sábado, 7 de junho de 2014

MEDO

Passei demasiados anos com medo...
Medo de um dia ficar sozinha e mais nenhum homem sequer olhar para mim...
Medo de fazer alguma coisa menos certa com os meus filhos, que fizessem queixa e mos tirassem...
Medo de são ser a filha que os meus pais ambicionaram e os desiludir...
Medo de magoar os amigos e não conseguir manter amizades ou descobrir outras melhores...
Medo de não estar a dar o meu melhor na profissão e acabar por ser desrepeitada pelos pais e pelos alunos...
Medo de não conseguir assumir todas as responsabilidades aqui em casa e de algo me escapar ao ponto de ser repreendida...
Medo de falar e dizer frases atabalhoadas e sem sentido...
Medo de ter limites muito curtos, demasiados defeitos, necessidades ridículas, preferências incompreendidas, prioridades que só eu entendesse... medo de não agradar.

E com tantos medos, acabei por ser, muitas vezes, aquilo que achava que os outros queriam que eu fosse. Fiz o que todos esperavam, respondi da forma que achava que iria ser ouvida corretamente, agarrei-me às pessoas fazendo-lhes as vontades para que não me abandonassem, tentei ser quase perfeita 24 horas por dia, trabalhei mais do que agora me parece possível, respeitei o outro, mas não exigi que me respeitassem. Acabei por abrir espaço para que a minha felicidade dependesse dos outros: marido e filhos, família, colegas, amigos, alunos... a todos dei o poder de comandar a minha vida, os meus pensamentos, os meus sonhos... a todos dei o que quis, o que pensei que quisessem, o que podia e não podia...

Hoje chego à conclusão que foi o medo que não me deixou ser feliz mais cedo e que não podia continuar a permitir que a minha felicidade dependesse de alguém que não eu própria... acabei rebentando sufocada com tanto medo e fui perdendo muita gente na mesma... mas houve quem ficasse e houve quem aparecesse...
Hoje sou mais honesta comigo mesma e com os (poucos) que me rodeiam... não prendo ninguém a mim, nem peço para ficar... não baixo a cabeça só para os outros poderem levantar as suas, nem peço desculpa quando tenho razão... não me importo que me conheçam os defeitos ou os pontos fracos... assumo-os e sei que ninguém me conhecesse como eu própria... digo e faço (quase) o que quero, e posso defendê-lo mais tarde se estiver correta ou voltar atrás se estiver errada...

Não tenho mais medo de parecer pouco humilde quando digo que sou muito boa mãe e boa profissional... sei que sou. Faço por isso... Podem achar que não... mas eu acho que sim.
Não tenho mais medo que me vejam chorar e me achem fraca quando estou triste ou em baixo, nem me importo que digam que dou gargalhadas demasiado altas e faço palhaçadas quando estou feliz...
Não vou deixar que comandem a minha felicidade... vou apenas partilhá-la com quem acho que merece e lutar para que ela apareça o maior número de dias possível na minha vida. Quase sem medos!

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