sábado, 5 de outubro de 2013

APRENDER E/OU AS MÉDIAS DA UNIVERSIDADE

Ontem o mais velho chegou a casa com esta conversa:
- Mãe, já sei que não vou para a universidade com média de 20. A Educação Física vai estragar a média toda!

Eu rio... não à frente dele, que estava com cara de assunto sério, mas dá uma certa graça ele estar no 5.ºano preocupado com esta questão!
E nem somos pais de pressionar com a questão das notas! Não somos mesmo.
Mas o rapaz colocou a ele próprio a fasquia muito alta que pode ser difícil de manter no 2.ºciclo, como manteve no 1.º, e tudo "culpa" das disciplinas mais práticas...

Eu respondi (com calma, ponderação e a seriedade necessária) que não precisava preocupar-se com isso e que o importante era ele gostar de todas as áreas e tirar o melhor partido de cada uma, não querendo dizer, com isso, que tivesse de ser muito bom a todas...
Ele não é um rapaz de espírito atlético, mas é saudável, come bem e pratica desporto... teremos apenas de o pôr a mexer um pouco mais, a andar mais de bicicleta ou outras atividades de que tanto gosta, mas que, por acaso, nos últimos meses tem colocado um pouco à margem, dando lugar a experiências e bricolage.

O meu filho tem facilidade de aprendizagem, disso não há dúvidas. Mas não é dos que se agarram aos livros desenfreadamente ou que estuda para além do estritamente necessário. Compreende o que lhe ensinam, revê o que ficou com dúvidas e, depois de entender, passa ao próximo conhecimento. Tem sede de aprender e martelar sobre o mesmo assunto não é a sua paixão, mas a descoberta e o incógnito.
Em pequeno, a avó chamava-lhe Harry Porter...
Tem uma cultura geral acima da média e capacidades inteletuais que lhe permitem "ser bom a aprender"...
Mas a Ed. Física, a Música ou o Visual, implicam mais... implicam outro tipo de experiências e de vivências, de capacidades físicas que tem descoberto nos colegas, por exemplo, que praticam futebol e que nele têm sido menos estimuladas...
Mea culpa? Talvez... Mas desta vez não vou chicotear-me por isso... Ele nunca se mostrou feliz de outra forma e se agora for preciso mudar rotinas e ideais, cá estaremos para o fazer, desde que os preconceitos e os (des)valores não estejam na base dessas mudanças...
Nem todos podemos ter capacidades nas mesmas áreas e é natural que assim seja. Não me assusta esta questão e nem coloco pressões. Nem o pai...
Mas quero que o meu filhote continue interessado na escola e que, aconteça o que acontecer, continue com vontade de aprender e valorize as capacidades que tem, não querendo ser diferente. Claro que pode (e deve) empenhar-se mais... trabalhar muito... mas, acima de tudo, ser feliz e continuar a ser criança. E as crianças não se preocupam com a universidade...

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