terça-feira, 24 de setembro de 2013

CONCURSO PÚBLICO DE DOCENTES

Tenho consciência que se houver algum colega professor a ler este post, a polémica ficará lançada e, muito provavelmente, serei excomungada em praça pública, mas todas as vezes que há concurso de colocação de docentes do ensino público a minha ideia sai reforçada.
Estes concursos são uma treta e, querendo jogar justo ordenando todos nós segundo critérios iguais para todos, acabam por aparecer sempre um rol enorme de injustiças que só contribuem para virar os professores uns contra os outros.
Até aqui parece-me que a opinião da classe será unânime.
Contudo, quanto a mim, está na hora de dar maior autonomia as agrupamentos de escolas para contratarem professores para que, a exemplo do que acontece no ensino privado (e em ofertas de escola, só acessíveis a contratados), possa ser dada maior importância ao valor de cada um de nós, à especificidade de perfil educativo tão fielmente associada a cada personalidade e às capacidades para lidar com os diferentes contextos educativos. Nada disto acontece... Somos ordenados numas listas enormes e tratados como números, começando logo mal o sistema, que é feito de pessoas e não de quantidades.
Sei que uma das contrapartidas seria, infelizmente, o famoso fator "C"... mas tantas outras vantagens teríamos!
Somos pessoas, seres humanos, e temos a nossa personalidade, as nossas características enquanto profissionais e os métodos que dominamos, os quais, não posso admitir que digam o contrário, se adequam a determinados contextos e a outros não... porque os contextos também não são papéis em cima de uma secretária ou objetos para organizar, mas crianças, adolescentes ou jovens que formam grupos diferentes, influenciados por todos os factores que fazem parte da sua vida (familiar, ciltural, social, económica,...) e que fazem grandes diferenças de uma escola para outra, às vezes na mesma vila e mesmo de turma para turma.
Um diretor com competência de gestão e pedagógica (juntas e indissociáveis) e que se aproximasse do que é feito em cada uma das escolas do seu agrupamento, poderia mais facilmente perceber e justificar quais, de entre os candidatos aos lugares disponíveis, estavam mais habilitados a tais funções, mediante as qualificações pessoais e profissionais de cada um e não apenas porque dá aulas há x anos e/ou terminou a formação inicial com x nota e/ou nasceu há mais ou menos anos. (Sim, que estes são os critérios de ordenação das famosas listas!!!)
Neste momento, encontro-me numa fase profissional estável, afeta a um agrupamento que, por enquanto, precisa de mim, e dou o meu melhor em cada dia para bem dos miúdos, da comunidade e do agrupamento. Não estou perto nem longe, mas estou bem porque gosto do sítio onde estou... Não me queixo. Provavalemente com as colocações feitas doutra forma tentaria ser contratada pelo mesmo agrupamento...
No entanto, conheço imenso casos de atrito entre docentes porque surgem colocações injustas, muitas vezes por dias de diferença na autorização de uma vaga pelo ministério e não vejo ser dada qualquer importância ao real empenho de quem ama o que faz e dá o melhor de si...
E não posso ficar indiferente a este sistema que não funciona e que, de ministro para ministro, só piora!

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