terça-feira, 12 de maio de 2015

NOVOS TALENTOS #03 ANA COSTA

No momento em que a sua obra de estreia vai para a 2.ª edição, Ana Costa, autora de "Misantropia Esclarecida", sobre a qual já dei aqui a minha opinião pessoal, aceitou o desafio de responder às minhas perguntas para este espaço dos "Novos Talentos".

E foi com muita simpatia e humildade que o fez, confessando, inclusivamente, que achou algumas das questões bem desafiantes, o que mostra como é grande e luminosa a sua personalidade.

Aposto que vão gostar de conhecê-la um pouco melhor!
E, no final, aproveitem e passem pelo seu blog, do qual vão gostar e tornar-se seguidores.


1- Como e quando percebeu que habitava em si uma escritora?

Sempre tive uma paixão enorme pela literatura em geral. O “como” responde-se pela necessidade de conseguir expressar os meus sentimentos sem conversas vãs; esta foi a forma que encontrei de o fazer. Com uma folha de papel à frente, consigo diagnosticar-me com um pormenor que o mundo não me permite. Quando? Principalmente na faculdade, quando comecei a perder alguma da timidez (não totalmente extinta ainda, mas evitada ao máximo).


2- Quando começou a escrever poesia?

Por volta dos 12 anos.


3- Como surgiu a hipótese de publicar um livro?

Por um desejo de vida, e uma curiosidade de obter uma opinião totalmente imparcial quanto ao que faço. Degrau a degrau, num caminho que espero culmine na vida apenas e só da escrita.


4- Porque escolheu a “Livros de Ontem” para o fazer?

Estamos numa conjuntura em que a cultura e a Arte são considerados como algo supérfluo e distante das massas, um luxo pouco relevante num mundo apenas virado para a eficácia económica e o lucro de produção. Infelizmente, o mundo editorial foi apanhado nesse “vírus”. A Livros de Ontem surge como um oásis: surgiu-me revelando-se um grupo e um projecto jovens, frescos e arrojados.
Esta editora foge da arrogância dos grandes mercados e oferece uma oportunidade de valor a autores que se recusam a pagar balúrdios para que o seu talento veja a luz do dia, sempre com rigor na escolha dos originais que publicam e apostando no que se faz de diferente na literatura de língua portuguesa.


5- O que pensa sobre a importância do crowndpublishing?

É bastante mais intimista, pessoal e inovador. O participante que contribui sente-se como parte activa na produção do conteúdo, com o orgulho e responsabilidade que isso envolve. Torna-se menos um número nas vendas e mais um nome forte no sucesso da campanha.
Pode fazer a diferença entre a impossibilidade financeira para o alcance de um sonho e a obtenção do mesmo através da solidariedade, no interesse e no gosto pela Arte dos que acreditam no autor.


6- Sendo que “misantropia” significa “uma aversão ao ser humano ou à natureza humana”, porquê a escolha deste título para o seu livro de poesias?

Não tenho problema em assumir-me como misantropa e achei que o título para o meu primeiro livro não podia estar mais perto do (meu) ideal.
No entanto, há algo que tenho feito questão de esclarecer: ser misantropo não é ser anti-social, é apenas o reconhecimento de que, por muito que nos custe admitir, não vejo esforço por parte da nossa espécie para se transcender e corrigir as questões que nos assolam negativamente. Vemo-nos como algo além de qualquer crítica, o “ser perfeito”, e não acho que assim seja, aliás, estamos bem longe disso.
É um “esclarecimento” dessa ideia de aversão. Tento colocar luz sobre a ideia de que o ser humano pode ser uma força destruidora do macrossistema em que existe, ao mesmo tempo que demonstro que a tristeza ou o desespero podem ser uma componente importante na inspiração artística. Há uma vontade de abstracção total do pensamento e do que possa angustiar, também.


7- Porque optou por organizar os seus poemas em dois grupos e lhes deu os títulos “Optimismo” e “Pessimismo”?

Porque era necessário um fio condutor, algo que explicitasse a ideia de um caminho pessoal, uma evolução. Primeiro a ingenuidade, a infância, a alegria pura e a crença em tempos melhores (“Optimismo”) e depois a realidade, o cinismo, a luta com as armas que a vida nos dá, melhores ou piores (“Pessimismo”). Sei que se costuma pensar que é ao contrário, pelo menos achar que o melhor vem sempre depois consola, mas não me parece que assim seja nesta dimensão.


8- Pode dizer-se que os poemas inseridos em cada um destes grupos foram escritos em diferentes fases da sua vida profissional e/ou pessoal?

Sim, claramente. Nota-se uma evolução na escrita, de uns para os outros. Alguns são mais imaturos, outros mais incisivos e duros. Foi um trabalho de etapas e estados de espírito diferentes, cronologicamente separados.


9- Dedicou algum dos poemas deste livro a alguém especial? (Se sim, qual e a quem?)

Quero que quem ler se identifique, mas se afaste de um lado pessoal mais específico que eu possa ter incutido nos poemas. A poesia é intemporal, omnipresente e inominável. Trazer para aqui a minha experiência seria egoísta e mancharia algo que respeito demasiado para catalogar dessa forma.


10- Qual dos poemas de “Misantropia Eslarecida” é o seu preferido?

Não consigo escolher. É como pedirem-me que diga, de entre filhos, qual é o meu favorito. Não os tenho de carne, mas estes são-no, de letras.



Muito Obrigada, Ana Costa!!

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