segunda-feira, 7 de abril de 2014

CASAMENTO, SÍMBOLOS E SINAIS

Ontem, durante a minha caminhada solitária de uma hora e onze kms, metade da qual feita a assistir ao pôr-do-sol, dei comigo a pensar na importância do casamento e dos seus símbolos e sinais.
Percebi que sou hoje uma "esposa" bem diferente do que fui há anos atrás, apesar do marido ser o mesmo (ou talvez por isso mesmo)... já lá vão quase 13 anos.
Antes acreditava que a chama do amor se mantinha acesa quando o casal conseguia alguns momentos de romantismo a sós, quando se partilhavam elogios (se publicamente, melhor), se os símbolos do casamento fossem respeitados pelos dois e os objetivos fossem comuns.
Hoje, tenho uma visão mais realista do que é amar a mesma pessoa há mais de 17 anos e estar com ela (bem) casada há mais de uma década.
Apercebi-me disto quando deixei de dar importância ao anel que não tenho no dedo: a aliança. Aumentei-a quando fui mãe, perdi-a, comprei outra e voltei a perder... qual a mudança no que sinto e na relação que tenho com o homem que escolhi para partilhar a vida? Nenhuma. Não era aquele anel que nos prendia um ao outro, nem o papel assinado na igreja e no registo, mas o amor verdadeiro que sentimos um pelo outro. Ele também já não usa... não lhe serve.
Não me sinto menos casada nem mais livre desde que nos meus dedos apenas surgem (às vezes) aneis de enfeite, que escolho de acordo com a vontade e a roupa que tenho vestida.
Também percebi como era muito mais ciumenta e possessiva nos primeiros anos... e como toda a pressão que colocava em sermos um casal "perfeito" acabou por contribuir para algumas das crises que já passámos. (Sim, porque um casamento feliz, NÃO é um mar de rosas!)
Esperei durante anos que o meu marido me fizesse feliz e conseguir dar-lhe felicidade. Hoje sei que o amor não é isso: o amor é procurarmos a nossa felicidade e respeitar o caminho que leva o outro a ser feliz também. É darmos os nossos passos, ao nosso ritmo, caindo algumas vezes e levantando os braços de sucesso noutras, tendo aquela pessoa (tão especial) apoiando e sorrindo. É sentir alegria quando o outro se encontra e se realiza. É, por vezes, os caminhos da felicidade se cruzarem e neles permanecermos o tempo suficiente para aproveitar a situação. É esperar num dos cruzamentos entre caminhos, porque sabemos o outro lá vai passar também...
O amor não precisa de símbolos. Não precisa de velas acesas ou de mensagens partilhadas para todos verem. O amor alimenta-se de respeito, de amizade, de projetos, de vivências e convivências, de confiança, de crescimento, de tolerância, de esperas e avanços, de abraços apertados nuns dias e marmelada da boa noutros. O amor não precisa de festas e de serenatas, mas de colo num momento de choro, de olhares de incentivo, de espaço para os dois seres continuarem a ser dois, ainda que em aguns momentos pareçam só um. O amor é aceitar os defeitos (mesmo que nos irritem às vezes ou os tenhamos de ignorar noutras), saciar-se com as qualidades e viver em crescimento constante.
Eu não amo hoje o homem com quem casei. Amo o homem com quem estou casada. Por acaso, são o mesmo ser, com características já diferentes... E acho que ele pensa o mesmo.

P.S. No entanto, são bem-vindas as surpresas, os jantares românticos e as saídas a dois! UI UI!!!

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