quinta-feira, 4 de abril de 2013

A PÁSCOA

Não apenas por questões económicas, mas porque este ano tenho refletido bastante acerca do materialismo e consumismo que tem envolvido as épocas festivas, esquecendo-se muitas vezes o porquê da comemoração e quais os valores (humanos, religiosos e/ou culturais) que estão por detrás da mesma.

Na Páscoa, não coloquei a reflexão de lado...
Encontro-me afastada das tradições religiosas, apesar de ser cristã e ter um grande amor e admiração por Jesus. Não consigo identificar-me com muitos dos atuais rituais cumpridos a dia e horas marcadas e não me sinto enquadrada num cenário em que se encontram também (muitas) pessoas que, assumindo-se os verdadeiros praticantes, pouco aplicam nas suas vidas quotidianas das verdadeiras lições de paz, solidariedade, perdão e amor pelo próximo.
Para mim, o próximo é o vizinho de cima ou de baixo, os colegas de ontem e de hoje, as crianças, os animais, os amigos e a família (esta em primeiro lugar!), as pessoas que nos atendem nas lojas que frequentamos, o condutor que vai à nossa frente e o que vem atrás, os habitantes da nossa aldeia (ou vila ou cidade)... para mim, é neles que está Jesus esperando pela nossa ação...

Na Páscoa, não tendo ido à missa nem rezado mais ou menos do que o habitual, pensei na história da vida de Cristo e fui, em minha vida, não comemorando, mas relembrando e tentando aprender com os seus últimos dias, para que, depois da ressurreição, surgisse em mim também a hipótese de ser "um homem novo"...

Mas esta época é também de alegria e festa para as crianças por razões pagãs, acreditem ou não na festa cristã. É tempo de comer chocolates e amêndoas, folares e outros doces... e eu gosto presentear os meus sobrinhos (e afilhadas) e tenho-o feito com os habituais ovos enormes que, muitas vezes, eles abrem mais tirar a surpresa e dão duas dentadas, deixando o resto para depois. Costumo juntar sempre uma peça de roupa e um livro. Sem pensar muito bem na questão, tenho-o feito todos os anos.
Mas, na verdade, a Páscoa não deve ser para isto, ou melhor, não TEM de ser... os miúdos querem é um local para estar juntos e brincarem uns com os outros, querem comer doces, querem mimos e atenção.... tal como nos outros dias do ano, especialmente quando mais precisam.
E é nessas alturas que quero estar com os meus sobrinhos e é quando me apetecer que lhes quero comprar roupa (porque o vestido é a cara da princesa Margarida), brinquedos (porque a Madalena sonha ter) ou livros (porque o Duarte adora histórias com finais felizes). É quando eles quiserem brincar, que desmancho a casa toda e monto tendas para todos cá dormirem, verem filmes, comerem pipocas ao deitar e brincarem até não haver espaço no quarto para passar. E é quando estão doentes que quero lhes dar colinho, é quando tenho saudades que quero telefonar para ouvir as novidades (ou as primeiras leituras), é quando tiverem momentos altos ou baixos nas suas vidas que quero estar presente, é quando os vejo que os encho de beijos e palavras doces...

Na Páscoa, este ano, resolvi presentear os meus sobrinhos com algo saído das minhas mãos, com algo que fiz prepositadamente para cada um, a pensar neles e a acrescentar pormenores que me vinham à ideia por conhecer as características especiais de cada um, que me deu uma satisfação imensa e que sei que irão guardar com o mesmo carinho com que os fiz. E aos 3 humildes coelhinhos feitos com 3 pares de meias e alguns acessórios, juntei uns docinhos para lhes adoçar a boca...



E cá estarei para o que de mim necessitarem, não só na Páscoa, mas todo o ano, a qualquer hora... isso é garantido e nunca será negado, aconteça o que acontecer com o resto do mundo à nossa volta...

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