quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

AVES AO FIM DA TARDE

Não sou assim a dar para o apaixonada, mas gosto muito de animais.

Em miúda, qualquer um para mim era fantástico, especialmente os que via quando ia com a minha mãe e irmãos ao Jardim Zoológico (passeio que fiz algumas vezes apesar de não termos veículo próprio e de não sermos muito abonados...).

Em adolescente, adorava todas as espécies de primatas, sonhando vir a ser a próxima Dian Fossey e viver no meio de gorilas, chimpanzés ou orangotangos. Desde os mais pequenos e afastados, até aos parentes mais próximos do homem, todos me deixaram encantada e espantada com o grau de inteligência que neles observava através de inúmeros documentários que vi e li.

Em tempos, os cães foram amigos que me ajudaram a erguer a cabeça e a voltar a acreditar no futuro. Numa altura em que a doença se juntou à fase crítica de escolher o que seguir após o 12.ºano, cheguei a pensar seguir Medicina Veterinária, mas o amor às crianças acabou por vencer e o meu caminho foi escolhido com o outro lado do coração...

Atualmente, habituei-me a ter tudo quanto é bicharocos pequenos, seja como animais de companhia (peixinhos, tartaruga, ratos, hamsters, porquinhos-da-índia, tarântula...), seja como animais de "estudo" ou "semi-companhia" (bichos da conta ou da seda, largartixas, grilos, rãs...). Sim, que a minha malta é doida por animais e o Simão tem especial adoração por tudo quando é "rastejante"...

Imagem retirada da internet.

A classe de animais que menos me cativa (desde sempre) é a das AVES.
Nunca fui especial admiradora de passarecos de gaiola, nem de grandes aves de rapina, nem de coloridos papagaios ou araras. Nunca tive em casa, nem me deu interesse em ter. Gosto dos shows do Zoo ou de outros parques temáticos, mas não fico tão encantada como com golfinhos ou outras classes de animais.
No entanto, na escola onde trabalho aparecem aves que, quase a chegar ao final da tarde, me acalmam e de fazem parar para as observar. Talvez por trazerem um pouco de mar com elas, talvez por conseguirem aproximar-se de forma que nunca tinha visto antes ou até talvez porque não brancas e me transmitem paz, mas a verdade é que as gaivotas que diariamente "caminham" no campo de futebol do recreio, minutos depois do mesmo ficar vazio de miúdos, me têm feito olhar as aves de outra forma.
Gosto de as ver e às vezes saio um minuto da sala, nos dias em que termino as aulas mais tarde, para as ver, para olhar para elas e perceber como, parecendo no ar todas iguais, são tão incrivelmente diferentes umas das outras... olhar o pátio e ver dezenas delas, de todos os tamanhos e de várias famílias, andando e bicando, recolhendo as migalhas e pedacinhos de comida que os miúdos por ali deixaram, olhar a forma como estão próximas e confiam neste predador que é o homem... gosto muito mesmo. Com bom ou mau tempo, não sendo elas em terra sinal de coisa nenhuma, lá vêm elas, dia após dia, buscar alimento num porto seguro, assim como eu gosto de ir buscar paz ao mar que sobrevoam a outras horas. É bonita a imagem, tranquila e única, especial... pelo menos para mim.

1 comentário :

  1. E nestes pequenas imagens que vemos que o mundo é tão perfeito! E momentos como estes, de abertura ao esplendor que temos a volta, enchem-nos de esperança e fazem-nos apreciar o milagre da vida. Tenho razão?

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