sábado, 20 de julho de 2013

AMIGAS ANDORINHAS

Este é o terceiro ano que nos visitam e só no primeiro é que construíram o ninho.

No início fez-nos alguma confusão que andassem a usar o aplique (candeeiro) da varanda, por cima das portadas da sala, para prepararem a chegada das crias e, com receio, o homem cá de casa derrubou a construção inacabada, que andava a ser feita com todo o cuidadinho pelos progenitores.
Mudaram de aplique, recomeçando pacientemente por cima da janela da cozinha e esta persistência deixou-me rendida... o amor e obrigação de pais parece mesmo capaz de mover montanhas ou, neste caso, confrontar dois gigantes desta espécie animal tão "superior"!
O ninho ficou maravilhoso e a primeira família ficou por aqui até ao outono, para grande entretenimento das felinas da casa, que, sendo o seu lar também na varanda, passavam minutos a (inutilmente) tentar apanhar as andorinhas durante os seus voos e horas paradas a admirar a vida familiar das aves, atentas a tudo o que lá ocorria.
Nesse ano, não houve mais interação e ponderámos a limpeza do local após a partida no outono. Mas não o fizemos. Já nem sei bem porquê, mas até evitávamos o ninho quando limpávamos a varanda mais a fundo e a verdade é que, surpreendentemente (pelo menos para quem, como eu, nada percebe de andorinhas) elas voltaram em março do ano seguinte.
Não sei se eram as mesmas, se outras. O meu instinto diz-me que uma das aves-filha ganhou este cantinho de herança e voltou para cá com a sua nova família. No entanto, a relação connosco já foi mais pacífica e mesmo as gatinhas receberam-nas de outra forma. Por cá ficaram e nem demos pelos hóspedes... Estudámos os prós e contras de ter ninhos na varanda e descobrimos que é muito positivo!



Este ano, as coisas foram já diferentes.
Ficámos ansiosos quando começámos a ver andorinhas nas redondezas e muito contentes quando vimos um casalinho a fazer ajustes no ninho. Reconstruíram algumas partes, trouxeram pequenas folhinhas para dentro do ninho e iniciaram o ciclo. Adotámo-las como "animais de estimação selvagens", nome dado pelo Simão, que tem relação próxima com todos os animais.
Enquanto não houve ovos, circulavam à vontade e nem nos evitavam. Depois, apenas uma ia e vinha e ficámos pacientemente a aguardar que bocadinhos de ovos aparecessem no chão.
Um dia, ouvimos piar e fomos ver... A mãe começou a andar atarefada e a evitar passar na varanda quando nos via por lá, fazendo grandes travagens e mudanças de direção no ar, em pleno e veloz voo, para não encarar connosco.
Mais tarde, a medo, as crias foram espreitando e familiarizaram-se com a nossa voz. Chamávamos por elas, espreitavam. Difícil era apanhá-las em fotos! (Talvez se achassem pouco fotogénicas!)
Aos poucos, pai e mãe perceberam que não fazíamos mal às crias e já andavam cá e lá, piando e trazendo alimento, mesmo connosco na varanda. As crias de cabeça de fora e eles meigamente dando-lhes de comer ao bico.
Os miúdos iram algumas vezes à varanda só para apreciar os rituais e rotinas, pelo que vimos algumas das primeiras tentativas de voo por parte das crias, com seus pais ajudando e mantendo-se por perto. E como ficavam felizes por cada avanço dos bebés, por cada fase das suas vidas, pelas etapas que foram acompanhando! (Os meus filhos, entenda-se!)

Já não dispensamos estas companhias. Até eu, que nunca fui de gostar de aves e nem me passa pela cabeça ter uma gaiola com aves de estimação (ao contrário de todos os mini bichos que por cá passaram e passarão!), gosto de beber o meu cafezinho na rua acompanhado do seu chilrear! São lindas e livres. São autónomas e com valores familiares. São uma companhia que fica porque quer e não porque precisa, que nos respeita e que respeitamos, que temos aprendido a conhecer, respeitar e valorizar e com a qual já contamos anualmente.
É verdade que, durante uns meses, o chão da varanda passa a ter de ser lavado todos os dias por baixo do ninho, pois desde restos de lama a dejetos de andorinhas bebés tudo compõe um montinho de alguns centímetros quadrados, mas isto também só acontece enquanto as crias não aprendem a voar e toda a ligação que se cria com esta família traz uma experiência sensorial e emocional única a nós os quatro. (E até às gatas!)
E os miúdos gostam e vibram. E os miúdos riem e descobrem.
E os mosquitos diminuem tanto!!!

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