segunda-feira, 30 de abril de 2012

APATIA

Eu bem tento não cair neste marasmo, nesta apatia pegada... não ficar de olhos parados e opacos, de sorriso apagado ou escondido... não sentir vontade de fechar os olhos por tempo suficiente para acordar uma pessoa bem diferente, deixando os sonhos esquecidos num canto qualquer, num beco sem saída...

Sem razões aparentemente suficientes, sem uma zanga ou um excesso de trabalho, sem motivo.

Fico assim de quando em vez e o meu Hugo estranha não ouvir risos, nem gritos, nem conversas, nem filosofias partilhadas... ou fofocas ou descrições do nosso dia a dia ou do das crianças. Ele estranha, mas não entranha. Sabe que não sou verdadeiramente assim. Desconfia e pergunta "O que tens, amor?", obtendo como respostas das mais sinceras possível um "Não sei!".

Acho que me iludo demais e me convenço de que há muita gente boa e de que estou no caminho certo. Faço contas com os pecados e acho que não mereço algumas desilusões. Mas não podem ser elas a causa justificada desta apatia, da falta de tudo o que é expressivo em mim.

Suspirei há segundos. Foi um suspiro tímido, que não desapertou o nó que tenho no peito. Se acreditasse nestas coisas, diria que pressinto algo errado.Assim, prefiro não acreditar para não ficar com medo. Até porque não me quero desculpar nem arranjar justificações. Suspiro de novo agora, já um pouco mais profundamente. Não alivia, mas permite a saída de um ar que sinto demasiado pesado para estar sobre o coração.

Quando estou assim sei que sou uma péssima companhia. Ninguém deveria ter de me aturar, de olhar para mim. Falta-me brilho e cor, falta-me vida. É como se, num só sopro, tivesse apagado todas as velas dos sentimentos bons que em mim costumam vingar (alegria, curiosidade, criatividade, entusiasmo...), mas num movimento oposto, de sucção, tendo guardado no peito todo o ar inspirado em vez de exprirado. Confuso? Até para mim que o sinto.

Já adiantei a medicação que tomo normalmente mais tarde, o meu homem até sabe que preciso e trouxe-a aqui, mas não é ela, nestes casos, que resolve esta tal apatia que se foi instalando e que ontem, em dia até de festa grande, foi dando sinais de que estava a chegar através de curtos suspiros, de intolerâncias perante coisas sem importância das pessoas que mais amo, de complexos comigo própria, vergonha mesmo, perantes meia centena dos que olhavam para mim. Cabelo cortado e elegantemente penteado, unhas arranjadas de forma impecável, maquilhagem (que praticamente só uso em festas), elogio disfarçado mas ouvido, roupa nova a condizer... mas trapo velho por dentro. E tanto que a festa me tocou e tanto que a cerimónia foi importante e alegria me causou, mas ele, o tal marasmo, a tal malvada apatia sob a forma de silêncio, já andava a espreitar... e eu a escondê-la.

Nestas alturas costumo pensar (demais) em tudo e questionar muita coisa. Mas não me apetece e tenho aprendido que não é a altura certa para o fazer, pois facilmente cairei na tentação de achar demasiados erros em mim (principalmente) mas também no que está do lado de fora... e isso não quero de novo.

sábado, 28 de abril de 2012

SONHOS PARA TODOS OS PRAZOS

Há tempos que ando a reparar que esta minha mania de tanto sonhar, mesmo calada e devagarinho, não só é boa como tem intensificado o que há de mais puro em mim.
Sim, que isto de sonhar é mesmo a melhor forma de fazer girar o mundo, seja ele a esfera redonda azul e verde (ou castanha?!?) a que todos estamos agarrados ou o espaço mais ou menos grande em que convivemos connosco e com os que nos são queridos.
A mente precisa de alimento são e de paz, de imagens que refresquem e saciem, de ginástica alegre e de magia e o sonho, grande ou pequeno, traz-nos tudo isso... e pode trazer mais se conseguirmos sonhar agarrados por um fio a um ponto fixo na terra ou, quem sabe, com um olho aberto e outro... semi-fechado.

Nesta minha cabeça pensadora, e desista de ler quem está já enjoado que acho que vai piorar, descobri que habitam 4 tipos de sonhos:

Sonhos a Curto Prazo (SCP)- Quase que podiam ser simplesmente objetivos, mas não sei muito bem distinguir uma coisa da outra... ah!!!! mentira!!! Um objetivo é uma coisa que temos obrigatoriamente de fazer, que começa por um verbo e que não nos dá prazer nenhum! Um SCP é muito mais... é algo que temos/devemos/queremos/vamos fazer, que começa.... tb pode ser por um verbo e que fazemos com um sorriso ou com satisfação. E que bom que era transformar todos os objetivos em sonhos... É por isso que marco saídas a 4, planifico as aulas com antecedência e diversificadas, evito mais rotinas do que as necessárias, faço listas para não esquecer nada... e mto mais. (Que vou riscando com a sensação de sucesso!)

Sonhos a Longo Prazo (SLP)- Estes podiam ser chamados de metas ou planos... pronto, são comparáveis. Cá na minha ótica, sei que os meto na cabeça tipo em setembro e não saem de cá sem estarem realizados, o que pode demorar... bem, para estarem nesta categoria penso que o máximo são uns 2/3 anos. São quase que filmes que me envolvem e removem e, por vezes, quase não me deixam dormir (mas no bom sentido!). Imagino os pormenores, rio por dentro com o que vou sentir, antecipando efeitos e resultados, estabeleço etapas e envolvo gentes pequenas ou grandes que doninam o meu coração e que, apanhados na selva das minhas emoções, se deixam emaranhar e se aventuram comigo em mudanças, viagens, projetos, obras, festas, compras... ou, sozinha, embarco num livro (ou vários), na preparação de uma surpresa ou na organização de um album de fotos!

Sonhos Pouco Prováveis (SPP)- Estes são os mais "secretos" ou que têm pouca ajuda, pouca "gasolina" (porque não sobra dos outros) ou que talvez um dia (se me sair o Euromilhões) venham a ser colocados nos SLP. Confesso que, na maioria dos dias não penso muito neles... ou tento não pensar, por variadíssimas razões, mas são sonhos, no verdadeiro e literário sentido da palavra. Sonhos dos que temos quando estamos a dormir e que ficamos com pena de acordar. Alguns são conhecidos por pessoas que vão ler estas (muitas) linhas, outros vão surpreender, pelo menos um vai danar à brava um dos homens da minha vida (ou 2 deles, mas 1 não vai ler isto)... mas são meus, meus e meus e é possível que me venha a esquecer de algum, pois há dos mais recentes aos que habitam em mim desde pequenina!!!
Saiba-se:
- Escrever um livro;
- Ter outro filho;
- Tirar um curso de psicologia;
- Ter aulas de voz e de teatro e entrar numa peça ou filme dramáticos;
- Ir à Lua;
- Construir um centro equestre de terapia de auto-estima...

Sonho para a Vida (SV)- Um único sonho, enorme e que enche a minha alma todos os dias, acompanhando todos os outros tipos de sonhos, como que orientando-os! Não sei quando vai ser alcançado (se calhar vai sendo mesmo todos os dias!!!!!) mas tento pôr uns pozinhos nele em cada passo que dou, em cada palavra que digo, em cada gesto que faço. Uns dias estou bem pertinho e ele enche o meu peito de forma que parece que rebenta... noutros afasto-me um pouco e fico gelada e precisando de abraçar ou de ser abraçada. O meu SV é...
Ser feliz e fazer os que amo felizes.

Não será o melhor de todos os sonhos????

quinta-feira, 26 de abril de 2012

DESESPERO...

Há dias em que me sinto assim como hoje: desesperada!
Chego à escola entusiasmada com o que levo para fazer, com as ideias na cabeça e um sorriso no rosto e...
1.º- ouço queixas do comportamento de um aluno que desde sempre tem atitudes menos adequadas, mas que estava a fazer progressos...
2.º- deparo-me com dois dos alunos com mais dificuldades a fazerem retrocessos evidentes e inesperados...

Se calhar não deveria desesperar nestas altura. Deveria continuar de sorriso rasgado... mas sou humana e estas coisas mexem comigo. Fico a sentir-me impotente e faço de tudo para agarrá-los com ambas as mãos e o coração, mas nada se altera. Tento transmitir-lhe confiança, mostrar que acredito, que eles são capazes, mas as dúvidas não permitem que omita algum desconforto e desilusão. A culpa, que muita gente acha que temos toda e outros acham que não temos nenhuma, apodera-se de mim como polvo poderoso, largando a tinta da tristeza e do desconforto. Não quero passar-lhes estas emoções... mas sou verdadeiramente humana e erro. Erro também por não considerar estes dias normais e por me deixar abater por algo que não consigo controlar.

Felizmente há sempre a hora do almoço para recuperar. Felizmente há sempre sorrisos noutros lábios e trabalhos extra doutros alunos para compensar. Felizmente há sempre o voltar a acreditar.

Mas dói! Muito mais ainda porque os sinto um pouco "meus" e queria fazer melhor...

terça-feira, 24 de abril de 2012

PARECIDA COMIGO

Muitas das pessoas conhecidas que me encontram na rua com a minha Matilde dizem que ela é parecido comigo, que faz muito lembrar a minha imagem em miúda. Fico orgulhosa, porque acho a princesa linda e por ter conhecido dar o meu contributo para um exemplar feminino quase perfeito.
No entanto, quando notam que é uma menina vaidosa, que gosta de se arranjar e de estar sempre na moda e que combina todas as peças criteriosamente, já referem outras parecenças.

Hoje, ao vestir-me, enquanto me olhava ao espelho para ajeitar a "echarpe" a combinar com a camisola, dei comigo a ouvir de novo as palavras trocadas com a professora da princesa, ontem quando a fui buscar:

- Adoro ver a Matilde entrar pela sala e reparar na sua roupa. - diz a professora.
- É muito vaidosa e gosta de ter tudo a combinar, a minha filha. - respondi eu.
- O que adoro mais ainda sao os acessórios: lenços, colares, chapéus...
- Há gavetas para cada dito de acessário lá em casa. Nao lhe compro roupa cara, mas ela cuida bem das suas coisas e tem muitos acessórios. E nao sai sem eles.
- A que será que ela sai? - pergunta a professora, que é minha amiga há anos, com um "big smile" no rosto.
- A mim nao é! - respondi logo, apressadamente, porque me sinto uma pessoa muito simples e sem vaidades.
- Nao eras assim quando eras pequena?
- Sim, se calhar era!

Esta conversa apareceu na minha cabeça precisamente quando ajeitava a dita echarpe. Porque será? Olhei bem para o espelho, de forma até pormenorizada e reparei, incrivelmente pela primeira vez, que também eu uso "tudo a combinar" e tenho especial preferencia por acessórios. Coincidencia? Nao me parece... Realmente a pequena é como eu e nao dispensa os seus colares ou lenços/echarpes/cachecois ao pescoço, brincos (de preferencia compridos se o cabelo vai solto), pulseiras, óculo de sol...
Nao me maquilho com frequencia, só quando tenho mesmo mais tempo ou em festas (e de forma muito simples), nao visto roupa cara ou que de nas vistas... considero-me incrivelmente simples e prática e às vezes até tenho vergonha de ser assim.
No entanto, em segundos, a minha autoestima cresceu... a conversa fez sentido e mostrou-me que há algo em mim feminino que as outras pessoas notam! E senti-me mesmo bem. Mesmo com peso a mais, mesmo usando coisas simples, parece que até tenho bom gosto e os acessórios combinam e ajudam a harmonizar os conjuntos. Calças de ganga e uma blusa/túnica/camisa simples, sempre composta com pequeno acessários, marcam a minha imagem... e a da princesa!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

QUASE 25 DE ABRIL...

Porque adoro histórias infantis...
Porque o Dia da Liberdade é importante para mim...

... hoje contei esta história ao meus alunos
e partilho-a agora com quem gosta do mesmo que eu.

domingo, 22 de abril de 2012

HORTA NA VARANDA

Hoje é Dia da Terra e nada como comemorá-lo em família iniciando um novo projeto: uma mini-horta biológica na varanda.

Na verdade, já desde o início do ano que eu e a minha cara-metade andamos envolvidos num projeto destes nas respetivas escolas:
- Eu (urbana assumida), que pouquíssimo sei do assunto, tenho tido o apoio da Câmara Municipal da Moita, que tem acompanhado este projeto dando formação aos miúdos... (e eu sempre aprendo, claro!)
- O meu homem, que tem veia de agricultor e há anos que vivencia a horta do meu sogro, arriscou-se sozinho com uma turma miúdos incríveis do externato onde é professor.

Há duas semanas fomos chamados para uma ação de formação contínua sobre esta temática e inscrevemo-nos os dois, não só porque temos interesse em aprender mais para melhor aplicá-lo em contexto pedagógico, mas também porque há 9 anos que não fazemos formação juntos e pareceu-nos uma oportunidade de ter momentos a dois.

Como sempre que aprendo algo que me parece bom de investir, cheguei a casa depois das 10 da noite mas cheia de vontade de começar também uma horta biológica e, vivendo nós num 1.ºandar de um apartamento com duas varandas, resolvemos então dar início a este projeto.

Escolhemos a varanda da frente por 2 motivos muito especiais:
- Apanha muitas horas de luz, estando virada para nascente;
- A Rosinha e a Isla (2 gatas lindas) são as rainhas da varanda de trás.

Fizemos algumas comprinhas, usámos garrafões de plástico, recuperámos um vaso esquecido e demos início hoje, logo pela manhã, à nossa mini-horta biológica familiar (sim, porque os meninos adoram e alinham connosco com a maior satisfação!).

Os meninos colocaram a terra e misturaram com fertilizante natural.
(Para a próxima vou trazer mesmo do composto que temos no comportor da horta da escola!)

As sementes foram escolhidas ontem: alface, couve, cenoura e agriões.
Quais deles serão os primeiros dar o dar da sua graça?

Depois de tudo semeado, há que regar.
Os pequenos até tiveram a ideia de fazer um "qaudro de tarefas" para ninguém se esquecer!

Depois de regados, os vasos foram devidamente identificados.
Uma salva de palmas para os manos que em conjunto fizeram as etiquetas.


E agora é regar e esperar para ver se dá "frutos"

sexta-feira, 20 de abril de 2012

EDUCAR PARA GERIR A CASA...

Só há poucos meses me apercebi, fazendo as habituais rondas e/ou pesquisas por blogues ou conversando com colegas, que nem toda a gente gere a casa como eu, ou mehor, que nem toda a gente sabe e aplica algumas das "dicas" que sempre fiz de forma natural desde que casei (há quase, quase 12 anos).

Percebi que nem todas as mulheres da minha idade tratam a roupa da mesma maneira, cozinham da mesma forma, limpam a casa do mesmo modo... parece idiotice minha, ingenuidade talvez (ou até sarcasmo), mas é a mais pura das verdades. Nunca tinha pensado nisso!!

Desde pequena que participo na chamada "lida da casa" e há muita coisa que faço nauralmente, porque aprendi com a experiência em casa da minha mãe. Sempre fui envolvida no quotidiano da família, participando ativamante e faço já o mesmo com os meus filhos, pois penso que não há maior escola do que a vida, apesar de me ter já apercebido que "nunca é tarde para começar" e "há quem nunca consiga/queira" aprender.

Quem estiver a ler esta mensagem está muito baralhado, de certeza!
Por isso, passo a explicar:

ROUPA:
- Sempre vi a minha mãe separar a roupa por cores para pôr a lavar, colocá-la na máquina, tirar nódoas dificeis, sacudir antes de entender e fazê-lo de forma a que a marca das molas não se note tanto, não deixar acumular muita roupa, mas ir fazendo máquinas e passando... em pequena comecei a participar nestas tarefas (inicialmente dobrando meias e cuecas e engomando panos da loiça) e passando de forma gradual a colaborar em mais tarefas e mais regularmente.

- Hoje sei como fazê-lo e acho que trato bem da roupa da família, tendo também ensinado o que sei ao meu marido (que participa em tudo o que for preciso) e estando já a ensinar os meus filhos. Cá em casa são eles que arrumam meias e cuecas e a Matilde já vai passando umas pecinhas (com vigilância mas sem o stress de proteção que sei que existe em muitas casas). Os dois sabem separar, pôr na máquina, estender e apanhar (e ajudam muitas vezes!).

CASA:
- Sempre observei a forma como a minha mãe mantinha a casa limpa e interiorizei as limpezas de forma global, tendo também participado gradualmente. Ponho as mãos na massa com facilidade e esfrego o que for preciso (sem luvas, porque não consigo nem gosto), sem deixar a sanita escurecer ou a loiça (suja ou lavada) acumular. Gostava de participar na limpeza semanal e na "grande" e aprendi diversos truques para manter a casa limpa.

- Hoje todos temos tarefas cá em casa e como "quem não trabalha não come", não há como fugir. Os quatro funcionamos bem em equipa. Há tarefas próprias e fixas de cada uma dos quatro, ainda que eu seja a "organizadora" e todos nos ajudemos quando podemos:
- O maridão é responsável pelos animais, por despejar o lixo, aspirar a casa, pôr e tirar loiça da máquina... mas também ajuda a passar a ferro se for preciso, arruma a cozinha quase todas as noites e é capaz de fazer todo o resto se eu estiver doente ou lhe pedir.
- Os pequenos também têm o que fazer: arrumar os seus quartos, arrumar roupa interior nas gavetas, pôr e levantar a mesa, regar as plantas, ajudar com os animais, passar umas pecinhas (a matilde), despejar lixo mais leve (o Simão), limpar o pó dos quartos ao fim-de-semana... mas também gostam de ajudar a limpar vidros e espelhos, embora nem sempre o façam.

COMIDA:
- Sempre vi a minha mãe cozinhar e, embora não tenha participado tanto como no resto, aprendi com ela as bases de todas as refeições e alguns pratos tradicionais que continuo a fazer. Quando casei já sabia fazer um refogado, um guisado, um estufado e etc e tal, embora só cozinhasse em casa dos meus pais quando eles não estavam (o que não era muito vulgar!).

- Hoje em dia tenho Bimby e cozinho (quase) tudo nela, mesmo os meus pratos habituais. Comprei-a por economia de tempo, mas já cozinhava de tudo e tenho aprendido imenso com a experiência. Não sou mestra, mas safo-me bem e sei cozinhar carne, peixe. legumes, tartes e tudo o resto. Os meus filhos sabem também trabalhar com a Bimby e ajudam algumas vezes nas refeições (mais a filhota, que adora e até tem uma mini-bimby!!!). Desde pequenos que participam, lavando os legumes, temperado ou forrando formas e desde que tenho esta máquina amiga que conseguem tudo o resto, desde que orientados. Os doces cá em casa são sempre feitos em trio e servem de brincadeira de família.


É claro que nem tudo faço como a minha mãe, pois somos pessoas diferentes e cada uma adequa a sua forma de agir à sua personalidade, necessidade e tempo. Sempre admirei a minha mãe e hoje agradeço-lhe muito tudo o que sei, por razões muito importantes:
- porque me ensinou como fazer;
- porque me deixou fazer;
- porque me explicou porque fazer deste ou daquele modo;
- porque me incentivou a fazer da melhor forma (adequada às circuntâncias da vida)...

Acho que tenho uma forma funcional de gerir estas 3 vertentes da vida de dona-de-casa (não a tempo inteiro, mas parcial). Hoje dou valor a isso porque vejo e percebo que muita gente não o aprendeu. Hoje educo os meus filhos também a participar, deixo que façam o melhor que conseguem (mesmo não sendo perfeito ou tão bem feito assim) e elogio tudo o que fazem, pois quero que aprendam-fazendo e com gosto. E, assim, as coisas são feitas em família e sem reclamações e servem de momentos de partilha e convívio entre nós os 4.

terça-feira, 17 de abril de 2012

MÃE. MÃE... OH MÃE!!!!

Quem me conhece sabe que até sou uma pessoa paciente, que respeita os ritmos de cada um, que tem calma para ouvir e para tentar perceber e fazer-me perceber, que espera sem resmungar muito, que tenta agradar a toda a gente... Mas estar quase sempre rodeada de crianças (às vezes até de noite!!!) é sempre um teste de resistência.

Hoje lembrei-me tantas vezes (mas tantas!) de uma expressão que a minha mãe nos dizia às vezes....

"NÃO ESTEJAM SEMPRE A CHAMAR MÃE..."

Sim, é que (realmente!) ouvir dizer "mãe, mãe, oh mãe"... vezes e vezes sem conta, dá cabo da paciência de qualquer um!
É:
- Mãe, vê lá isto!
- Mãe, onde está...?
- Mãe, o que... ?
- Mãe, podes... ?
- Mãe, amanhã... ?
- E mais e mais e mais............................

Hoje foi um dia especialmente assim: depois de estar das 9h às 15h30 a responder a "Oh professora..." (sim, porque fico na escola à hora do almoço e eles não me dão tréguas), chego e passo a ouvir "Oh mãe..." até ao deitar do casal!

Até a minha princesa, desenrascada em pessoa, me chamou 20X enquanto fazia um desenho para a escola (só para eu dizer que estava a ficar lindo!), depois de ter estado a fazer os TPC comigo e de me ter contado (PORMENORIZADAMENTE) o dia de escola e as brincadeiras com as amigas (incluindo os trajes das mais giras e das mais pirosas!).

E o rapaz? Não é que trouxe um amigo para brincar até à hora do jantar e mesmo assim ainda se lembrou de perguntar, entre outras frases muito comuns nele, "Oh mãe, o que vou brincar com o Rodry?".

E depois, não admira que nos 15 minutos de viagem entre a minha escola e a deles eu venha, descabelada, a cantar:


Mãe linda, já percebo o que querias dizer! E nós éramos 3!

Eu falo, falo, mas quando tenho a garrafa da paciência mais cheia...

PRIMEIROS LIVROS A CAMINHO

Hoje fiz algo que nunca pensei que iria fazer... enviei 3 livros usados pelos Correios, para pessoas que não conheço mas que acredito que lhes vão dar valor.

Inscrevi-me na semana passada no site WinkingBooks e registei 10 dos muitos livros que tenho em casa... em pouco mais de meia-hora, estava a pedir um livro e a aceitar 3 pedidos de livros meus (e já tenho 5 pendentes!).
Nem sei muito bem como vou fazer com que este programa me dê a possibilidade de ler muito a baixo preço (claro que a ida à Biblioteca Municipal sairia mais barata ainda!!!), mas estou a experimentar e hoje fui aos Correios lá da vila em que trabalho para tentar enviar os livros.

Fui logo avisada pelo site para pedir o Correio Editorial, que sai bem mais em conta e que toda a gente pode usar quando o que está a enviar são somente livros e, munida da página do site dos CTT imprimida, lá experimentei.

Confesso que inicialmente a receção não foi fácil nem pacífica e que a funcionária me respondeu com maus modos e a querer fazer-me acreditar que não sei ler (também fui avisada), mas a verdade é que, após chamar o Chefe da Estação, teve de me dar razão.

Assim, lá seguiram os 3 primeiros livros (1 deles pesado) por 1,80€... e espero que cheguem bem!


A quem estiver a ler esta mensagem, aqui fica o "apelo": usem o Correio Editorial sempre que forem apenas enviar livros pelo Correio. Fica mais económico, mas nem toda a gente conhece.
Eu desconhecia e, pelos vistos, alguns funcionários da instituição também!

domingo, 15 de abril de 2012

MAFALDA, SIMÃO E O MICHAEL JACKSON

A minha mana é super-fã do Michael Jackon e eu diria que é, em Portugal, das que mais sabe acerca do cantor, da sua vida e da sua discografia. Canções, textos, desenhos, entrevistas, fotografias... muita coisa faz parte do seu "espólio" e todos nós na família conhecemos e respeitamos esta sua adoração, que até considero "terapêutica", pois consegue abstrair-se da vida quotidiana e descontrair com o seu ídolo.

Desde há mais de um ano que o sobrinho mais velho, o meu filho Simão, partilha esta adoração com a tia e é mesmo um dos membros mais jovens do Clube de Fans em Portugal.
Tia e sobrinho têm uma relação especial em torno deste grande "Rei da Pop" e é com a "Tia Fafá" que ele mais fala sobre o assunto. É também a tia que o leva a espetáculos relacionados com o "Michael" (como eles o tratam, tal como se fizesse parte da família!) e é com ela e com o grupo oficial de fãs que a minha criança está neste momento.

É verdade, o meu piolhito, que parece ter nascido há 8 meses (e não quase 9 anos) vive à espera de momentos como o de hoje, em que se reune com pessoas que adoram o mesmo cantor, em que ouve as suas canções e vê os seus passos de dança, em que veste as suas roupas mais giras e sai com os adultos como se fosse já um deles... E é a tia que o leva, o encaminha, o protege, o apresenta... e orgulhosa!

Hoje o espetáculo de homenagem ao Rei da Pop chamava-se "Moonwalker" e teve um gostinho especial: o bilhete foi ganho pelo meu filho, através de um passatempo no qual ficou em 1.ºlugar com este vídeo que fez com o pai:

(VER COM SOM!)



Eu estou orgulhosa... e ansiosa para que chegue a casa e me conte tudo!
Ai ai que amanhã é dia de escola!

sábado, 14 de abril de 2012

SÁBADO E DOMINGO PACÍFICOS

Este fim-de-semana sem atividades marcadas, está a "dar-me" a oportunidade de parar um pouco e pôr algumas coisas em dia. Vou fazer algumas tarefas (de casa, da roupa, da escola), umas que são habituais neste dias e outras que não têm prazo mas que serão objetivos cumpridos:

- Limpar a casa e lavar (e estender) o máximo de roupa; Feito
- Escolher fotos para imprimir, para aprevitar as promoções de deste e desde site; Durante a semana...
- Fazer ementa semanal; Feito
- Preparar os jantares para os dias das reuniões de pais (2.ª e 4.ªfeira) e congelá-las; Feito
- Fazer 2 sopas diferentes e congelar uma parte; Feito
- Avançar com o peitilho do vestido da Matilde (em tricô); para continuar...
- Procurar um tecido para a saia do vestido; Durante a semana...
- Reorganizar com a princesa os seus (imensos) ganchos, elásticos, colares/pulseiras e badoletes); Feito (e os meus acessário também).
- Preparar livros para enviar;  Feito
- Comprar envelopes para envio e novo novelo de linha; Feito
- Organizar contas do condomínio do mês passado;  Feito
- Planificar a próxima semana de aulas. Feito

Esta lista vai sendo tratada... calmamente e sem stress.... sem horas marcadas...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

FIM-DE-SEMANA CANCELADO

Hoje recebi 2 telefonemas que me deixaram de boca aberta.
Tinha inscrito os meus filhos e sobrinho em 2 atividades para crianças a realizar em 2 diferentes museus (uma no sábado e outra no domingo), organizadas pelos respetivos serviços educativos, e ligaram-me a dizer que as atividades não se iriam realizar por falta de inscrições.
Fiquei absolutamente pasmada!
Será possível?

Assim, resolvi apresentar as mesmas atividades aqui no blog, para ver se ajudo na sua divulgação, pois acredito na importância cultural deste tipo de atividades de pais e filhos. Pode ser que cative mais alguns!

No sabádo, pelas 10h30 iamos à atividade:

"O que nos dizem as cores", no Museu de S. Roque, gratuitamente, com visita ao museu incluída.
Eram necessárias 10 crianças inscritas e, apesar da atividade estar divulgada em diversos locais, não teve adesão.


No domingo, pelas 15h30 íamos à atividade:

"Olhar e recriar o espaço, com Nintendo Art Academy", no Museu Coleção Berardo, que tambem foi desmarcada porque se realizaria apenas com 6 crianças e as únicas inscritas eram as minhas. Esta atividade é paga (10€ para 2 crianças acompanhadas por 2 adultos), até porque implica o uso de consolas em prol da arte, mas a visita ao museu é gratuita.

Eu pergunto:
-Está toda a gente assim tão desmotivada da cultura?
-Haverá assim tão pouca gente com acesso a estas atividades?
-Será falta de informação/divulgação?
-Estarei errada ao achar que as crianças merecem este investimento do seu desenvolvimento intelectual?

Não sei! Às vezes acho que vim do Espaço e que ninguém me compreende nem pensa como eu!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

UM VESTIDO PARA A PRINCESA

Há anos que não pegava numa agulha de crochê mas o blogue "Bricolar e Poupar" deixou em mim a curiosidade e a vontade de experimentar a criar qualquer coisa linda para a minha filhota, que é uma princesa vaidosa!

Pensei no que poderia fazer e fui à procura de linhas, fitas e agulhas...
Descobri um novelo bonito, multicolor e umas fitas rosa que com ele combinam... o tecido ainda há de aparecer, retirado de alguma peça minha de verão que não me sirva (e viva o aumento de peso!) ou de outro lugar qualquer...

Depois do material em casa, fui logo experimentar... mas nada saiu.
Há 16 anos que não pegava em agulhas destas e já me tinha esquecido como começar...
Resultado: ida à casa da mãe Mila.




E não é que estou a conseguir qualquer coisa "fofinha"?
E não é que hoje já ensinei os primeiros pontos à minha M. e ao meu S.... e os dois andam a fazer cordões!!!!


Está a ser mágico redescobrir esta minha faceta! Vamos ver como ficará esta obra de arte...
Por agora estou a ficar satisfeita com as experiências!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

DE REGRESSO AOS "OUTROS" PEQUENOTES

Hoje voltei à escola e soube-me tão bem ser recebida de braços abertos!!
Ver os sorrisos ao portão, os olhares brilhantes e os braços prontos para receber e dar carinho foi muito revigorante!
Já tinha saudades dos meus "outros" meninos, dos meus alunos.
Não posso passar muito tempo sem eles. Sou professora-galinha, tal como sou mãe-galinha. Nada de exageros, mas tudo com muito mimo e proteção.
Sei que os reguilas não são "meus", mas são muitas as horas que passamos juntos, os momentos que partilhamos (de alegrias e tristezas) e encaro o meu quotidiano escolar como dias de missão (já 2 colegas mais experientes mo disseram e caiu-me tão bem!).

Há dias muito difíceis na escola... dias em que grito, em que me zango, em que desespero porque não consigo que algum aprenda ou compreenda o que lhe quero fazer aprender... há dias de muito barulho e em que só gostava de poder encostar a cabeça, fechar os olhos e ficar quietinha... há dias em que me apetece "dar umas palmadas" quando se portam mal ou não fazem o que lhes digo... há dias em que fico exausta por educar tantas horas em 24...

Mas também há muitos momentos de felicidade, de crescimento, de partilha, de orgulho, de aplausos, de lágrimas de alegria, de gargalhadas, de aprendizagens a brotar, de conclusões brilhantes ou piadas divertidas, de camaradagem. de amizade, de carinho... Há dias que compensam o desgaste de querer o melhor dos melhores para os meus alunos e de fazer o máximo que consigo por isso...

Sou uma professora exigente, que gosta que aprendam bem, com empenho, autonomia e motivação, que se portem com modos e maneiras, sem prejudicar os outros, mas não sou rígida demais, nem autoritária. Sou uma professora que se preocupa também que os alunos gostem da escola e que confiem na instituição e nos adultos que nela trabalham. Exijo um ensino de qualidade para os meus "outros", tal como para os meus "2 meus"!!! Gosto que me respeitem e que gostem de mim, que confiem e partilhem, não que tenham medo... Gosto que acreditem em si próprios, mesmo que os passos que dão sejam passinhos...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

AS REFEIÇÕES

Há uns tempos que tinha colocado de lado o meu gosto por cozinhar, que tem sido uma coisa que vai e vem assim sem eu dar conta do porquê.
No entanto, algo despertou de novo em mim a vontade de preparar as refeições, que desta vez veio para ficar (parece-me a mim!) e que me fez entender porque estava a fazê-lo mais por obrigação do que por prazer.

Sou organizada por natureza, mas descobri que há algo que não fazia e que dá um jeitão na cozinha: uma EMENTA SEMANAL!

Desde que casei (há quase 11 anos) que planeava as refeições com 1/2 dias de antecedência... quando comprava a carne e o peixe não pensava no que ia fazer com eles... tinha sempre os ingredientes em casa e conseguia sempre colocar comidas diferentes na mesa, porque sei as bases e gosto de inventar o resto. Foi resultando até me cansar de cozinhar... primeiro era para nós os 2, depois para 2 e um bebé, depois para 3 e 1 bebé, depois para 4... sempre eu, sempre a ter de decidir o que fazer.

Há 4 semanas que faço diferente e já noto muito mais o prazer em cozinhar a voltar. Aprendi com alguns dos sites da minha lista (que descobri por acaso na net) a utilidade da EMENTA SEMANAL e agora não passo sem ela. Parece simples, não é? Se calhar para a maioria das pessoas é um dado-adquirido. Mas para mim tem feito toda a diferença e agradeço muito às blogueiras que me inspiraram por me devolverem o prazer da cozinha!!! A elas e à Bimby que há 2 anos que é o meu braço direito e onde faço quase tudo.
Ah!!! E também passei a anotar no papel o que tenho na arca congeladora, em vez de tê-lo apenas na cabeça!!! LOLOLL

Ora aqui fica a minha ementa semanal até sábado!

Segunda:
Caldo de legumes (já congelado)
Robalos assados no forno com batatas

Terça:
Costeletas de porco grelhadas, com arroz e esparregado

Quarta:
Sopa de canóglios
Marmota cozida com batatas

Quinta:
Creme de abóbora
Esparguete à Bolonhesa

Sexta:
Medalhões de pescada gratinados, com puré de batata e cenoura

Sábado:
Almoço: Sopa de canóglios e Tarte de legumes com ovos
Jantar: Strogonof de vitela com arroz de ervilhas

sexta-feira, 6 de abril de 2012

UM DAEWOO AZUL ESCURO

Eu sou uma pessoa de gostos simples e humildes, apesar de eterna sonhadora e ambiciona por ser feliz.

Quando tirei a carta, não fui capaz de voltar a pegar num carro e fiquei com pânico da condução. Este pânico, que me levava a crises de ansiedade profunda só de me sentar ao volante, foram gerados logo durante as aulas. O instrutor era rígido e brusco, descontrolava-se e não era capaz de um elogio e eu e a minha irmã ficámos as duas sem conduzir, apesar de termos passado nos exames de código e de condução ambas à primeira. Tirámos a carta juntas e com o mesmo instrutor, que tinha uma "pedagogia" de arrepiar...

Fiquei sem conduzir até terminar a minha licença de parto após o nascimento da minha filhota, tnha ela uns meses e o irmão 2 anos acabados de fazer... não ganhei coragem, não superei o pânico até aí...

Quando decidi enfrentá-lo, porque necessitava mesmo de um carro para transportar 2 bebés e ir trabalhar, vi pela primeira vez um Daewoo Matiz e imediatamente disse: "quero um destes para mim!.
Procurei várias marcas, em vários stands e particulares, vários modelos, várias cores... sentei-me ao volante de vários e só houve um no qual consegui rodar a chave... um Daewoo Matiz branco!

Lembro-me bem das voltinhas que dei nele, quase sem experiência (apesar do meu marido ter tido muita paciência e ter feito várias tentativas sentado ao meu lado), perto da atual sede do Agrupamento de Escolas onde trabalho... sem segurança no que estava a fazer, fazendo asneiras (por certo), mas consegui... e não quis comprar mesmo mais nenhum.


Já passaram 6 anos e meio desde que o meu primeiro carro veio parar às minhas mãos. É um Matiz, já tem alguns anos, mas tem sido o meu grande companheiro e o meu terapeuta do volante. Vou com ele para todo o lado, estaciono onde for preciso e sou tipo um "homem" na estrada, apesar do meu H. achar que é um carro de "gaja".

Já não sei o que é ter medo de conduzir, apesar de 2 sustos com derrapagens... o meu boguinhas é leve, mas consegui controlá-lo. Gosto dele como se fosse a minha segunda casa e está exatamente ao meu jeito: com 2 banquinhos atrás (juntamente com brinquedos, livros e afins de criança), dossiês e materiais no mini-portabagagens, as rádios que gosto de ouvir memorizadas e só é lavado qando me apetece e passo numa autolavagem (que os miúdos adoram usar comigo!!!!).

É pequeno, de pouco valor monetário, mas está pago e é MEU!!! Todos os alunos da escola o distinguem no meio dos "carrões" das minhas colegas e já perceberam que é a "minha cara"!
Se um dia se avariar ou me sair um dinheiro no Euromilhões, volto a comprar um carro semelhante...

Até a minha mãe, que achava que a sra.professora deveria conduzir um carro menos modesto, já percebeu que é deste que eu gosto!!!!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

OS MENINOS DE BICICLETA

Há coisas que não dispenso na vida e que me dão um prazer enorme só de as olhar.
Uma delas é ver os meus filhos a divertir-se...
Brincando, fazendo desporto, jogando computador, dizendo maluquices ou outro qualquer divertimento, fazem com que o meu coração sorria e salte de alegria.

Se ontem estivesse do outro lado da praceta a olhar para mim própria, diria "Que doida é aquela mãe!", pois a gritaria e as palmas eram tantas ao ver a minha princesa mais nova já a andar na bicileta grande e sem rodinhas que nem dei conta que estava a tirar a atenção do verdadeiro espetáculo que lá em baixo acontecia.

A minha princesa não precisou de muito para ser capaz. A bicicleta é nova, muito mais alta do que a anterior e já não tem rodinhas... e ela, sem preocupações de maior, montou-se nela com coragem e, após 2 ou 3 voltas com o pai a ampará-la, deu ao pedal e ganhou "asas"...

Fui ver e mal queria acreditar, mas ganhei o dia com as imagens que captei da janela: os meus dois filhos a andar de bicicleta - ele fazia acrobacias e ela andava sozinha sem rodinhas e dizendo "sou capaz!!!"

Haverá satisfação maior para uma mãe do que ver a alegria a brilhar nos olhos dos filhos?


terça-feira, 3 de abril de 2012

EU PRÓPRIA

Muitas vezes dou comigo a pensar...
... quem sou eu, afinal?

Não é que não me conheça ou que queira dissertações caras sobre como e quem sou, mas o que há nesta pessoa que sou para além de mãe, filha e irmã, professora, tia e madrinha, amiga, gestora e dona de casa, vizinha...

Há alturas em que, baralhada no meio de tantas funções que a vida me ofereceu, tenho dificuldade em reconhecer a verdadeira Marisa. Procuro-me no meio das gargalhadas dos filhos, dos sucessos dos alunos, das receitas que invento na Bimby, das conversas que tenho com irmãos verdadeiros e emprestados, das roupas acabadinhas de apanhar da corda...

No entanto, conscientemente sei que, nos diferentes momentos da vida, sou simplesmente a Marisa de sempre, por autodefinição coerente e simples, que se adapta a tudo o que é preciso ser para além e com ela própria.

E este é o blogue que me apeteceu criar... porque adoro escrever e porque, já sem necessitar da aprovação dos outros, quero gostar de me reconhecer aqui.