quarta-feira, 26 de agosto de 2015

"ROSALÍA DE CASTRO - UMA HISTÓRIA QUE SONHA EM SER UM LIVRO"

Lembro-me bem do dia em que comecei a ler a obra "Rosalía de Castro - Uma história que sonha em ser um livro": estava a almoçar sozinha no "Terminus", um restaurante que adoro, na Praia da Fonte da Telha. Curiosamente, ou talvez não, foi numa espreguiçadeira da mesma praia que terminei a sua leitura, seguindo-se uns agradáveis momentos agarrada ao livro, a saborear o final e a sentir o calor do sol a completar o cenário.

"Rosalía de Castro . Uma história que sonha em ser um livro" é a primeira obra de J. Perre Viana e
foi-me gentilmente oferecida pelo próprio autor, com direito a autógrafo personalizado.

Este livro tem quatro personagens principais, todas de nacionalidades diferentes, contando-nos a história de vida de cada uma delas, as relações que entre si foram estabelecendo e a forma como por elas foram marcadas.

No centro do enredo está José, o único homem, um português à procura de um rumo, perdido e achado numa vida que foi sendo construída para ou por ele, cheio de potencialidades mas comodista até nas ambições.
E à sua volta, conhecemos três mulheres, todas elas carismáticas, belas e bem sucedidas: Agnes (húngara, de Budapeste), Monika (checa, de Bratislava) e Maria (espanhola, de Vigo).


Tenho de começar por dizer que quase me apaixonei pela personagem principal masculina e que consegui formular dela uma imagem muito pessoal e pormenorizada. Quanto a mim, este livro é mesmo sobre José e poderia bem ter o seu nome no título, pois todas as histórias surgem dele, para ele ou por ele.
Vejo José como um homem inteligente, charmoso e puro, mas perdido num passado, presente e futuro que não agarrou como seus, mas que procura encontrar a todo o custo, integrando-se no que não pode mudar, acomodando-se para não causar desconforto e aventurando-se na busca de um sentido para a vida, de um sonho. É um personagem que cresce em poder, como o homem em maturidade, à medida que os anos vão passando e os capítulos do livro, simultaneamente, também.

Também gostei bastante das restantes personagens, as femininas, todas elas mulheres de sucesso e de garra, com horizontes mais definidos e sentidos mais apurados. Achei muito importante e gratificante para a história o serem de nacionalidades diferentes e terem experiências de vida também diferentes, o que enriqueceu bastante não só o enredo mas também os cenários e os diálogos, bem como a tal "história paralela" que nos é contada através das notas de rodapé.

Quanto ao uso de diversas notas de rodapé ao longo de todo o livro, característica tão peculiar nesta obra, quero primeiro referir que compreendo porque razão o autor o fez e dou bastante valor a todas as informações nelas contidas. Na verdade, estas notas incluem, para além das vulgares explicações de expressões usada na linguagem oral, um conjunto importantíssimo de informações sobre o nosso país (seus lugares, costumes, tradições...) e também biografias de músicos referenciados, conceitos filosóficos, resumos de filmes, episódios da História Mundial, explicações de siglas e conceitos, entre tantas outras.
Enquanto lia a obra, poucas foram as notas que consultei, porque na realidade não senti necessidade, mas senti-me apoiada sabendo que a elas poderia recorrer se não entendesse algo na história, tendo usando esta peculiaridade quase como se se tratasse de um motor de busca, recorrendo em s.o.s.

Relativamente à escrita de João Perre Viana tenho de dizer que é deliciosa.
O autor escreve de forma muito humana e quase audível, parecendo até que conhece o leitor e que adivinha os seus pensamentos, usando um vocabulário acessível, mas bastante diversificado e rico (sem ser erudito), equilibrando bem os momentos narrativos com os diálogos, descrevendo lugares e situações de forma leve, mas adjetivada, e brincando com as palavras.
Senti-o como um poeta que escreve em prosa, razão pela qual retirei do livro diversas frases-chave que poderão servir de inspiração de vida. Muitas das suas palavras têm música, que nos embala ou nos abana violentamente, conforme o sentido que lhes conseguimos dar.

Há ainda um pormenor que me encantou no final do livro: o autor deixou-nos a "playlist" de todos os temas que serviram de banda sonora do livro, num total de 39 temas de diferentes autores e géneros musicais.

2 comentários :

  1. Respostas
    1. Obrigada pelo comentário...
      Gostaria de uma opinião mais "elaborada" mas o adjetivo escolhido parece que diz tudo.
      Um abraço

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