segunda-feira, 22 de abril de 2013

SOLIDARIEDADE

A vida está difícil, mesmo!
Vejo o desânimo em muitas caras, a falta de esperança nas ações e nas palavras daqui e dali.
Parece que não apetece, que nada se consegue nem nenhum luz se vislumbra no futuro.
Queiramos ou não, estejamos ou não a sofrer muito ou pouco com a crise que se sente em Portugal, a verdade é que nos deixamos muitas vezes contagiar pelas notícias de desemprego, de doenças, de cortes... Mesmo que estejamos a conseguir manter algum equilíbro, ainda que mesmo em jeito de equilibrista, parece que não há lado para onde se olhe que não tenha desgraça e pessoas a precisar de ajuda.

Apaixonada como sou pela net, nunca tinha visto tanta gente a vender artigos em segunda-mão para tentar minimizar os cortes económicos ou uma situação de desemprego ou emprego precário, para conseguir pagar as contas, para que não falte o que é essencial à sua família. Surgiram bons negócios para quem precisa comprar, descobriram-se imensos artesãos, espalha-se palavra quando alguém tem um cantinho onde tenta fazer uns "trocos" para sobreviver numa fase tão difícil assim.

Mas o que mais me assusta no meio de tantas reduções e diminuição de regalias é a força com que atacam as doenças, que não escolhem idades nem meios sociais, que aparecem sempre quando menos se espera, que atacam sem dó nem piedade e que agravam a situação de quem as vive, deixando, muitas vezes, famílias inteiras em sofrimento e em busca de novas soluções. Fico aflita e assustada, com medo do que me pode bater à porta e de não ter força para o aguentar. Fico em pânico se relaciono a palavra doença com a palavras filhos e nem quero imaginar-me a passar por momentos como a mãe do Rodrigo, do Rúben e de tantas outras crianças que sofrem, em casa ou nos hospitais, porque alguma malvada doença as atacou e as impede de brincar livremente e de crescer como os coleguinhas da sua idade. Não consigo imaginar tamanha dor... não consigo imaginar a tristeza dos pais... não consigo convencer-me totalmente de que é assim e que pode acontecer sem mais nem menos... e não consigo ficar parada, indiferente, de fora.

Por isso, agradeço aos Céus que, mesmo em fases difíceis da vida (ou muitas vezes por isso mesmo), as pessoas continuem a mostrar-se solidárias umas com as outras, a apoiar quem precisa, mesmo que não se conheça, só porque se quer ajudar, se quer dar um bocadinho de nós.

Eu sou por natureza uma pessoa solidária e no sábado, ao entrar na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha, ao ver a forma como as pessoas se deixaram contagiar pela iniciativa de outras como nós, ao participar num ambiente de solidariedade pura e desinteressada, senti o meu coração aquecer muito e o acreditar trouxe uma lágrima ao meu coração.
Muitos e muitos passaram, como nós os 4 cá de casa, pelo "Todos por um" para ajudar o Rodrigo... muita gente ofereceu frutos do seu trabalho para esta causa maior, muitos se disponibilizaram para ajudar as grandes bloggers nesta iniciativa... havia tanto por onde escolher e tudo dado com amor. Grandes marcas e personalidades, pequenas artesãs, particulares que foram oferecendo o que podiam e sabiam fazer.. Com amor ao Rodrigo, com amor à vida, em solidariedade com esta criança e esta mãe, juntando migalhas de todos os lados... aí, eu senti a tal luz que acho que nos falta no dia a dia. Uma luz de amor e vida, de esperança e união.
Nós não estivemos por lá muito tempo, mas viemos mais cheios de tudo o que é bom, sem termos feito assim nada de verdadeiramente extraordinário. Comprámos um livro para o Simão, que adorará ser por ser do MJ, uma blusinha de verão para a Matilde, uns mimos artesanais... Ouvimos a tuna e contribuímos... Quis dar sangue, mas não pude por ter um problema sanguíneo congénito, e essa foi a minha grande frustração, pois queria ajudar mais e melhor. Circulámos e vimos sorrisos. Escrevemos no mural umas palavrinhas de incentivo. Saímos de lá mais ricos em tudo o que esta vida tem de bom e com a tal luz a abrir-nos caminho.

E perante os novos casos que diariamente me caem em mãos, bastando abrir o computador, só posso continuar a ajudar os outros casos dando o meu humilde contributo, abrindo os braços e deixando palavras doces, agradecendo por não ser eu a precisar de pedir ajuda, não que fosse orgulhosa ao ponto de não o conseguir fazer, mas porque, felizmente, a minha vida é linda e maravilhosa quando comparada com tantas outras... e só posso agradecer e seguir sempre em frente, a ganhar luz duns lados e a espalhá-la por outros.

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