terça-feira, 22 de setembro de 2015

NOVOS AUTORES #08 - JOÃO PERRE VIANA

Conheci João Perre Viana através do facebook da sua obra, "Rosalía de Castro - Uma história que sonha sem ser um livro, já não sei exatamente como.
Trocámos algumas mensagens privadas, nas quais me ofereci para ler o seu livro e combinámos como poderia este blog dar uma ajuda na sua divulgação.

Não demorou muito tempo até que o recebesse na minha caixa do correio e começasse a devorá-lo, tendo sido um prazer escrever sobre ele AQUI.

Tive ainda o prazer de conhecer pessoalmente João Perre Viana num pequeno-almoço memorável, em plena capital, num ambiente descontraído, onde o autor me encantou com a sua personalidade carismática e as suas experiências de vida, para além de ter acabado por responder pessoalmente a algumas das questões que hoje vos apresento respondidas por escrito.

Obrigada, João Perre Viana, por tão agradáveis momentos e encantadoras palavras!!


1. Quando e como percebeu que tinha em si o talento da escrita?

Não creio que tenha sido eu a aperceber-me disso, mas antes algumas pessoas próximas que gostavam das histórias que teimava em passar para pequenos cadernos e que sempre me acompanham.
Mais do que talento para a escrita que, honestamente, não creio que tenha em abundância, penso que sou um contador de histórias que gosta de partilhar através da escrita o que lhe vai na alma. 

2. Como foi, resumidamente, todo o caminho desta obra, desde a sua escrita até à publicação em papel?

A minha vida profissional tem-se revelado a melhor agência de viagens possível, para quem passa muito tempo dentro de aviões e de aeroportos acaba por ganhar um tempo precioso que pode ser bem aproveitado.
Entre as diferentes histórias que tenho escrito, houve uma que pareceu ganhar vida própria ao ponto de me obrigar a continuar.
Quando me apercebi de que poderia ter um possível livro nas mãos, decidi pesquisar um pouco o mercado editorial e tentar identificar qual podia ser a melhor estratégia para prosseguir.
Rapidamente consegui compreender que a “industria dos livros” é um buraco negro que suga a criatividade dos autores e encaminha, como se de um rebanho se tratasse, os leitores para o que se quer vender.
Como professor de empreendedorismo que sou, decidi provar a minha própria receita para tantas outros negócios e avancei com uma edição de autor, um blog suportado por outras redes sociais e uma campanha de crowdfunding no indiegogo para apoiar o financiamento do projecto.
Creio que foi a melhor opção, pois sem depender de ninguém, atingimos mais de 15.000 leitores no facebook e cerca de 20.000 no blog, foram vendidos mais de 400 livros em dois meses, utilizando exclusivamente a loja online dentro da página de Facebook e algumas livrarias Fnac.
Em resumo, se mais escritores seguissem esta abordagem, tanto leitor como o autor sairiam a ganhar (bastante), pois os livros poderiam ser bastante mais baratos tal como o livro Rosalía de Castro é, e os autores poderiam provavelmente ganhar mais do que os típicos 10% do valor do preço de capa quando trabalham com as editoras e distribuidoras tradicionais.
Estou muito feliz com os resultados obtidos e acima de tudo com o feedback que tenho tido dos leitores sobre a história.

3. De que forma as suas experiências profissionais favoreceram a escrita de “Rosalía de Castro”?


O que escrevo e a forma como escrevo é bastante influenciado pelas minhas experiências pessoais, onde se incluem as minhas experiências profissionais.
Ter tido a oportunidade de viver e trabalhar em mais de uma dezena de países nos últimos vinte anos ajudou-me a acrescentar detalhes que ganham outro sabor quando pisamos as mesmas pedras da calçada ou vivemos os mesmos arrepios na pele e na alma.

4. Quais as razões que o levaram a optar por uma edição de autor?

Como expliquei anteriormente, acredito nas pessoas que fazem e que acrescentam valor ao que fazem, como tal neste projecto fez todo o sentido assumir pessoalmente a responsabilidade de colocar a obra ao sol.
Por outro lado, acho interessante a minha primeira obra ter sido feita da mesma forma que os primeiros livros em papel foram publicados, através de edições de autor, criando uma aproximação enorme entre quem escreve e quem lê.

5. Quais considera serem as principais vantagens das campanhas de crowdfunding na literatura?

Vivemos num mundo onde tudo se quer quase de imediato e os livros não escapam a esse paradigma. Quantas vezes se compram livros apenas com base no que nos é mostrado nas estantes das novidades e nos tops de vendas?
Ao invés, as campanhas de crowdfunding exigem que os leitores percebam o que estão a apoiar, conheçam a história, conheçam o autor e ao apoiarem sintam-se parte de todo o processo passando a dar outro significado ao livro que um dia chegará às suas mãos.
Finalmente o crowdfunding aproxima o verdadeiro interesse à obra o que é algo absolutamente revolucionário e que ainda não está a ser bem percebido no seu verdadeiro potencial, mas para lá caminhamos pois as pessoas de uma forma geral estão cansadas de intermediários que nos dizem o que devemos pensar, dizer, comprar, etc. 
 
6. Onde foi buscar inspiração para construir as quatro personagens principais?

A várias fontes. Algumas personagens são próximas de pessoas que, por algum motivo, se cruzaram na minha vida tendo, no entanto, acabado por assumir uma postura bem diferente da sua realidade, foram mais um ponto de partida do que um fim em si mesmo.
Outras são produtos da história maior da nossa humanidade, uma espécie de representantes de uma determinada realidade dentro de uma das formas como se pode ver o mundo.
Outros nasceram pura e simplesmente dentro do livro e provavelmente aí permanecerão.
    
7. Porque têm nacionalidades diferentes e o que motivou a escolha de cada país de origem?

A Europa em que vivemos reflecte-se na história de Rosalía de Castro, o que está para trás, o presente e provavelmente o futuro, não creio que faria grande diferença ao centro da história alterar a nacionalidade das personagens, pois para algumas das gerações que se revêem no livro, os desafios, anseios e desejos são exactamente os mesmos.

8. Identifica-se, de alguma forma, com José, o personagem principal masculino?

Creio que qualquer pessoa, homem ou melhor, mais ou menos jovem se identifica com José, pois ele é um pouco de todos nós.

9. Porque razão decidiu usar tantas notas de rodapé ao longo da sua obra e porque o fez em diferentes idiomas?

As notas de rodapé são pensamentos, interrogações e curiosidades que saíram directamente da cabeça do autor e que em determinado momento inicial foi também ele leitor.
O nosso mundo mundo tem várias cores e os diferentes idiomas são expressões e formas de pensar para quem vê o mundo sem barreiras e sem fronteiras.

10. Como foram escolhidos os temas musicais para cada capítulo?

O infinito tal como eu gosto de Lhe chamar teve um papel fundamental na criação desta obra, apenas tive de estar atento e escutar o que me estava a ser dito através da música. Creio que foram as músicas que escolheram entrar e aparecer da forma como apareceram. 



OBRIGADA, JOÃO PERRE VIANA!!

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