quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A MINHA FAMÍLIA

Hoje apetece-me escrever sobre a minha família, a família onde nasci, que me transmitiu os valores mais sólidos e importantes, que me serviu de exemplo nas grandes primeiras experiências da vida, que me apoia e ajuda a estar erguida como pilares de uma construção nem sempre sólida.
"Estou um pouco nostálgica, mas feliz", escrevi hoje num SMS à minha mãe. É verdade, estou. Tenho os dois sentimentos em mim e, apesar de parecerem quase antónimos, habitam tão harmoniosamente que, na verdade, se completam.

A família em que nasci não é perfeita. Nenhuma é.
Tem defeitos, tem zangas e farras, tem gritos e gargalhadas, tem pessoas com feitios difíceis, tem relações mais e menos próximas, tem altos e baixos... É humana. É composta por pessoas com diferentes personalidades e algumas semelhanças aqui e ali, que na sua história fizeram caminhos únicos, com cores e texturas diferentes, mas que têm algo muito forte em comum: o AMOR que sentem umas pelas outras.
Sem ser um amor qualquer, sem querer saber se é a melhor forma de o fazer, todos amamos com muita intensidade, o que dá à vida, às palavras e aos momentos uma intensidade que muitas vezes não se entende mas que enchem o peito da gente.

A família em que nasci começou com um bebé que chegou cedo demais, gerado por dois jovens que, já nessa altura, se amavam loucamente apesar de todas as suas diferenças. Digo que começou com o bebé porque sei (ou sinto) que, com 16 e 18 anos, os meus pais precisaram mesmo de ter um motivo forte para acreditar que, tão novos, estava na altura de deixarem as suas casas e começarem um caminho novo. Já aqui se calculava que a força dos sentimentos e das ações iria ser uma máxima.
Acho que somos todos um pouco teimosos... ou persistentes... ou preserverantes... talvez as três coisas em momentos diferentes. Não somos de desistir, nem de baixar os braços. Às vezes sentimo-nos tentados a quebrar, a parar, fazemos disparates e deitamos quase tudo a perder, perdemos o norte... mas depois há sempre algum de nós que tira o outro lá do fundo e lhe dá mais uma razão para seguir, para continuar em frente ou mudar de direção.

Ainda há uns dias alguém muito próximo me disse que nós éramos todos assim: não sabemos parar antes de terminar. Somos sim. E se às vezes acho que deveríamos traçar mais limites, em muitas outras acho que isso nos torna tão únicos e preciosos, que temos é de contagiar mais gente a ser como nós. Cansamo-nos muito, esgotamo-nos mesmo, mas tiramos proveitos que só nós entendemos e que nos unem como poucos.

Neste Natal passámos por uma dessas etapas de preserverança (sim, porque teimosia tem uma conotação demasiado negativa para nós!).
Um de nós tinha um projeto (demasiado) ambicioso para realizar em dois dias e contava com os outros para alcançar o sucesso absoluto. O projetista desenhou todo o esquema a cumprir, organizou os recursos, fechou o negócio, combinou prazos e pôs o projeto em andamento. Contava com os outros e não perguntou se havia quem alinhasse. Sabia que iam aparecer 2 ou 3 ajudas. E apareceram. Sem convocatória, sem horários a cumprir, sem precisarem de outro incentivo que não o desejo do projetista ter sucesso. E não foram só dois nem três que se juntaram a ele, mas (quase) todos o que fazem parte da equipa (=família) que somos nós. E apesar dos medos, dos cansaços, das queixas e dos imprevistos, o projeto ganhou corpo, forma e cor e foi absolutamente cumprido. E todos ficámos de rastos, mas com o peito cheio dos sentimentos bons que só nascem quando as pessoas se amam assim desta forma intensa.

A família em que nasci começou com duas (quase) crianças e um bebé, mas cresceu como uma árvore sólida que abana violentamente em dias de tempestade, mas que não cai, que se mantém de pé. Uma árvore com um troco forte e de qualidade, de onde partem três pernadas de boa madeira, que viram nasceu novos ramos por estacas de outras boas árvores que a ela se juntaram... E continua a ser uma única árvore, cuja função é ajudar todas as folhas a manterem-se verdes o máximo de tempo possível, tornando a copa perene durante todo o ano.

Tenho um orgulho imenso de fazer parte desta família e a nostalgia que hoje sinto é alegre porque sei que a seiva que corre em todos nós é pura, rica e rara, que queima e embebeda, mas que não deixa o outono se intalar aqui.
Uma foto já com algum tempo, que temos de repetir.

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