quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O PÔR DO SOL E EU

Há uma altura do dia que me enche a alma de nostalgia...
Não de uma nostalgia carregada de dor, de memórias tristes, de saudade... mas daquelas doces, de respiração prolongada e profunda, de agradecimento e dádiva.

Há uma altura do dia em que me sinto plena e descontraída, quase a ponto de conseguir desligar os pensamentos e ficar apenas a contemplar...
Não parada e apática, nem inerte e triste... mas em paz comigo mesma e tranquilamente apaixonada por tudo aquilo que a vida me tem permitido viver e aprender.

Há uma altura do dia em que nada é exatamente o que parece...
E não é que a mentira viva por perto, nem que a verdade se esconda nas cores do ambiente... mas, ao mudar a luz que o ilumina, o mundo surge com diferentes tons, com cheiros característicos, com brilhos que não conseguimos detetar noutras alturas.

Há uma altura do dia em que vivo as minhas emoções em pleno, em que consigo abraçar-me sem dúvidas nem inseguranças, em que respeito o que sinto e quero sem preconceitos nem medos, em que me assumo tal como sou, em que posso chorar sem ser de tristeza ou rir mesmo não estando feliz, em que o meu "eu" se liberta e ascende brilhando de cores suaves, em que não há 8 nem 80 porque tudo é serenidade e ternura.

Mas essa altura do dia, bem junto ao pôr do sol, é por mim apenas plenamente vivida se estiver junto ao mar, que me compreende sem palavras nem gestos, que me acolhe e me abraça apesar de apenas olharmos um para o outro... perto dele, consigo amar o céu e a terra, vivendo todos os pedaços do mundo que me rodeia.

E este ano tive muitos momentos destes... e carreguei baterias como nunca... e, verdadeiramente, enriqueci por dentro.




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