quinta-feira, 8 de maio de 2014

AS RECAÍDAS SÃO UMA M _ _ _ _ !!!

Há quem considere a Depressão uma demonstração de fraqueza, de fragilidade...
Há quem não acredite nela como uma doença, mas como um estado de espírito e confunda estar deprimido com estar triste e aborrecido.
Há quem a desrespeite ou desvalorize, porque não se vê, porque tem sintomas, às vezes, parecidos com stress, tristeza, mau feitio, ou outros "sentimentos" que toda a gente tem em algumas fases ou dias da vida.

Talvez eu fizesse parte destes grupos de pessoas se não fosse uma doente de Depressão Crónica... não sei.
Mas sou... E confesso que a minha postura perante mim mesma mudou quando a psiquiatra que me segue há quase 5 anos mo disse... É um problema com que vivo (e viverei) diariamente e com o qual já sei lidar melhor do que alguma vez pensei ser possível... reconheço as crises, sei como prevê-las e, muitas vezes, como não as deixar instalar de forma muito profunda... Sei que não tem de haver uma razão, mas que há fatores que favorecem e afastam as recaídas e vou "jogando" com eles...
Mas, desta vez, não fui a tempo (ou esperteza) de evitar. E as recaídas são mesmo uma grande merda, pois conseguem levar-nos ao fundo e ser bem dolorosas.

Esta começou a mostrar sinais há mais de 3 semanas. Muitas insónias, pesadelos, angustia na hora de ir deixar, falta de vontade de ler e fazer as minhas rotinas normais. Após tanto tempo a dormir 3, 4 ou 5 horas por noite, na segunda e na terça andei completamente a arrastar-me. Muita ansiedade, vontade de chorar sem razão, irritabilidade, dores de cabeça, incapacidade de fazer tudo o que é normal e rotineiro...
Na terça ainda estive a estudar um pouco de matemática com o meu Simaão, mas tive de parar a meio e o pai continuar, que mal conseguia pensar e "tinha" de tratar dos ultimos pormenores de uns documentos da escola. E continuei a fechar os olhos aos sinais, a deixar-me dominar pela minha maior dificuldade na relação com este problema de saúde: respeitar os meus limites.

Ontem acordei uma lástima, sem forças no corpo, com o corpo todo a tremer, sem me aguentar de pé... a cabeça pesava uma tonelada e mal me punha de pé, quase caia. Nem consegui vestir-me sozinha e percebi logo que nao iria conseguir conduzir. Acabei por ficar sozinha em casa e dormi todo o dia. O Hugo chegou com os miudos e continuei deitada... acho que devo ter estado acordada, no total, só umas 4 horas.

Hoje de manhã pensei mesmo que estava melhor. Ainda me vesti e tentei ir levar o Hugo ao autocarro, mas comecei com um ataque de pânico e quase não conseguia respirar. Tomei medicamento SOS... e, depois de chorar compulsivamente, consegui ir começando a respirar normalmente, mas já só queria deitar-me de novo, ficar sozinha e no escuro... dormir e acordar alegre.
Estive uns momentos acordada com dores de cabeça e a maioria dos outros a dormir... Levantei-me apenas para comer alguma coisa quando senti fraqueza e para falar com a minha psiquiatra. Neste momento tento distrair-me um pouco, mas tenho medo de como vou estar amanhã. Talvez esteja melhor...

Mas sou feliz na mesma.
Sinto-me agora  triste e sonolenta, angustiada, com pouca capacidade de reação, mas não posso dizer que não sou feliz ou que esta doença é sinal de falta de felicidade. Não! Vivo com ela como viveria com outra, apesar de sentir-me altamente incapacitada cada vez que tenho recaídas, principalmente quando acho, como agora, que poderia ter agido a tempo... Mas o síndrome de supermulher também ainda não desapareceu totalmente e achei que estava a conseguir dar conta do recado. E tanta diferença vai fazer estar 3 dias de atestado sem receber!
Mereço é um par de lambadas!!!

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