domingo, 11 de novembro de 2012

O QUE ESTÁ POR FORA E O QUE ESTÁ POR DENTRO


Vi há minutos esta imagem no facebook e não lhe fiquei indiferente.
Fez-me lembrar muita gente que conheço:
- umas com ramas minúsculas que não dão nas vistas (e até preferem assim), mas que são enormes e ricas por dentro, com um valor excelente e muito para dar, para ensinar e aprender... a quem lhes é dado pouco crédito porque ficam caladas, quietas ou escondidas, porque são simples, diferentes ou humildes.
- outras que, ostentando uma grande beleza, um rigor profissional, uma "rama" sempre atual e na moda, umas conversas feitas de palavras caras e muitos temas superficiais, uma confiança indestrutível e bem à vista de todos (fazendo questão disso, mesmo que não seja assim tão verdadeira... ) que depois são pouco ricas no que é realmente importante, como as vivências, a cultura e os bons valores humanos.

Fez-me também pensar nas cenouras da minha horta e na forma como o cuidar delas se relaciona ou não com a educação que dou aos meus filhos.

- As cenouras da horta são maioritária (para não dizer esmagadoramente) tratadas pelo meu marido. Eu gosto de vê-las e de tê-las na varanda, de vê-las crescer. Na realidade, não lhes dou grande atenção. Fico olhando apenas a sua rama crescendo, bem bonita e verde, com folhas elegantes. Colaborei na sua sementeira e, gulosamente, demos à terra várias sementes, não as deixando crescer muito, porque estão muitas aprisionadas no mesmo espaço, sem possibilidades de aumentar de tamanho, de crescer em sabor e consistência. São mais do que deviam, com menos espaço para crescer, com menos terra para cada uma, com muita pressão e pouco tempo para crescer saudáveis. Mas as ramas, essas, são lindas... e muitas! E verdes brilhantes. O meu homem, que cuida delas, tem diminuido o número de sementes em cada sementeira, mas talvez não lhes estejamos dando tudo o que precisam, pois nascem encolhidas e "vazias", apesar de doces.

- Com os filhos, os cuidados têm sido quase opostos. Não é que não tenha investido nas suas "ramas", que são lindas por natureza e que estão sempre cuidadas, cheirosas e limpas. Gosto de os ver arranjados e invisto nos bons cortes de cabelo e em roupas bonitas (apesar de ir a uma cabeleireira barata, mas que corta bem, e de comprar-lhes roupa muito simples e acessível), sempre respeitando os seus gostos pessoais. No entanto, invisto mais no que fica por baixo da rama: nos valores que lhes transmito, na compreensão da vida e das pessoas, no fortalecimento das relações, na pureza das suas características pessoais, sejam elas defeitos ou qualidades, na sua riqueza de carácter, de conhecimentos, de vivências sociais e culturais, no amor às pessoas e ao que fazem, no engrandecimento da sua alma... dando-lhes tempo e espaço para crescer, não os sufocando com horários rígidos, atividades "desnecessárias", estatutos a manter... sem culpabilizá-los das minhas decisões, responsabilizando-os pelas suas, orientando o seu crescimento sem sufocos.

Não sou definitivamente uma boa agricultora de cenouras, mas ainda estou no início e hei de melhorar.
Não sou uma mãe perfeita, mas tenho tentado ser boa mãe, aprendendo com os erros (os meus e os dos outros) e valendo-me da própria cenoura que há em mim que, independentemente do tamanho e do valor, tem muito mais legume do que rama!

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