sexta-feira, 24 de outubro de 2014

FILHOS DOENTES

Estou em casa com o meu Simão.
Começou na terça-feira com vómitos e diarreia. Depois de me ligar da escola aflito, pedi ao meu pai que o fosse buscar. Ficou em casa dos avós até o Hugo chegar. Com miminhos e dieta, ficou melhor. À tardinha ainda foi brincar para a rua...
Na quarta de manhã parecia bem e voltou à escola. Novo telefonema para mim às 10h e, na impossibilidade de deixar os 26 alunos em plena visita de estudo, pedi de novo ao "SOS avô Rui" para ir buscá-lo... mais vómitos e diarreia. Continuação da dieta e ataque com medicação de apoio.
Ontem já estava melhor... piorou de novo ao final da tarde. Vomitou... aliviou. Descarregou tudo o que tinha comido" e ficaram as cólicas.
E a noite de cólicas foi péssima... e continua com dores de barriga, que parece que vão diminuindo, mas não o largam... encolhe-se e precisa de miminhos... quis que ficasse com ele e não consigo não ficar.

Apesar de confiar nos avós, é sempre diferente. Pelo menos para mim, que fico a sentir-se ainda mais inútil quando não posso ser eu a ficar com eles. E foram difíceis os 3 dias em que não fui eu a "enfermeira" de serviço, pois fica um sentimento de inutilidade e impotência que, apesar de irracional, acompanha tudo o que fazemos e sentimos.
Hoje não desapareceu esse sentimento... Mas estou em casa para ele, para o que for preciso.
Já liguei ao médico... parece que por enquanto não há muito mais a fazer... "Paciência" é o que se pede mais nestas questões gastrointestinais. "Não comer sólidos ainda... ir dando líquidos para não desidratar...". Pelo menos já não vomita nem defeca desde ontem ao início da noite... E logo hoje é dia de greve na saúde!

E fico a pensar como é duro quando os nossos "mais-do-que-tudo" ficam doentes!
E como deve ser horrível o sentimento quando a doença é grave!
Não imagino a dor que se sente, a força que se precisa de ter, as imagens e sentimentos que se apoderam dos pais quando isso acontece...
Se com uma gastrite fico pálida, ansiosa e inquieta, sentindo que devia poder fazer mais qualquer coisa e não posso (ou não sei), sentindo que trocaria com ele sem pensar duas vezes se isso fosse possível e ele ficasse bom... Como se sentirá uma mãe perante doenças sem cura ou de difícil tratamento? Que força e garra conseguem elas encontrar no amor que sentem!!! Não há pessoas que mais admire...

E como se sentirá a minha mãe quando estou em fases de crise ou recaída, em que nada pode mesmo ser feito para além de esperar e deixar-me ficar no meu canto, sozinha, chorando sem razão, angustiada e precisando de forças que não encontro? Penso nela muitas vezes... E tento esconder para que não sofra... Mas não deve aliviar, tal como não me aliviou continuar a trabalhar quando sabia que o meu Simão estava a vomitar...
Dói... a mim no coração, a ele na barriga.
A ver se logo já estamos melhores...

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