domingo, 18 de agosto de 2013

A CULPA...

A culpa é um sentimento que corrói, que nos magoa e destrói, que esgota as nossas forças.
A culpa afasta-nos da felicidade e encaminha-nos para um desfecho de solidão e dor, de autodestruição.
A culpa invade os corações puros, ingénuos, de quem se importa mais com os outros do que consigo próprio, ao ponto de se esconder atrás do pano e tecer enredos de suposições e interpretações que o colocam no cume do inferno, na génese da infelicidade dos que estão à sua volta.

Durante anos, esta culpa de que falo invadiu a minha alma e colocou pedras no meu caminho interior, na aceitação do que sou e de que mereço ser assim.
Não que tivesse feito algo de mal, não é dessa culpa verdadeira que falo pois essa, assumindo-se, alivia e liberta... oh, como liberta!
 Mas, talvez egocentricamente falando, achava-me culpada de todas as coisas que dizia e fazia e não causavam palmas ou felicidade por parte dos outros. Importada em fazer feliz quem amo, em ajudar, em dar de mim, em criar sentimentos bons nos outros, culpabilizava-me por não ficar quieta, por ter dito o que sentia, por sentir até... culpabilizava-me porque alguém estava triste, por não saber o que dizer ou dizer o que sabia, por não poder fazer nada ou por ter feito algo, por não ter tempo para tudo e todos, como se eu fosse responsável pelas vidas à minha volta.

Durante muito tempo esta culpa destruiu, lenta e demoradamente, o amor-próprio que em outras fases tive e que hoje vou recupererando, embora com mais difilculdade.

Sempre tive o desejo de ser super-mulher e afastar-me de o realizar era motivo de culpa, como se a heroina existisse de facto e fosse o exemplo de felicidade... super-mulher-mãe-amiga-pessoa-colega-filha-professora... mais as faces, mais as super, mais a culpa e a insegurança... E, tão mau como tentar ser super é, por vezes, conseguir e ver as invejas e as críticas que surgem ainda mais afincadamente do que quando falhamos de verdade e somos simplesmente humanos...

Hoje continuo sonhadora e com muitos desejos, algo natural em mim, mas menos culpada.
Aceito o que está, na verdade, nas minhas mãos com a responsabilidade, a humildade, a autenticidade, a generosidade e a organização que sempre foram características inatas em mim, mas não quero mais "salvar a pátria" nem agradar a toda a gente, porque, finalmente, entendi que não posso, não devo, não quero.
Os meus filhos merecem que seja apenas culpada das coisas que, como toda a gente, faço mal e que assuma apenas estas, como sempre o fiz... Merecem ver que a mãe não deixa que a pisem, que a magoem, que se aproveitem do melhor que tem, que a usem quando concorda e a abandonem quando está contra porque defende o que é seu e o que acredita, que luta apenas seletivamente... Eles merecem e eu também mereço.

Pintem-me como quiserem, mas o que sou não deixarei de ser... apenas me sinto menos culpada do que realmente não tenho culpa. E hoje assumo também os louros do que faço bem... e uso o coração enorme que tenho para dar amor a mim mesma e não só aos outros, porque, sozinha comigo própria, também preciso estar feliz, também preciso sentir amor... e o amor verdadeiro é aquele que aceita, que perdoa, que compreende, que não magoa, mas que salva. E amar assim é um dom... e eu descobri que não posso apenas usá-los nos outros...

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