sábado, 5 de abril de 2014

EM AVALIAÇÕES FINAIS

Quando chega ao final de um período letivo é sempre altura de deixar de estar com os alunos e "substitui-los" por (muitos) papéis. E confesso que não gosto desta etapa da educação: avaliação final.
No dia a dia em sala de aula, faço diversos registos avaliativos dos miúdos, sempre numa perspetiva de ajudá-los a progredir, de ver as melhores estratégias para os ajudar a aprender... corrijo com a turma os trabalhos que vão fazendo, tirando dúvidas e propondo novas atividades de consolidação, corrijo outros individualmente, dando-lhes tempo para voltar a fazer o que erraram e deixando notas do que há a fazer para melhora..., temos momentos mais formais em que avaliamos determinado conteúdo ou competência, fazemos trabalhos conjuntos, vão ao quadro, paramos tudo o que estamos a fazer para reforçar alguns exercícios ou resolvê-los em equipa, partilham as estratégias que encontraram para resolução dos problemas ou apresentam trabalhos que fizeram... a avaliação é diária e contínua.
Quando chego a esta fase em que agora me encontro (avaliações finais), já tenho na ideia o que cada um sabe e precisa melhorar e quais os pontos fortes/fracos de cada um (vantagem enorme da monodocência e do 1º ciclo). Mas isso não chega!
Agora terei dias intensos em que preencho tabelas, faço cálculos, analiso os dados recolhidos, escrevo relatórios, faço estatística, envio e recebo documentos... avalia-se tudo o que já foi sendo avaliado, nuns documentos que exigem horas de concentração, objetividade (ou não), atenção ao computador... ler, reler... procurar formas de escrever o que sei sobre cada aluno, salientando o que há de melhor e deixando (por escrito) as tais dicas que já fui dizendo. Registo para ficar, para partilhar, para arquivar, para entregar aos pais...
E às vezes é tão injusto ter de "catalogar" um aluno com uma "nota" de 1 a 5 (ou de fraco a muito bom) e deixá-la escrita numa pauta que todos vão poder ver! É que, pelo menos para mim, os miúdos não são números, mas sim aqueles textos imaginativos sobre seres mitológicos, aquela forma especial de brincar com os números, aquela leitura que passou de silabada a "gaguejada", mas que foi motivo de salva de palmas, aquele logotipo desenhado durante dias mas que demonstra amor pelo que se faz... o vocabulário, o cálculo ou o conhecimento do mundo que evoluiu apesar das brigas lá de casa e da barriga mal cheia, aquele abraço espontâneo no fim da aula, dado após semanas em conflito com todos...
A escola é muito mais do que a avaliação e não existe sem alunos.
E nestas duas semanas, em que o mundo inteiro apregoa que os professores são uns previlegiados por estarem de férias, deixamos de estar com o melhor que há na profissão e passamos a burocráticos que podem ficar dias sem "trabalhar" e noutros praticamente não fazer mais nada.

Sem comentários :

Enviar um comentário