segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O MEU ACIDENTE NA PONTE VASCO DA GAMA

Imagem retirada da internet
Dia: sábado, dia 31 de outubro de 2015
Hora: 14h40 min.
Local: Ponte Vasco da Gama.
Direção: Lisboa
Destino: Workshop de alimentação, com lançamento do livro "A dieta do prazer" da Dra. Eduarda
Velocidade: 120 km/h
Condutor: Marisa
Passageiros: nenhum
Condições atmosféricas: céu nublado


Quase que estas características poderiam ter sido usadas pela GNR quando descreveu o acidente em que me vi envolvida. Melhor, em que fui culpada... e fui salva por uma força superior positiva... Eu acho que foi Deus... talvez tenha sido o meu Anjo da Guarda... quiçá um familiar que, do céu, me proteja... ou o destino que me quis pregar um susto ou partida para aprender a dar sempre valor à vida e menos a coisinhas pequeninas do dia a dia.

Neste momento estou sem carro. Está imobilizado no parque da ponte, muito batido. Não sei se vale a pena pagar o arranjo ou se me ficará mais em conta desistir dele. Nem sei se tem arranjo. Sentada no chão da ponte, apenas via o lado contrário da grande batida. Acho que ainda bem. Teria chorado mais. Chorei pouco, para a situação e para o que costumo chorar. Só me lembrava de duas coisas: graças a Deus que os miúdos não estavam comigo e graças a Deus que estou viva. E as pernas tremeram até me darem alta no Hospital de S. José, em Lisboa.

Ia a conduzir com é (ou era?) normal. Ia depressa na faixa do meio. Estava atenta à estrada.
À minha frente, mas a uns bons metros de distância, ia um carro. Penso que era um Mercedes. Só soube depois, porque, a partir daqui, aconteceu tudo (parece que) em segundos.
Percebi que o carro ia mais bem mais devagar do que eu. Olhei para a esquerda para ultrapassar. Vinha um carro a fazer ultrapassagem, por isso travei um pouco... e tudo mudou.

Perdi o controlo na direção. Tentei virar para a esquerda para não bater no carro, mas ainda lhe toquei. Hoje sei que fiz de tudo para que as batidas fossem sempre no lado do pendura, se é que consegui fazer realmente alguma coisa, pois perdi o controlo no carro. Bati no separador central da ponte e imediatamente dispararam os dois airbags dianteiros. Fiquei sem ver nada. O carro voltou a embater no outro veiculo, mesmo na sua lateral, na faixa do meio, rebentando-me os dois airbags. Tentei controlá-lo e fazer com que não batesse do meu lado, mas, o que parecia um fumo negro, não facilitou a visão... nem a respiração. Voltei a bater noutro lado. Pensei que estava a matar mais alguém. Depois percebemos que foi no "separador" da direita. Parou. Estava atravessada na faixa do meio, na perpendicular ao sentido sul/norte. O pneu da frente, do lado direito, estava completamente rebentado.

Chorei um pouco, mas controlei-me e comecei a tossir. Estava muito "fumo" e queria sair dali. Tentei abrir a porta e tirar o cinto. Parece que nada conseguia fazer.
Aflita, vejo um rapaz dirigir-se a mim, abrir a porta e ajudar-me a sair. Fiquei de pé, mas as pernas tremiam e parecia que ia desmaiar. Ele ajudou-me a sentar e pôr a cabeça entre as pernas. Chegaram mais dois anjos: a namorada e a mãe do rapaz. Mimaram-me, acalmaram-se, deram-me açúcar para tentar acalmar. Avisei que era doente depressiva e que costumava ter ataques de pânico. Confesso que fiquei com medo. Deram-me o primeiro grande apoio de que precisava. Perguntei pelo outro condutor, que chegou magoado na cabeça. Falámos sobre o que se passou e fez-me perceber que o seguro ajudaria com tudo.

Liguei aos meus pais e ao Luis. Precisava de alguém que me conhecesse e me desse apoio. Foi importante manter contacto e (muito mesmo) saber que tinha alguém a pensar em mim e a vir ao meu encontro.
Depois foram os procedimentos legais: ligar ao INEM e à GNR... Apareceu alguém da ACP. O local foi delimitado e sinalizado por eles. Os meus anjos ficaram comigo. Chegou a guarda, depois duas ambulâncias dos Bombeiros do Montijo. Fui levada e avaliada. Recebi oxigénio. Fui imobilizada e conduziram-me até ao Hospital de S. José. Também lá fui muito bem tratada. Fizeram uma avaliação completa, deram-se soro, calmantes e analgésicos por via venosa. Fizeram-se RX.

Eram 17h20 quando saí do hospital, na companhia dos meus...
Dizia a alta médica: doente clinicamente bem, sem evidência clínica ou Rx de lesões p´so traumáticas.

Fui para a casinha dos pais, mimada por todos, apenas com algumas nódoas negras nos 2 braços.

Posso bem dizer: saí ilesa. Fui salva pela tal força energética positiva. Tive o mundo a conspirar a meu favor e estou viva, bem viva. Isso é que é importante! Isso e encarar a vida como uma verdadeira dádiva e agradecer por ser como e quem sou e por ter uma oportunidade de fazer melhor daqui para a frente.
OBRIGADA!!!


4 comentários :

  1. Também tive um acidente de carro muito muito feio (com capotamento) fez no dia 5 de Outubro 8 anos. É algo que nunca esquecemos. No meu caso tinha o carro cheio, e isso foi o que me causou maior pânico. Felizmente também só tivemos ferimentos ligeiros, apesar do carro ser sucata completa!
    Ao ver o estado do carro também todos disseram que tinha sido um milagre.
    Temos mesmo que agradecer por estarmos vivas e apreciar melhor cada momento que nos é dado.
    Fico mesmo muito aliviada por estar tudo bem contigo e espero que consigas ir ultrapassando o susto, pois sei bem como é difícil.
    Um grande beijinho*

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    1. Olá minha linda.
      Que marcas que ficam na nossa vida.
      Mas estamos cá... com ou sem carro... temos vida.
      As duas vamos "esquecer" o acidente e não deixar que marque a nossa felicidade.
      Beijocas e obrigada pelo testemunho

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  2. Que susto...mas ainda bem que o universo conspirou a teu favor.
    Beijinho e descansa bastante.

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    1. Olá minha querida!!
      Estou viva e bem de saúde.
      O carro faz-me falta mas a vida ainda faz mais e a minha faz falta tb aos meus filhos. Eles são a nossa força, não é?
      Beijo gigante

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