quinta-feira, 4 de setembro de 2014

PEDIDO URGENTE: ESPERANÇA

Sempre que surge um novo caso mediático de cancro em crianças, representando as centenas de outros que desconhecemos mas sabemos existirem, há uma luz de esperança que une as pessoas, que faz brutar delas sentimentos bons e bonitos, valiosos... Há uma força de esperança que nos diz que vai acabar bem, que é possível combater o inimigo com armas coloridas, com palavras de conforto e força, com espetáculos e campanhas, com corridas, com mealheiros, com partilha de pequenos passos e sorrisos que nos garatem que é possível.
São crianças e merecem o mundo, este mundo e o que nele há de melhor, de único, de fantástico.
E essa esperança apaga-se quando a triste notícia vem e quebra-nos o sorriso.
Lutou, sorriu, contagiou, deixou um legado maravilhoso, mas acabou por não vencer totalmente e deixou-nos sem cor, novamente multiplicando-se este apagão por centenas de companheiros (para nós) desconhecidos.
E não posso estar colorida hoje. Não consigo. Talvez mais logo, quando tiver visto várias crianças saudáveis correndo e brincando, sorrindo...
Não é a primeira guerreira que sigo e que, cansada demais de lutar contra um papão horroroso e enorme, fica inevitavelmente sem forças e armas e ele vence... o bicho não as entende, não luta da mesma forma, é cruel e tem truques, rasteiras, armadilhas... é uma luta injusta e muitas batalhas vencidas nem sempre representaram a vitória.
Mas mesmo não sendo a primeira, preciso acreditar que foi a última. Preciso acreditar que mais luzes estão acesas e que continua a haver a hipótese de vencer, de fazer brilhar o sol para sempre na vida das crianças, que vale mesmo a pena acreditar.
A princesa cor de rosa deixou-nos o sorriso... outros deixaram-nos a alegria, o olhar, a ternura, a energia, o sonho, a magia, a irreverência, a garra... e temos mesmo de fazer ver que ficámos com tudo isto, para a dor da perda não ser tão grande e profunda.
E deixaram-nos estas maravilhas para que as valorizemos em todos os seus companheiros de idade, maiores e mais pequenos, que estão perto de nós, que partilham a mesma casa, a mesma rua, a mesma vila...
Vamos olhar cada criança e descobrir nelas todas estas qualidade para não perdermos a esperança.
Ilustração de Ana Fonseca Art

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