quinta-feira, 30 de maio de 2013

ENSINAR COM AMOR

Não me acho uma professora perfeita, ou excelente como agora querem designar aqueles que têm avaliação superior a 9 (em 10), mas sei que há características da minha personalidade que fazem de mim uma profissional diferente de muitas.
Na maioria das vezes, quero acreditar que "assim é melhor", mas confesso que há dias em que não sei se não sou demasiado "mãe" e se não deveria deixar o coração mais resguardado, sob risco de ser mal interpretada ou de me envolver demais e não conseguir ser suficientemente objetiva.
Também não sei até que ponto a escola de hoje não precisa mesmo assumir um papel muito mais presente e não só de ensinar. Refiro-me principalmente à pública e de 1ºciclo, onde trabalho há quase 14 anos. É que a maioria das crianças que conheço passam na escola a maioria do tempo da sua semana, convivendo connosco mais horas do que com a família e acabando por, muitas vezes, deixar que sejamos mais do que um "stôr".

Questões à parte, que sou mesmo assim de refletir e ponderar a minha prática, a verdade é que sou eu mesma dentro da sala de aula e isso implica diretamente que o coração comunique também ao mesmo tempo que a razão. Sou emotiva, carinhosa e meiga na vida, por isso assim o sou na sala... Sou dedicada, sensível e justa, o que também não deixo à porta... Sou aventureira, divertida e simples, por isso gosto de ESTAR com os meus alunos e VIVENCIAR a escola.

Para mim, ensinar é um prazer, uma ação com amor...
Para mim, os alunos são filhos adotivos: gosto de todos eles de forma especial, ralho quando fazem disparates, desiludo-me quando agem de forma errada, cresço metros quando progridem, incentivo-os sempre a dar o melhor de si e a aprender a valorizar o que têm de melhor, exijo que deem de si e lutem por aquilo que acreditam...
E hoje, ao abrir o facebook, percebi que tudo isto faz sentido, mesmo que não seja o pedagogicamente mais correto, ao ouvir uma música que me dedicou uma das minhas "filhas adotivas", que este ano está comigo pela primeira vez:

  

Sim, acho que devo continuar a ensinar com amor!

terça-feira, 28 de maio de 2013

IDA À FEIRA DO LIVRO

No sábado foi dia de ir à Feira do Livro de Lisboa, saída que já se tornou uma rotina anual cá por casa..
Os meninos levam as suas carteiras com dinheirinho, que juntam para a ocasião. Nós também.

Desde há 10 anos que nos centramos todos principalmente nos stands que vendem livros infantis. Este ano já não foi bem assim, o que, confesso, me deixou com alguma nostalgia. (Os meus filhos estão a crescer! BUAHH!)
Apercebi-me que ambos já não procuram literatura infantil, apesar de continuarem a gostar das suas histórias, mas já só andam de roda das coleções juvenis, que vão conhecendo aos poucos, experimentando diversas e escolhendo as que preferem.
Claro que continuarei a comprar e ler livros para pequenos, porque também o faço na escola e porque a literatura infantil não escolhe idades (tal como os desenhos animados), mas também é bom perceber que os seus gostos vão amadurecendo e as suas preferências estão a ser definidas pessoalmente e de acordo com a personalidade de cada um.
Mas o melhor é mesmo ver/saber que ambos adoram ler e que andar de livro na mão (ou na mala...) é um hábito já dos dois, que ouvem leituras desde que nasceram (ou até antes!).


Bem, este ano a nossa (se calhar primeira) ida à feira foi marcada pelo encontro com personagens de ficção, pelas paragens para ler algumas páginas e pelo entusiasmo por ver (a vivo e a cores) escritores e ilustradores, procurando trazer alguns autógrafos.

A Matilde estava envergonhada quando viu o Alfa, mas depressa se interessou pelas figuras que passeavam pela feira. Apesar de saber que eram "pessoas mascaradas", foi sempre cumprimentá-las e tirou fotos com algumas:
 

Também gostou imenso de conhecer José Jorge Letria, que, não tendo mostrado grande comunicação com as crianças, foi cordial e deixou o seu cunho pessoal no livro "Histórias curiosas da nossa história".


O Simão começou 2 novas coleções, tendo trazido 3 livros de cada. Neste momento de uma já terminou os primeiros 2 volumes e está a experimentar a outra. Tenho-o visto andar de olhos pregados nas letras desde sábado e até levou o primeiro livro para o concerto do avô, tendo tirado os olhos dele apenas durante o tempo em que a música se fez ouvir. (As novidades são fantásticas!)


Neste conjunto de livro, trouxe um muito bom, mas que quer guardar para quando for mais crescido "Cinzas da Revolta", que fala sobre a guerra colonial e parece (a mim também) um pouco pesado para a sua idade. No entanto, será uma leitura de valor quando tiver mais uns aninhos e ganhou uma dedicatória especial do ilustrador, que o deixou encantado.


O meu "montinho" é pequenino, mas tenho comprado imensos livros dos últimos meses e não me consegui decidir por mais nenhum, para além de não poder entrar em grandes extravagâncias financeiras. A verdade é que já tenho a estante recheada de bons livros à espera da sua vez de serem lidos e posso garantir que as férias de verão serão muito bem aproveitadas a este nível. (Que bom!)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

SEM O MEU BRAÇO ESQUERDO...

Hoje fui levar o meu braço esquerdo a Lisboa.
Estava a funcionar muito mal há já algum tempo e eu sofrendo sentido a sua falta.
Hoje consegui ir à capital levá-lo ao hospital próprio para braços esquerdos...
Pensei que iria trazê-lo logo comigo, que lhe mudariam uma parte, colocariam tudo a funcionar e ele voltaria comigo.
Mas não!
O meu braço esquerdo tem o motor avariado e precisa de uma peça nova e ficou lá, sozinho...
Disseram-se que levaria entre 48 e 72 horas a fazer o diagnóstico e que me ligariam assim que soubessem. Aí sim, fiquei ainda mais preocupada. Como aguentar tanto tempo sem ele? Quanto me custaria o seu internamento?

Em menos de uma hora recebi uma chamada fantástica, dizendo que amanhã poderei ir buscá-lo.
Vai custar-me quase 200 euros este internamento de um dia, mas vou recuperar completamente o meu braço esquerdo.
E, para comemorar, acho que lhe vou oferecer o seu primeiro vestido.

Imagem retirada da Internet.

domingo, 26 de maio de 2013

UM DOS GRANDES TEMAS DA NOITE DE ONTEM

Não poderia ver esta filmagem sem a partilhar!
Foi um dos mais bonitos momentos da noite, dedicado a todos os portugueses que lutaram em terras do ultramar.
Confesso que fiquei de lágrima no olho!
E viva a liberdade!

PAPÁ EM CONCERTO

Ontem terminei o dia com o coração tão cheio que mal cabia no peito!

Fui assistir ao espetáculo que a banda acústica do meu pai ("A Preto e Branco") deu em homenagem à música portuguesa no Auditório Municipal do Pinhal Novo.
Ver o meu pai em palco, aplaudi-lo e apoiá-lo é sempre ótimo, mas desta vez teve um gostinho especial, pois sei como ele sonhava com um espetáculo assim: num espaço fechado e com boa acústica, com temas nos quais acredita desde sempre e com bons amigos (músicos) a acompanhar.

O espetáculo foi muito bom. A sala estava praticamente cheia, o ambiente era de tranquilidade e amizade, o concerto estava bem preparado (o visual do palco, a roupa dos músicos, a posição de cada um, a sequência de temas, as imagens projetadas por trás, as luzes, o som, a entrada dos amigos, o diálogo do vocalista Mané com o público...).
Nos primeiros temas notava-se algum nervosismo próprio de quem vê concretizado um sonho. Ao quarto tema, já a paixão pela música transbordava das cordas, dos ferrinhos e das vozes... mais tarde dos instrumentos de sopro.




Durante todo o tempo ouvi as cordas da viola-baixo do meu pai a acompanhar as músicas.
Sei que é um instrumento que passa despercebido a muita gente. A mim não! Habituei-me a ouvir e reconhecer o seu som com os ensaios caseiros que o meu pai sempre fez ou com a sua presença em palco. Reconheço que em muitos temas fica "disfarçada" com o duo que faz com a bateria a acompanhar as melodias. Quando o meu pai está a tocar, isso não acontece. Reconheço sempre as suas notas, ouço sempre as suas cordas.

O meu pai toca há tantos anos que não deve ter grandes recordações do tempo em que não tocava...
Nunca foi profissional (entenda-se como viver disso), apesar de ter carteira de músico.
Sempre foi muito bom, apesar da sua humildade e de quase "ter vergonha" do que sabe e consegue fazer com as suas amigas violas.
Esteve uns anos parado... achava-se velho e que já não tinha vida para o palco...
Foi recrutado por uns amigos e ganhou coragem para voltar!

Ontem pensei em como poderia ter tido outro rumo de vida se tivesse lutado por este seu sonho (e dom!). Foi ele que trouxe a família de Setúbal para Palmela, nos anos aureos do "Adágio", numa década da minha vida recheada de bons momentos e memórias, em que o Carnaval, a Passagem de Ano, os Santos Populares e tantas outras festas tinham um sabor especial para nós e marcaram pela positiva a forma como encaro estas épocas. Fui muito feliz dançando e olhando, ao mesmo tempo, o meu pai no palco.

Arrisco-me até a dizer que foi o sonho da música que juntou o meu pai e a minha mãe. Ele, miúdo franzino, tímido e recatado, tocava viola... Ela, miúda com corpo de mulher, vivaça e alegre, chegou a aprender com ele... o seu mano, baterista como poucos em Portugal, acompanhava os dois...
Nunca foi confissão que me chegasse, mas acho que a viola acabou por ajudar a dar brilho ao meu pai aos olhos da minha mãe (isso e uma paixão enorme que ele lhe tinha!) e a juntar os dois num amor poderoso que dura há 40 anos.

Ontem lembrei-me de estarmos um dia em casa, era eu miúda para uns 10 anos, e de recebermos a visita de um grupo conceituado da música portuguesa da época... vinham "buscar" o meu pai para tocar com eles. "O meu pai vai ser famoso!", lembro-me de pensar enquanto dava risinhos com os meus irmãos no quarto e aguardava o resultado da conversa. Queriam que ele fosse com eles, que visse a sua sala de ensaio, para decidir... Fascinou-se, mas não quis largar o emprego fixo que tinha já há anos na (então) conceituada "Portugal Telecom" (ou seria ainda CTT?). Aceitar a proposta seria assumir concertos e digressões, não podendo continuar no trabalho das 8h às 17h (que ele ultrapassava sempre...), num local de ordenado fixo, do qual a família vivia (já éramos 5 na altura).
Não foi... mas ontem lembrei-me que a sua vida poderia estar diferente se a sua resposta tivesse sido outra. Não sei se melhor ou pior, mas de certeza diferente.

Mas porque os sonhos só devem morrer connosco, ontem teve direito a viver um deles. E eu ainda estou de peito cheio de orgulho e felicidade pelo que vi, ouvi e senti... mas também pelo que sei que vai no peito dele e isso deixa-me enorme...
Amo o meu pai do fundo do coração e tenho com ele uma relação que, apesar de discreta e muito "nossa", não se compara a nenhuma outra... não é perfeita, não foi sempre assim, mas é verdadeira e atualmente vive de todas as coisas que foram o nosso passado e que serão o nosso futuro.

terça-feira, 21 de maio de 2013

CONDUZIR...

Quem me conhece há muitos anos (pelo menos 17...) sabe com que terror começou a minha vida de condutora. Ou melhor, como não começou.
Mal terminei de tirar a carta, e muito em resultado da péssima pedagogia usada pelo meu instrutor (não lhe avalio os conhecimentos!), ganhei fobia por conduzir. Apesar da paciência do meu marido (e antes namorado) para me ajudar a ganhar confiança, não conseguia ultrapassá-la e recordo sem saudades os tempos em que tremia só de me sentar no lugar do condutor ou como sentia que o carro me controlava sempre que fazia uma tentativa.
No entanto, a necessidade levou-me a combater o medo de frente, pois com duas crianças pequenas para levar e buscar, mais o caminho para o trabalho e a necessidade de mãe-galinha de estar com elas o maior tempo possível tornaram quase essencial que pegasse no volante com confiança.
Foi em 2005 que consegui (tinha a princesa 8 meses e o mano pouco mais de 2 anos) e o segredo foi comprar um boguinhas para mim, escolhido por mim, bem ao meu jeito... e com ele ganhei confiança aos poucos...

Hoje ainda conduzo o mesmo carro, mas já sem medos, por todo e para todo o lado.
Também pego noutro qualquer, apesar de preferir sempre o meu.
Considero-me uma boa condutora (sim, estou a dizer bem de mim!!!), apesar de já ter feito umas esfoladelas no meu Matiz. Costumo dizer que tenho uma "condução masculina" porque me identifico mais com os homens que vejo ao volante... sou arisca, apesar de cautelosa, aventureira, apesar de cumpridora, desenrascada e autónoma.
Mas há coisas no trânsito que me deixam louca. Detesto quando não fazem pisca (ou quando o fazem só depois de quase parar ou de já estar a virar), aborreço-me quando não respeitam as regras de circulação nas rotundas, gosto mais de conduzir de dia do que de noite e muito mais durante a semana do que ao fim de semana (os condutores que só tiram o carro da garagem nestes dias.... ai ai!!!).
Não me importo de ser ultrapassada, mas detesto que me façam pressão para andar mais depressa e que se metam "à bruta" através de uma escapatória e depois avancem em velocidade de caracol... Nunca deixo o carro mal estacionado e sei usar um truque para arranjar estacionamento perto de onde quero. Prefiro uma viagem mais comprida sem trânsito, do que poucos kms de pára-arranca, gosto de variar os percursos, adoro velocidade nas auto-estradas. Não gosto que o "pendura" dê opiniões como se eu fosse aprendiz (será trauma?!) ou que mostre insegurança quando vai a meu lado. Gosto de ouvir música alta, de cantar e de "dançar". Gosto de viajar com os meus filhos, mesmo quando os ouço dizer "Oh mãe, já estás perdida de novo!", mas detesto quando brigam lá atrás... (Já cheguei a parar o carro e dar um estalo a cada um!).

Enfim, eu e o meu amiguinho (pequeno, simples, humilde, mas meu) vamos juntos a todo o lado e só nos separaremos quando a idade não lhe permitir já pequenos arranjos e novas peças.
E costumo dizer que comprarei outro igual! (Ou muito parecido e com mais cilindrada, se me sair o euromilhões!).

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A BONDADE ENCHE O CORAÇÃO...

O meu filhote há pouco dizia-me assim:
- Mãe, isto sabe mesmo bem! Até me sinto cheio!

Estava "apenas" a referir-se ao que sentiu por ajudar um colega da turma, convidando-o para fazer um projeto a pares cá em casa.
Não foi um colega qualquer, mas um que ele sabia que não iria levar trabalho nenhum se não fizesse com alguém, pois era uma proposta para ser feita sozinho ou com um colega, mas com a ajuda dos pais.
E o colega, notoriamente diferente social e culturalmente da grande maioria dos outros, não estava em si de contente.
Estivemos a fazer o projeto até às 22h e neste momento está a secar, porque amanhã já o querem levar, apesar de poderem fazê-lo até quarta-feira.
Estavam os dois felizes e eu, ao levá-lo a casa de trabalho terminado e jantarinho na barriga, ganhei um abraço tão grande que me deixou emocionada...

E aquelas palavras do meu filhote no regresso a casa... o sentimento de que educar para o amor e a solidariedade traz felicidade...
E a ansiedade da espera pela segunda-feira para propor ao colega este trabalho, apesar de representar uma segunda-feira cansativa... que nem pareceu o mesmo sentimento que nos deixa tantas vezes "descompensados" porque ele "não sabe esperar"!

Afinal, sabe sim!
Como é bom sabê-lo de coração e alma cheia por ser uma pessoa de nobres sentimentos!

Trabalho de expressão plástica
ilustrativo da obra "Meu avô, rei de coisa pouca", de João Manueel Ribeiro

domingo, 19 de maio de 2013

NÓS E O DIA DOS MUSEUS

Saímos de casa à hora do almoço, a contar comer fora antes da visita ao primeiro museu. Não pretendíamos gastar muito dinheiro e encontrámos, por acaso e felizmente, um restaurantezinho muito simpático, simples e acessível, mesmo dentro de uma zona típica de Lisboa, perto do Museu da Marioneta: o restaurante "Rio Alva". Que refeição deliciosa!!!
Os meninos comeram bitoque, aproveitando a oportunidade das batatas fritas e ovo a cavalo que não comem cá em casa (lol), e nós regalámo-nos com 2 açordas de gambas, maravilhosa e caseiramente preparadas, que nos souberam otimamente. Regalei-me ao ver os meus dois filhotes a comer como gente crescida e a comportar-se com educação... Completei o prazer com aquela açorda, que há meses brilhava nos meus desejos. Ficámos bem e pagámos 30€ pelas 4 doses, as bebidas e o tradicional pãozinho e azeitonas. Gostei do ambiente de bairro e da simplicidade das pessoas. Fiquei consolada!
Um bem-haja para o "Rio Alva"!


Depois, a pé pelas ruas da capital, fomos até ao Museu da Marioneta, onde recebemos um envelope com enigmas, cujas respostas fomos encontrando durante a visita ao museu.
Os meninos liam os enigmas, procuravam as respostas, faziam os desafios, sempre connosco por perto e colaborando. Foi divertido!
Já conhecíamos o museu, mas vimos as novidades e voltámos a apreciar a linda coleção de marionetas lá expostas. Também visitámos a exposição temporária.
O Simão ficou "preso" na sua sala preferida: dos filmes de animação, onde podemos ver personagens, cenários e informações sobre alguns filmes deste género, apaixonando-nos e ficando com o "bichinho"... Ele já me dizia: "É melhor não ver mais, porque fico cada vez com mais vontade de um dia fazer isto!".
Realmente temos de ter a capacidade de apreciar esta arte e aquela sala mostra-nos como tudo é possível e tão trabalhoso, fruto de uma paixão.
A Matilde ficou aborrecida porque não conseguiu voltar a experimentar as "marionetas digitais", já que um casal de irmãos, de 3/4 anos, por lá permaneceu intemporalmente, não se incomodando minimamente os avós que os acompanhavam por verem outras crianças à espera de vez. (Acho uma falta de civismo enorme, mas quem sou eu para ensinar educação aos mais velhos, que acham que a minha geração é rasca?)


Quem se lembra?

Dali, seguimos para Belém com o intuito de ir ao Museu da Arqueologia, mas acabámos por visitar o Museu da Arte Popular, que foi uma surpresa em ambos os sentidos.
O museu está praticamente vazio de objetos expostos, mas muito rico em frescos nas paredes. Segundo parece, os objetos característicos e tradionais das nossas regiões do país (como os trajes) que lá estiveram expostos no altura do Antigo Regime, foram retirados por não caracterizarem verdadeiramente as gentes, mas terem sido criados numa época em que Salazar queria transmitir ao Mundo a ideia de que Portugal era um país de felicidade.

Através de uma visita guiada, observámos os frescos fabulosos que decoram as paredes de um museu despido de vida, que bem merecia ser recuperado, e aprendemos/relembrámos muitas curiosidades sobre o nosso país. Numa altura em que se recuperam alguns dos seus verdadeiros símbolos, reconhecer a vidas das pessoas antes do 25 de abril de 1974 foi um prazer.
Além disso, a fabulosa exposição temporária "A cidade e os rios", promovida pela Associação de Doentes com Lúpus, que conta com criações plásticas diversas, só patente até hoje, dia 18 de maio, deixou-nos encantados, principalmente com as esculturas de Maria José de Brito (que, curiosamente, foi professora da minha irmã na ESE de Setúbal), feitas de latão, a representar uma fadista e dois guitarristas... Os pormenores fantásticos, a expressividade das personagens e a vivacidade do conjunto encheram-nos por dentro. A Matilde até foi descobrir que a fadista tinha salto alto por debaixo do vestido!


Voltámos para casa muito mais ricos!!!
Que ótimo Dia dos Museus!

sábado, 18 de maio de 2013

SÁBADOS DE MANHÃ...

Gosto dos sábados de manhã...
Normalmente acordo com um dos meus rebentos a pedir mimos junto à minha cama. Deixo que se deite, abraço-me a ele e ficamos ali abraçados, trocando carinhos, porque é ainda demasiado cedo, mais cedo do que normalmente acordamos aos dias de semana.
E por isso mesmo, deixo ficar aquele que primeiro acordou e afago-lhe os cabelos, dou-lhe beijinhos e abraços, tranquilamente repartidos com palavras bonitas. Adormece. Eu, normalmente, não. Fico enroscada mais um pouco e depois levanto-me, deixando a criança com o pai, que também gosta daquele calorzinho matinal.
Vou ao wc, onde me demoro uns minutos e umas páginas do livro de cabeceira.
As gatas vão buscar-me (ou chamam-me, se estiverem fechadas na varanda) e vou dar-lhes de comer e de beber...
Depois, enrosco-me sozinha no sofá, tapadinha com uma manta, e vejo as minhas séries preferidas, daquelas de que só eu gosto cá em casa e que vou gravando durante as semanas. Umas vezes vejo uma, outras mais. Depende do tempo, se volto a adormecer ou não, da barriga a dar horas ou da outra criança acordar.
Mas aquele tempo, sozinha porque quero e porque preciso, seja quanto for, faz-me tão bem!
E, com ou sem dormida ou pequeno-almoço pelo meio, costuma terminar com o acordar do outro filho que, já sendo mais tarde, também vem em busca de mimos e de carinhos, de uma história ou de mais uns minutos de sono, nessa altura acompanhado.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"A MARIA DA LUA"

Conheci "A Maria da Lua" através de um dos blogues de literatura que sigo habitualmente, ou seja, foi o FLAMES que nos apresentou.
Conheci-a apenas por fora, mas gostei logo dela.
Talvez me tenha identificado um pouco com a sua imagem e com o que sobre ela disseram.
Participei num passatempo para a ganhar para mim, mas não consegui. Não havia de ser assim!
Houve um outro especial, só para participantes e também não foi dessa forma que a conheci.

Mas, um dia, chegou ao meu mail a hipótese de a conhecer através do seu autor, da pessoa que lhe deu vida e cor... não hesitei. Pedi-a com um carinho especial, esperando ansiosamente que não demorasse muito a vir ter connosco, pois queria descobri-la com os filhotes.
O seu criador respondeu-me de forma educada e muito simpática, o que me deu mais uma razão para querer conhecê-la. Uma pessoa que se revelava bonita assim só poderia ter criado uma menina linda, com sonhos doces e uma história de amor para contar.

Pedi 3 Marias... uma para os filhos, outra para as bibliotecas das nossas segundas casas: a minha escola e a deles. Depois, ficámos a aguardar que chegassem com a amável dedicatória do seu escritor, João Cunha Silva.

Na sexta-feira passada finalmente chegaram as tão desejadas meninas. Cheias de cor, com desenhos simples mas simpáticos, com linguagem doce e adequada a pequenos e grandes, trazendo uma história de amor para todas as idades... Já a lemos e gostámos. Já oferecemos as outras e ficámos com a esperança de levar a Maria ao coração de muitos outros meninos.




quarta-feira, 15 de maio de 2013

FILMES MEO DE FIM DE SEMANA

No passado fim de semana vimos em família dois filmes do videoclube Meo, usando os cartões Foram 2 filmes do fantástico, cheios de efeitos especiais e muita aventura.
O primeiro foi "Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo" e todos adorámos. Para adultos e crianças que se interessam por mitologia grega e por grandes aventuras recomendo vivamente, pois prende-nos do princípio ao fim e mostra-nos muitas das figuras mitológicas, bem como de alguns Deuses. É um filme para todas as idades e preencheu a nossa tarde de sábado.
Aqui fica uma pequena amostra: 

 

O segundo filme foi "As Crónicas de Nárnia e o Príncipe Caspian" e também foi muito bom.
Cheio de efeitos especiais e com bastante emoção, levou-nos a um mundo mágico onde acontecimentos imprevisíveis e improváveis se tornam possíveis.
Com cenas de dar pulos do sofá e de roer as unhas (eles, que eu não...), mantiveram-nos ligados a personagens encantadoras e cenários fantásticos. 

E aqui fica uma pequena amostra:

:

Gastámos um cartão, já que cada filme custou 2,50€. Ainda temos 3!
Que outras maravilhas cinematográficas nos esperam? Aceitamos propostas!!

terça-feira, 14 de maio de 2013

QUEBRAR A ROTINA COM UMA ANTE-ESTREIA

E estou a preparar-me para ir à ante-estreia do filme "A Sangue Frio", na companhia da minha mana. Os maridos ficam em casa com as crianças e nós vamos fugir por duas horas e tal. Para a próxima pode ser que lhes calhe a eles...LOL

Vai ser tão bom querer a rotina e sair à noite a uma terça-feira!!
Já está o jantarinho feito e quase tudo em ordem.
Obrigada, mana, por alinhares sempre nestas maluquices!
Obrigada MAGAZINE.HD por promover passatempos destes e ajudar-nos a manter o hábito de ir ao cinema!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

DIA DOS MUSEUS NO "MUSEU DA MARIONETA"

O Dia Internacional dos Museus costuma ser comemorado por nós em grande estilo.
No ano passado comemorámo-lo no Museu Militar, mas este ano iremos para o Museu da Marioneta, que é espetacular e que faz as delícias de miúdos e graúdos.
Aqui ficam as sugestões do museu para esse dia. 

 
18 de maio - ENIGMAS NO MUSEU - Jogo para famílias

E se à entrada do Museu recebessem um envelope cheio de enigmas por resolver?
Ao longo do percurso pelo Museu, os visitantes são convidados a solucionar um conjunto de enigmas que os ajudará a conhecer melhor algumas obras em exposição.

Público: Famílias com crianças a partir dos 6 anos | Horário: das 10h às 12h e das 14h às 17h | Gratuito | Necessária marcação prévia pelo email museudamarioneta@egeac.pt ou pelo telefone 21 3942810



18 de maio - À DESCOBERTA DAS MARIONETAS - Visita orientada
Através de uma viagem que começa no Oriente e passa por vários países e tradições associadas a esta arte, os participantes ficam a conhecer diferentes tipos de marionetas que refletem expressões culturais diversas.

Público: Maiores de 12 | Horário: 11h | Gratuito | Necessária marcação prévia pelo email museudamarioneta@egeac.pt ou pelo telefone 21 3942810



 


18 de maio, das 20h às 23h - NOITE DOS MUSEUS - Noite Mágica


Durante esta noite dedicada aos museus, as paredes do claustro vão ganhar vida!
Com as nossas mãos e o nosso corpo vamos criar formas mágicas e inventar histórias para elas!


Público-alvo: Público em geral (Entrada livre)





18 de maio, das 20h às 23h - A Sombra e a sua Cor - Atelier

Para completar esta noite mágica, desafiamos todos a criar uma marioneta de sombra e dar-lhe cor. No final, podem manipulá-la numa parede iluminada.


Público-alvo: Público em geral (Entrada livre)




19 de maio - MARIONETAS NO CLAUSTRO - Atelier
Com um rolo na mão entramos em acção e criamos a personagem que quisermos! Para isso só precisamos que tragas contigo boa disposição e muita imaginação!

Público: Todos | Horário: das 14h30 às 15h30 e das 16h as 17h | Nº máximo de participantes por grupo: 20 | Necessária marcação prévia pelo email museudamarioneta@egeac.pt ou pelo telefone 21 3942810

domingo, 12 de maio de 2013

A SÓS????

Mal consigo acreditar que estou sozinha em casa!
Que coisa rara!
Não nego que a maior parte das vezes evito que isto aconteça, porque não gosto de estar sozinha e porque normalmente já nem sei bem o que fazer quando o estou.
Mas está a saber-me tão bem! Até parece mentira...
A princesa foi a uma festa de aniversário. Pai e filho foram andar de biciclet. E eu fiquei. Sem motivo, por escolha própria, porque admito que preciso de silêncio de vez em quando.
Ultimamente passo o tempo a ouvir barulho, resumindo-se os períodos de silêncio aos 15 minutos de percurso para a escola...
Os miúdos falam alto demais. Os meus e os da escola. Acho que eles não falam, gritam! Usam um tom de voz que avaria a minha cabeça e estava a precisar de não ouvir nada nem ninguém para conseguir descansar um pouco. Raramente o admito, mas acho que tenho de arranjar momentos destes, sem crianças por perto, sejam elas quais forem. Sem música nem TV, sem livros nem tarefas... Apenas ouvindo o canto dos passarinhos dos vizinhos, porque o tempo está tão bom para estar de janela escancarada!

sábado, 11 de maio de 2013

CRÉDITO EM VIDEOCLUBE DA MEO

Ontem descobri no facebook uma aplicação da página da MEO que nos dará oportunidade de ver os mais recentes filmes do videoclube sem pagar: "Bar aberto de filmes".
É muito simples de conseguir um Meo Videoclub Card e ter oportunidade de usufruir de 5 euros para gastar no aluguer de filmes. Basta:
- Ser fã da página da Meo;
- Clicar na aplicação "Bar aberto de filmes" (link acima)
- Fazer o seu pedido e aguardar recebê-lo no mail.

Dos 5000 da promoção, ainda estão disponíveis (neste momento) cerca de 3900.
Depois de receber o Meo Card no mail, terá de:
- Ir ao videoclube da Meo e escolher o filme a ver;
- Ir a "Mais opções" e escolher "Comprar com MeoCard"
- Inserir o código de 11 algarismos que vos foi enviado para o mail.

Por cada fã e respetivo e-mail é possível pedir um MeoCard. Fizemo-lo cá em casa.
Assim, teremos gratuitamente direito a algumas sessões de cinema. E é aproveitar para ver os filmes mais atuais e caros! LOLOL

quinta-feira, 9 de maio de 2013

"MORE THAN WORDS"

Esta música ficará para sempre na minha memória como aquela que juntas cantávamos em duo: eu nas partes mais graves e a minha mana nas mais agudas.
Passámos muitas tarde ensaiando, de dossiê de letras de músicas na mão, ouvindo o original e adaptando-o às nossas vozes.

Hoje ouvi no carro e soube-me tão bem!!
Fez-me cantar com vontade e recordar com alegria aqueles tempos. Tempos de adolescência em que tinha a minha grande amiga sempre por perto, partilhando o quarto, guardando segredos, trocando confidências e desabafos. Tempos em que vestíamos as mesmas camisolas e tínhamos os mesmos amigos, em que passávamos a tarde a cantar, saíamos à noite para dançar e passávamos a madrugada a conversar. Tempos em que o futuro se mostrava com tanta luz.



Foram "mais do que palavras" trocadas entre nós nessa altura. São-no hoje também.
Entre nós há algo de especial que não existe entre eu ou tu e outra pessoa qualquer.
E era mesmo esta afinidade especial, recarregada pelo que diz um coração diretamente ao outro, aquecida pelo fervilhar do sangue quando algo se pasaa com a outra, renovada quando estamos juntas, que gostaria de ver nos meus filhotes quando forem adultos.
Porque isto só se consegue com amor de irmão e muita camaradagem de vida.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

OBRIGADA NIGELA LAWSON!

Há vários anos que conheço e dou imenso apreço ao estilo de Nigela Lawson cozinhar!
Senhora de grande charme, dona de umas verdadeiras mãos de fada da cozinha, mostra ser uma cozinheira que gosta de comer e do bom sabor das refeições.
Nos seus cozinhados não faltam condimentos, cheiros e sabores, tudo sem aquela coisa do gourmet que afasta quem é de boa boca: os seus pratos não são mini, nem apostam sobretudo no decor, não deixam de fora nenhum alimento da pirâmide alimentar e são bons para juntar muita gente à volta de uma mesa.
Há 2 dias que cá por casa se janta à moda desta senhora, graças aos programas que um canal televisivo transmite e que tem um fã por estes lados. O melhor é que não sou eu... mas o meu marido. E o que isso significa: motivação para ele cozinhar e eu provar! Não é ótimo?

Na verdade, desde que estive mais doente que o meu homem colabora na arte de servir refeições, mas começou com pouco entusiasmo e só em pratos mais simples. Numa honrosa tentativa de me livrar desta tarefa, da qual até gosto bastante, mas que se tornou mais uma rotina (e, logo, passou a cansar-me demais!), começou a aventurar-se num espaço da casa que era mais meu e, aos poucos, tem ganho maior confiança.
A minha amiga (a Bimby) tornou-se amiga dele também e as refeições começaram a ser preparadas por outro cozinheiro cá por casa, umas vezes mais frequente, outras intercaladamente...

Mas esta grande senhora da cozinha, que aparenta saúde e é dona de uma beleza invejável, coerentemente ligadas numa personalidade positiva, alegra e espontânea, tem estado mesmo a influenciar o meu homem, que nos serviu esta semana 2 jantares fantásticos, ontem de carne e hoje de peixe, que me fizeram "salivar" só de olhar para eles e que convenceram os miúdos a experimentar coisas novas.

E eu? E só posso agradecer à chef e motivá-lo a continuar a segui-la, pois adoro comer e as refeições têm outro sabor desta forma.
Obrigada Nigela Lawson!

terça-feira, 7 de maio de 2013

EXAME NACIONAL DE 4.ºANO

Há mais de 6 anos que não sentia este formigueiro na barriga e esta angústia ao deixar o meu Simão na escola.
Senti-o pela primeira vez no primeiro dia de aulas no pré-escolar, quando o deixei "sozinho" na sala da Célia, após quase 3 anos a ficar diariamente com a melhor ama do mundo, a avó materna!
Voltei a sentir hoje, quando o vi dirigir-se "sozinho" para o Bloco B da EB 2, 3 de Palmela, para fazer o exame de Português de 4.ºano.

Das duas vezes, o meu menino não parecia nervoso. Aparentemente tranquilo (e eu também, claro!) mostrava-se igual a ele próprio: curioso, aventureiro e alegre.
Das duas vezes, o meu menino passou a noite anterior na minha cama, enroscadinho a mim, para que tivesse o sono mais tranquilo possível.
Das duas vezes, esta mãe saiu da escola com vontade de chorar. Na primeira, chorei mesmo, fortemente, durante toda a viagem até ao emprego. Foi meia-hora de lágrimas, sentindo-me a pior mãe do mundo e com um medo imenso que ele estivesse a sofrer e a chamar por mim. Hoje, não chorei! (Controlei-me!) Mas o nó da garganta sufocou-me um pouco e foi agradável fazer a viagem de 15 minutos a ouvir música e de vidros abertos. Rezei e pedi que o meu menino se concentrasse, desse o melhor de si (para não se sentir mal depois) e que estivesse tranquilo e seguro.
Das duas vezes, confiei plenamente que ele iria safar-se bem e que esta seria mais uma experiência de vida que o iria marcar positivamente e que o faria crescer muito. Acho que foi assim que aconteceu!!!

No entanto, não é uma sensação (no momento) agradável esta de lhe dar espaço e de o levar à porta destas novas experiências. Mantenho o ar de tranquilidade, mas "sofro" por ele... apesar de o fazer de uma forma relativamente saudável.
Desta vez, ficou-me na ideia a confiança plena no que ele sabe e a certeza de que fiz bem em não fazer deste exame uma meta para a qual dirigimos os últimos meses. Não estudámos muito, continuámos a brincar, a sair, a rir e a aproveitar o tempo livre, sem aulas extras nem provas cá por casa.
Ficou-me ainda a resposta que me deu quando eu própria tentava entender porque não achava necessário estudar mais em casa para além do que já andava a estudar:
"-Nem todos os pais confiam nos filhos como tu confias em mim!"

E o primeiro já está. Na sexta-feira custará menos!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

WORLD BAKING DAY

No próximo dia 19 de maio de 2013, comemora-se o "World Baking Day", que pretende transformar esse domingo num dia mais doce.
Assim, quem participar nesta iniciativa deve confecionar um doce saboroso nesse dia e partilhá-los no seu blog.
Eu não fui convidada por ninguém em especial, mas quero muito aderir, por isso por cá estarei a mostrar o meu docinho especial. Ainda não sei bem o que vou fazer, mas desconfio que a malta cá de casa queira qualquer doce com chocolate.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

VÊ-LOS CRESCIDOS...

Tenho mesmo de estar mais atenta aos pequenos sabores, aos pequenos momentos e sinais, cujo tamanho e duração engana em proporção de importância.
Apesar do cansaço de hoje, de 4 horas e meia de sonos sempre interrompidos por um cio (da Isla, saiba-se!), consegui reparar ou, melhor, apreciar como estão crescidos os meus alunos, não (só) em tamanho, mas em autonomia, autoconfiança e responsabilidade.

A caminho da Biblioteca Municipal, depois de apenas 2 minutos gastos a fazer fila em pares (e deixando-os escolher livremente) e a cumprir um castigo há muito ameaçado, olhei e simplesmente vi-os caminhar sozinhos. Alinhados, já sem ir de mão dada, conhecendo o ritmo a seguir, locais onde parar e esperar que as outras turma se juntem a nós, correspondendo a sinais meus (sem ter de gritar), com confiança no objetivo a atingir a na forma como teriam de atuar. Coisa simples! Pode parecer... e seria, se acaso esta Marisa fosse general ou rígida... não sou... infelizmente, digo-o às vezes (apesar de cada vez menos).
Em segundos, passaram-se 3 anos na minha mente e a ideia do que tem estado por detrás do que eles já conseguem... do caminho que juntos traçámos, sempre escolhendo novas rotas e albergando novos caminheiros, ainda que os instrumentos se mantivessem e circulassem por todos.

Depois,  um sinal de silêncio porque o local assim o exige, esperar por mim enquanto pergunto se vamos para o auditório e seguir em frente, repetindo o gesto com o dedo verticalmente sobre a boca, sempre que um colega fala num tom mais "normal" de outro sítio. Já não precisam de mim para saber estar ali... que bom! Que sensação maravilhosa, decerto já sentida, mas não verdadeiramente valorizada por mim porque quando outros sentimentos ocupam o lugar da paz interior, não há espaço nem tempo para nestas coisas reparar.

E mais de uma hora a assistir a um espetáculo de declamação de poesia encenada, a apenas uma voz, numa interpretação fantástica mas difícil para os seus apenas 8 anos, novamente numa atitude maioritariamente madura e correta, atenta, responsável e de absorção. Não é fácil manter 20 miúdos agarrados a poemas e mais poemas, interpretados, cantados, sonorizados, encenados (...) por uma grande (mas anónima?) atriz, capaz de tirar gargalhadas de muitos e lá deixar crescimento. Bom ouvi-los rir, melhor ouvi-los dizer que gostaram quando outras turmas mais dotadas (a nível intelectual, acredite-se!) nem se mantiveram caladas porque nada entenderam, e/ou vice-versa.
Mais uma gratificação a ocupar o espaço que muitas vezes ocupa a preocupação, apenas porque estou mais disponível e mais limpa de sentimentos de poluição interior.

Um "Obrigada!" aos meus pequenos amigos, por me fazerem acreditar em mim. Têm-no feito e nem sempre o vejo ou valorizo. Talvez possa agora acreditar que isto é um espelho do que tem sido o meu acreditar neles.
Sempre acreditarei