domingo, 8 de fevereiro de 2015

"A RAPARIGA QUE BRILHA NO ESCURO"

Pensei muito antes de escrever esta mensagem. Demorei uma semana para perceber se a iria escrever ou não, se deveria, se conseguiria. É sempre muito mais agradável e prazeroso escrever sobre um livro que nos agradou, que nos levou a viver bons momentos. Pelo contrário, quando a leitura não foi tão boa assim, parece que o melhor é mesmo (quase) fingir que não existiu.
No entanto, este meu cantinho nunca serviu para escrever apenas coisas boas e cor de rosa, levando a crer que a minha vida, o meu caminho, é uma estrada de pétalas, que sempre acerto nos passos que dou, nem que sempre faço, digo e penso de forma certa, pelo que optei por escrever na mesma esta mensagem, ainda que não me seja tão agradável.

Refiro-me ao livro "A rapariga que brilha no escuro", de Joshilyn Jackson, que comecei a ler com muito entusiasmo porque a sua sinopse me cativou bastante:

"Laurel Gray Hawthorne tem tudo para ser feliz: um marido apaixonado, uma filha adorável e uma bela casa. Até que numa noite de Verão a sua vida perfeita desmorona-se e ela tem de enfrentar o passado que tão cuidadosamente escondeu de si e dos outros. Há treze anos que Laurel não via um fantasma. Mas a meio de uma quente noite de Agosto, ela acorda e vê o fantasma de uma rapariga junto á sua cama. Trata-se da adolescente Molly, a melhor amiga da sua filha. O fantasma conduz Laurel até ao seu pequeno corpo, a flutuar sem vida na piscina da família. Agora, com a polícia no jardim e os vizinhos a espreitar por cima da vedação, a vida cuidadosamente construída de Laurel abre fendas e o seu passado escoa-se por elas.
Molly não repousará qté que alguém descubra o que lhe aconteceu de verdade. A vizinhança acredita tratar-se de um trágico acidente, Mas Laurel sente que há algo mais. Com a ajuda da irmã, Thalia, Laurel decide investigar o que realmente aconteceu à jovem. 
Mas, para decifrar o mistério, ela precisa de desvendar os segredos que rodeiam a sua própria família e enfrentar o que aconteceu há muitos, muitos anos - num dia que ela havia conseguido esquecer até então…"


O enredo do livro aparece bem descrito na sinopse, por isso não me sinto "enganada" e até considero que, a partir deste pequeno resumo, poderia mesmo sair uma obra fantástica.
Admito mesmo que possa haver muita gente que o tenha adorado, pois o livro reúne diversos elementos numa só história: mistério, romance e drama. Mas eu não gostei especialmente.
Há partes do livro que achei mais interessantes e que acabaram por não me deixar desistir da leitura, que surgem ocasionalmente no meio de todo um enredo (quanto a mim) confuso e pouco conciso.

O que mais gostei no livro foi de ser surpreendida com a história de amor entre Laurel e David, o seu marido, ou não tivesse eu preferência por romances. É uma história simples, sem grande argumento, mas que se vai desenrolando discretamente por entre todo o enredo, nunca parecendo o que realmente é, mas surpreendendo pela positiva.

Não gostei da forma lânguida como foi utilizado o aparecimento de fantasmas. Laurel tinha a capacidade de os ver e foi essa capacidade que vez desenrolar todo o mistério do livro, quando uma amiga da sua filha aparece morta na sua piscina. Podendo ser o mote para puxar toda a história, acaba por não se concretizar muito para além de meras alusões e quase que pinguinhas de mistério. Não é uma boa história de fantasmas.

Também não gostei da forma como o mistério da morte de Molly se foi desvendando. Aparece descrito de uma forma muito confusa, no meio de várias suposições que, ora se confirmam, ora se refutam, sem grandes emoções, suspense ou investigações. Não é uma boa história de mistério e crime.

Gostei um pouco da forma como foram surgindo pormenores de um dia fatídico na vida de Laurel e da sua irmã Thalia, cuja relação não é a vulgar entre duas irmãs, mas que também acaba por se revelar muito intensa e com pormenores marcantes de amor fraterno.

Não gostei principalmente da forma de escrever desta autora, que acaba por condenar ingredientes de grande qualidade num pastelão insonso, que vai sendo uma desilusão à medida que o vamos experimentando, ainda que paremos aqui e ali para saborear uns pedaços que não ficaram moídos na mistura.
Fiquei sem vontade de ler outros livros dela, mas talvez lhe dê uma segunda oportunidade se descobrir uma boa opinião sobre outro dos seus livros, mas pararei a leitura logo no primeiro capítulo se voltar a ficar desiludida.

1 comentário :

  1. Li este livro há algum tempo atrás e a sensação com que fiquei foi pouco positiva também.
    Penso que tinha possibilidades que a autora não aproveitou!

    Bjinhos

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