sábado, 26 de setembro de 2015

FACES COM A RIBALTA - MAYA (PARTE I)

Há muito que este meu espaço na internet deixou de ser apenas um cantinho de desabafos. Há muito que comecei a aceitar e a fazer desafios, percorrendo caminhos que cada uma das minhas faces foi descobrindo e trazendo até aqui. Há muito que o deixo guiar-me, ainda que sempre com o propósito com que nasceu: levar-me a conhecer e a valorizar as diferentes facetas de mim mesma.

Foi uma das minhas faces mais curiosas que, na passada terça-feira, deu os primeiros passos num mundo movo, abrindo, assim, caminho para uma nova rubrica do blogue: "FACES COM A RIBALTA", um espaço onde falarei com e sobre personalidades famosas do nosso país, procurando mostrar o brilho que têm longe do grande ecran.

E a estreia não poderia ter corrido melhor! (Apesar do meu enorme nervosismo!)


Eunice Cristina Maia de Carvalho, conhecida em Portugal por MAYA, a mais famosa taróloga do país, abriu-me as portas de sua casa num final da tarde solarengo, recebendo-me de sorriso no rosto e com uma humildade e simpatia que me deixaram completamente rendida aos seus encantos pessoais.

Admitindo que a definisse como uma mulher muito interessante, carismática e sempre pronta a aceitar desafios, Maya falou-me um pouco sobre si mesma, sobre a sua vida e os seus projetos, numa conversa informal e agradável que terminou com um delicioso gin à beira da piscina.

Eunice, forma como é tratada mais intimamente, nasceu na Amadora e foi uma criança "certinha", "betinha", disciplinada e boa aluna (sempre a preferida dos professores), tendo sido após a "Revolução do 25 de Abril" que começou a aproximar-se mais da mulher ativa, extrovertida e interventiva que hoje é e que serve de inspiração a quem com ela contacta diretamente.
Nessa altura, então com 15 anos, viveu intensamente toda a revolução e ganhou interesse pela política, tendo crescido como pessoa e alcançado uma diferente consciência da vida e do mundo à sua volta, numa época em que as amizades e os amores eram condicionados por convicções de esquerda e de direita.

Maya fez o magistério e foi professora "primária" durante 20 anos, tendo ficado rendida à importância do 1.º Ciclo, que defende como sendo o grau de ensino mais importante e versátil de toda a escolaridade e cujos professores considera estarem preparados para tudo na vida. (Obrigada, minha querida, pela parte que me toca!! Concordo contigo!!).
Desta fase da vida, Maya recorda principalmente, e com muitas saudades, o trabalho direto e a relação pessoal com as crianças, as quais vai colmatando em pequenos encontros ocasionais com ex-alunos, atualmente já adultos, que com ela se têm cruzado em festas e eventos e que continuam a valorizá-la mostrando orgulho por terem sido seus alunos.
Não só como professora, mas também como cidadã, continua atenta às políticas educativas do governo, manifestando-se contra as mesmas e reagindo de forma preocupada face aos problemas indefinidamente não (ou mal) corrigidos na educação, considerando esta área e a da saúde como prioritárias e sobre as quais deveria recair o maior empenho dos governantes.

Maya é uma mulher notável, que se assume como ativa e profissional, divertida e amante da noite, mas que dá muita importância à família e aos laços que com ela se criam, mantendo contacto diário com os familiares mais próximos.
Casou quatro vezes (apesar de apenas duas no papel) e tem um filho de 22 anos, o Vasco, fruto do último casamento. Mantém um relacionamento muito próximo com a sua mãe, de 92 anos, com o irmão, de quem tem 4 sobrinhos e já sobrinhos-netos, e com as duas irmãs de Vasco, filhas de anteriores casamentos do pai.
Diz que não tem uma família muito grande, mas agregou a ela muitas das pessoas que foram passando pela sua vida e pela do filho e completa-a com os muitos amigos que foi ganhando ao longo dos anos, a quem é absolutamente leal e que considera a "família que escolheu".

Há 19 anos que vive só com o filho e não gosta que digam que "vive sozinha" só porque não mora com um companheiro ou um namorado, pois sente-se bastante completa na relação que tem com aquele que considera ser também um amigo e a quem consulta sempre antes de tomar alguma decisão.
Recorda com ternura as várias fases da vida de Vasco, cuja educação assumiu integralmente desde a separação, aos 3 anos, destacando a adolescência como a fase que mais a preocupou como mãe.

Apesar de ter optado por viver sozinha desde essa altura, Maya continua a acreditar no amor, em paixões e em enamoramento e diz que já teve vários "grandes amores", pois consegue associar uma grande paixão a cada fase importante da sua vida.
Assumindo-se como namoradeira, diz que alguns dos homens com quem se relacionou continuam a fazer parte dos seu núcleo de amigos, pois mantém com eles algumas afinidades pessoais e partilha dos mesmos princípios de caráter.

Sem considerar que haja uma idade certa para amar, a apresentadora diz que entre é entre os 35 e os 45 anos que a mulher vive o seu período de ouro no amor, pois está mais equilibrada física e mentalmente, tendo já adquiriu ferramentas, conhecimentos e maturidade que lhe permitem relacionamentos plenos e completos. (Confesso que gostei bastante desta teoria!!!)

Mulher de personalidade forte, emblemática e festivaleira, tem tido uma vida repleta de momentos importantes, dos quais escolhe como o mais marcante o falecimento do seu pai, de quem tem muitas saudades e que destaca como a figura de referência da família: um homem muito bonito, muito culto, que foi um grande empresário da área das padarias, com quem se identificava bastante e de quem herdou o gosto pela noite e a paixão por festas.

Maya diz ser uma pessoa completamente comum em experiências pessoais, com hábitos diários igualmente comuns, cuja vida tem sido marcada por muitos acontecimentos importantes, como o nascimento do filho, os seus casamentos, os divórcios, as mudanças profissionais e a perda de alguns amigos.

No entanto, a sua sensibilidade e a profundidade que alcança em momentos de concentração e que usa como ninguém no Tarot, destacam-na das outras pessoas.
Nesta área, que domina há 25 anos, fazendo diariamente as suas previsões, não tem dúvidas em assumir-se como a "número um" ou a "melhor taróloga do país", não abrindo sequer discussão sobre o assunto.
Não podendo deitar cartas a si mesma, aproveita as viagens ao estrangeiro para procurar alguns ensinamentos de confiança, principalmente em Londres, onde conhece cartomantes de grande qualidade.

Para além de taróloga, Maya é também apresentadora de televisão, relações públicas e organizadora de eventos, um conjunto de profissões que, na sua opinião, se completam e as quais assume com muita responsabilidade, perseverança e empenho, o que faz dela uma mulher completa e realizada, mas, sendo exigente consigo e com a vida, também parcialmente insatisfeita, estando sempre à espera de experiências diferentes e inovadoras.

Talvez por isso, e também porque já aderiu a bastantes projetos e desafios diversificados, sente muita vontade de fazer cinema, encarando esta arte como a que ainda lhe falta experimentar na vida e querendo aprender com ela e perceber o que a distingue das outras, como a televisão, a rádio, o circo ou o teatro.
E parece que em breve tal irá acontecer, pois Leonel Vieira já prometeu que a chamará para um dos seus filmes assim que tiver uma personagem que se encaixe na sua personalidade.

Falando um pouco sobre o futuro e as experiências que ainda quer viver, Maya confessou-me que já tem vontade de ser avó e que se sente preparada para receber os netos, apesar do filho não estar ainda a pensar no assunto.

Sendo esta grande senhora da televisão uma mulher muito culta, não resisti a falar-lhe sobre livros e acabei por descobrir que adora ler e que é especialmente apreciadora de literatura policial e de romances históricos, salientando nomes como Agatha Christie, Francisco Moita Flores e Mário Zambujal como os seus preferidos. No entanto, um pouco como eu, embora profissionalmente e em grande escala, neste momentos dedica mais à leitura de novas obras de autores de língua portuguesa, recebendo diariamente diversos livros para ler e dar o seu parecer no programa matinal da CM TV.

Maya é, indiscutivelmente, uma grande mulher, uma senhora na forma de agir e de pensar, um ser humano brilhante e inspirador, que emana as cores do arco-íris e nos convida a agarrar a vida com todas as forças, fazendo dela o caminho para sermos felizes.

OBRIGADA, MAYA, PELA MARAVILHOSA CONVERSA!!



Na segunda parte deste "Faces com a Ribalta", partilharei a opinião de Maya sobre temas diversos, entre os quais a violência doméstica, as qualidades do povo e do território português, os refugiados sírios ou a paixão pelos animais.

(Ler AQUI a Parte II)

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