sexta-feira, 3 de maio de 2013

VÊ-LOS CRESCIDOS...

Tenho mesmo de estar mais atenta aos pequenos sabores, aos pequenos momentos e sinais, cujo tamanho e duração engana em proporção de importância.
Apesar do cansaço de hoje, de 4 horas e meia de sonos sempre interrompidos por um cio (da Isla, saiba-se!), consegui reparar ou, melhor, apreciar como estão crescidos os meus alunos, não (só) em tamanho, mas em autonomia, autoconfiança e responsabilidade.

A caminho da Biblioteca Municipal, depois de apenas 2 minutos gastos a fazer fila em pares (e deixando-os escolher livremente) e a cumprir um castigo há muito ameaçado, olhei e simplesmente vi-os caminhar sozinhos. Alinhados, já sem ir de mão dada, conhecendo o ritmo a seguir, locais onde parar e esperar que as outras turma se juntem a nós, correspondendo a sinais meus (sem ter de gritar), com confiança no objetivo a atingir a na forma como teriam de atuar. Coisa simples! Pode parecer... e seria, se acaso esta Marisa fosse general ou rígida... não sou... infelizmente, digo-o às vezes (apesar de cada vez menos).
Em segundos, passaram-se 3 anos na minha mente e a ideia do que tem estado por detrás do que eles já conseguem... do caminho que juntos traçámos, sempre escolhendo novas rotas e albergando novos caminheiros, ainda que os instrumentos se mantivessem e circulassem por todos.

Depois,  um sinal de silêncio porque o local assim o exige, esperar por mim enquanto pergunto se vamos para o auditório e seguir em frente, repetindo o gesto com o dedo verticalmente sobre a boca, sempre que um colega fala num tom mais "normal" de outro sítio. Já não precisam de mim para saber estar ali... que bom! Que sensação maravilhosa, decerto já sentida, mas não verdadeiramente valorizada por mim porque quando outros sentimentos ocupam o lugar da paz interior, não há espaço nem tempo para nestas coisas reparar.

E mais de uma hora a assistir a um espetáculo de declamação de poesia encenada, a apenas uma voz, numa interpretação fantástica mas difícil para os seus apenas 8 anos, novamente numa atitude maioritariamente madura e correta, atenta, responsável e de absorção. Não é fácil manter 20 miúdos agarrados a poemas e mais poemas, interpretados, cantados, sonorizados, encenados (...) por uma grande (mas anónima?) atriz, capaz de tirar gargalhadas de muitos e lá deixar crescimento. Bom ouvi-los rir, melhor ouvi-los dizer que gostaram quando outras turmas mais dotadas (a nível intelectual, acredite-se!) nem se mantiveram caladas porque nada entenderam, e/ou vice-versa.
Mais uma gratificação a ocupar o espaço que muitas vezes ocupa a preocupação, apenas porque estou mais disponível e mais limpa de sentimentos de poluição interior.

Um "Obrigada!" aos meus pequenos amigos, por me fazerem acreditar em mim. Têm-no feito e nem sempre o vejo ou valorizo. Talvez possa agora acreditar que isto é um espelho do que tem sido o meu acreditar neles.
Sempre acreditarei


3 comentários :

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