quarta-feira, 21 de novembro de 2012

MOSTRAR DESILUSÃO A UM FILHO

Ontem adormeci esmagada por dentro, acordando hoje com uma enorme dor de cabeça que só aliviou com o remédio mais forte por volta das 17h. Não sei se uma coisa levou à outra, se foi coincidência ou se nada teve a ver, mas foram realmente umas horas de "tortura".

Não me considero extremamente exigente enquanto professora e mãe. Tenho os meus níveis de exigência e sou até muito tolerante e incentivadora, dando espaço para que todos (filhos e alunos) façam as suas aprendizagens de forma mais natural e criativa possível, mas gosto de empenho, persistência e brio. E sinto sempre que sou uma mãe de sorte porque os meus rebentos têm ótimas capacidades de aprendizagem, sendo capazes de aprender com qualquer método, do mais parecido ao mais diferente do meu (sim, porque acredito que o meu é o melhor! LOLOL)

No entanto, ontem tive uma desilusão grande e não pude calar-me, tendo de a expressar e estabelecer regras mais exigentes. O meu mais velho trouxe o seu primeiro caderno diário deste ano para nós vermos e assinarmos a avaliação da professora e fiquei mesmo triste e desiludida com ele. Se não soubesse as inúmeras capacidades que ele tem e a forma como é capaz de fazer as tarefas quando realmente quer e se empenha, não teria olhado o caderno da mesma forma, mas mexeu demais com os meus padrões de organização (que acho essenciais para um bom estudo) e tive de lhe dizer umas verdades acerca de planos por passar, de espaços desperdiçados, de erros ao copiar, de falta de brio... Não pude aceitar e tivemos uma conversa bem séria com direito a "ameaças" e a "promessas" de melhorias. Fi-lo ver que é capaz e que organizar o caderno é demasiado importante para ele o descuidar com desculpas... não vai aparecer assim o próximo, porque me vou aborrecer. Não vai porque aparece porque, depois de um sermão que, por dentro, me deixou triste e com o coração apertado (porque, como é claro, prefiro dizer que me orgulho do que me desiludo), ele percebeu que tenho razão nas razões que apresentei. Ou isso ou porque viu bem como eu estava a falar a sério e como a reação foi bem diferente da que costumo ter noutras situações escolares.

Ser professora e mãe, ou mãe-professora não é fácil nestas situações, porque estou por dentro e porque sei bem o que ele sabe e consegue, porque lido com as mesmas aprendizagens no dia a dia.

1 comentário :

  1. Acho que agiste da melhor forma. Não sei o que é ser mãe ainda mas acho que na tua situação faria o mesmo. Deixar passar, era concordar com os actos que, por conseguinte, seriam repetidos :)

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