terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

SEGURANÇA PRECISA-SE

O meu Simão é um miúdo aparentemente seguro, mas sinceramente inseguro. Já por diversas vezes fui tida como responsável por esta insegurança e eu própria acabo sempre por me culpar porque pode ter herdado isso de mim, apesar de ter desde sempre apostado no reforço da sua segurança, de todas as formas possíveis e imaginárias.
Provavelmente usamos a capa da segurança contra possíveis aproveitadores das nossas inseguranças. Eu acho que o faço. Não deliberada e conscientemente, mas faço.
A verdade é que há muita gente que se aproveita das fragilidades, medos e inseguranças e às vezes, ou porque são incomodadas ou porque mexem com as suas próprias convicções ou porque é mais fácil dizer que o outro está errado do que perguntar a si próprio se estará certo, acabam por rebaixar, pisar e elevar-se com piadinhas, comentários ou discursos disfarçadamente punidores.

Não sei bem se quero que ele mostre as suas inseguranças.
Eu tenho aprendido duramente que fico melhor quando as minhas estão encobertas.

O que eu queria mesmo era que ele tivesse muitas zonas de conforto, com pessoas em quem confiar, que lhe dessem real segurança e o fizessem sentir-se (quase como) em casa.
Acho que a escola deve ser muito essa zona, maior quanto menor a idade da crianças. Encaro-a como a segunda casa, sendo a sala de aula o quarto onde o papão não entra e há sempre uma luz de presença a brilhar, alguém para dar colo, ombros para chorar e espaço para gargalhar.

E hoje, num dia já muito mau, foi muito duro ouvir o meu mais-que-tudo mais velho dizer que não confia em nenhum adulto da sua escola, que se tiver algum problema vai esperar por chegar a casa, que está desejoso de sair de lá e que não há ninguém que o consiga ouvir (além de alguns colegas)... saber que não gosta da escola já tem sido difícil nestes 4 anos... mas ninguém em quem confiar?... ninguém que o deixe seguro?...
- Não pode ser, filho... terias de falar com alguém se tivesses um problema! Terias de pedir ajuda!
- Não mãe.
- Oh filho!
- Não faz mal, mãe, já estou habituado!

Bolas, ele tem 9 anos...
Eu não me consigo habituar a sentir-se tão só ao ponto de não ter a quem recorrer e sou adulta!

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