quarta-feira, 18 de setembro de 2013

GATA VIRA TIGRE VIRA GATA

Imagem retirada da internet.

Saí de casa de cabeça perdida...
Com o coração de mãe ao pé da boca por causa de regras de escola que mudam sem os pais serem avisados, deixando a minha princesa sozinha ao portão, apetecia-me nem ir trabalhar...
Todos os sentimentos maus em mim estavam à flor da pele e detesto sentir-me assim. Tenho até medo...

Fiquei que nem um tigre selvagem, deixando o instinto maternal tomar conta de mim. Ganhei velocidade, fiquei com os sentidos mais apurados, preparei as garras para o que der e vier, fiquei mais ao ataque que à defesa, eriçando o pêlo e sentindo algo em mim a querer explodir.
A minha gatinha Matilde enroscou-se em mim e esperou a reação da progenitora que, à porta do local de confronto, andava de um lado para o outro... (Parece que estou a ver um de Bengala no zoo...)
Amansei um pouco com o olhar dela.
Dei umas unhadas assim que pude, rugi alto (apesar de sensato) para marcar território e deixei bem clara a minha opinião.
Amansei quando o portão abriu e lhe dei os beijos meigos do costume, o abraço apertadinho e ronronámos as duas um "amo-te" delicioso.

Voltou o tigre em força quanto conduzia para a escola.
Medo de chegar atrasada, olhar constante no relógio do carro, pouca paciência para a música do rádio e para os condutores da espécie tartaruga ou caracol, o pêlo ainda mais arrepiado do que de costume e uma (desgraçada) parte de sentimento de culpa, que ainda não consegui felinamente eliminar.
Nada de estacionamento. As nove horas a um minuto de chegar. Garras saídas da pele e bigodes espetadíssimos. 2 voltas ao quarteirão e um lugar muito longe da "jaula" onde 25 gatinhos, de ambas as espécies, me esperavam brincalhões.

À porta troquei as garras pelos "Bons dias" do costume e os bigodes baixaram com os sorrisos.
O pêlo, ainda de cores vivas e padrão tigresa, tornou-se mais macio quando os gatinhos se aproximaram, ronronaram, se enroscaram e me seguiram. O miado estava alto e as unhas voltaram a sair.

Mas, como que por magia, ao fim de um quarto de hora, já não parecia a mesma felina.
O meu pêlo era já mais siamês e até fiz umas gracinhas. Os 25 gatinhos estavam ali para mim e comigo e muito tínhamos para fazer. E tantos sorrisos doces, ronronadelas e miados de criança só podiam ter um efeito: trazer de volta a gata doméstica que há naturalmente em mim, despindo a outra pele que a mim se cola quando as crias precisam de proteção. As minhas ou os 25 gatinhos que me são diariamente confiados por gatos (ou tigres) mais ou menos selvagens e que ajudam tanto a dar cor aos meus dias.

Hoje não houve os mesmos saltos do costume, que ser tigre cansa muito, mas consegui voltar a ser aquela gata mansa, doce, meiga, brincalhona, divertida, amiga, simpática, companheira... que sou quando não me eriçam...
A sorte das boas "carninhas" (incluindo a minha própria) é que o tigre aparece poucas vezes...

Imagem retirada da internet

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