma parte dela

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