quarta-feira, 14 de novembro de 2012

GREVE GERAL

Hoje não fui trabalhar. Estou a fazer greve.
Não sou partidária, nem sindicalizada, nem uma pessoa revoltada com tudo, mas estou cansada de tanta austeridade e acredito que o povo deve estar unido e que, quando temos oportunidade, devemos manifestar o nosso desagrado.
Além disso, tento ter a máxima coerência entre o que digo (e escrevo) e o que faço... logo não posso queixar-me do governo e segui-lo como uma ovelhinha. Até porque de ovelha nada tenho e sou "loba" assumida, apesar de com crises de vegetarianismo.

Gosto de ouvir nas notícias que só estão a funcionar os serviços mínimos em muitos hospitais e centros de saúde...
Gosto de ouvir dizer que os transportes (aéreos, terrestres e marítimos) estão praticamente parados, que muitas repartições públicas estão fechadas, que funcionários municipais não foram trabalhar, que há quem evite o consumo neste dia...
Gosto de ouvir que há escolas fechadas e dou os meus parabéns aos meus colegas que aderiram e às auxiliares que, apesar de ganharem metade do que ganham os professores, foram capazes de aderir em maior força... (já lá volto!)
Gosto de saber que muitos outros países estão também quase parados...

Gosto de tudo isto não porque me sinto dentro do rebanho (nem pensar!), mas porque acredito no coletivismo e que as pessoas deviam unir-se para o bem de todos e não fechar-se no seu próprio egoísmo e dizer eu, eu, eu, eu...

Acho que é muito graças ao "EU" que o país está assim, nas lonas. É graças a uma sociedade egoísta que procura só o melhor para o seu próprio umbigo ou, na melhor das hipóteses, também para o dos amigos e conhecidos, numas trocas de favores e previlégios que formaram núcleos e acabaram com as coletividades. E que saudades das coletividades das vilas e cidades, que levavam até todos o que só alguns (de muito dinheiro) podiam alcançar com o individualismo e o "EU".
Devo dizer que o egoismo é dos defeitos que mais me magoa nas pessoas, mais de aborrece e entristece... não sou egoista (e devia até ser menos altruista) e acredito que o "amar o próximo" significa dar a mão ao vizinho do lado e ajudar dando o que de melhor há em nós e não propriamente em mandar uns pacotes de arroz para África na altura do Natal.


Mas voltando à greve, há um pormenor que me entristece e que tem a ver com o que de melhor conheço, com o universo que prefaz as quase totalidade das minhas 24 horas: a educação.
Ficando satisfeita por haver escolas encerradas (só podia ficar se sou coerente com a greve que faço!), fico triste porque há muitas abertas e muitas outras que fecharam porque o pessoal auxiliar fez greve. Tudo aberto? Muito bem. Eu, como mãe, "autorizei" os meus filhos a não irem à escola e ficarem connosco que somos 2 professores e estamos solidários com a causa. Decidi não ser educadora dos filhos dos outros (nada contra os pais dos meus alunos, atenção!), mas ser apenas dos meus durante o dia de hoje. Tudo fechado porque os "parentes pobres" das escolas estão em greve e ver professores irem para casa ou ficarem no quentinho da escola, sem alunos, a fazerem os seus trabalhos e a ganhar na mesma? Não me deixa contente, muito pelo contrário.
Sou profissional. Quando trabalho, faço-o bem. Nunca tive problemas em 13 anos de trabalho, sempre cumpri as minhas funções e sei que hoje sou melhor professora do que fui ontem e farei de tudo por amanhã ser ainda melhor. Não culpo os outros pelo que não consigo fazer, cumpro todas as minhas obrigações, sou profissional por amor à camisola, não arranjo desculpas quando não consigo ou não quero fazer desta ou daquela forma, mantenho-me fiel às minhas convicções, mas vou adaptando-as se o universo com que trabalho muda... Já estive em escolas muito diferentes, já trabalhei com todas as classes sociais, já chorei e ri muitas vezes... Quase sempre encontro uma maioria diferente de mim e uma minoria que me compreende, mas não desisto, apesar de às vezes quase me desmotivar completamente... Mas não me calo quando vejo que algo está errado e não deixo que os outros se prejudiquem por mim.
Acho que devíamos ser uma classe mais unida. Devíamos partilhar mais e ser mais altruístas e menos egoístas, não fecharmos as portas das salas, nem unirmo-nos mais para jantaradas e para encobrir algo de errado que alguém fez ou para criticar quem se destaca, mas principalmente para tornar as escolas uma "pequena sociedade" feliz, onde o coletivismo e o respeito, a solidariedade e a partilha fossem as palavras de ordem...
Não sei o que se passa nas outras profissões, mas entristece-me que a "segunda casa" dos miúdos não seja um local de paz e união, onde se procura o melhor para todos e não "picar pontos" ou "seguir ordens superiores". E entristece-me saber que há muitas escolas assim... Porque, como alguém já me disse e muito me emocionou, ainda sou dos que encaram este "trabalho" um pouco como missão...

Desabafei...

1 comentário :

  1. Eu trabalho, como já referi várias vezes,numa empresa particular em insolvência, dede 2010 e com vencimentos em atraso desde 2009. Neste momento estamos outra vez com vencimentos em atraso. Hoje havia uma encomenda urgente para acabar e sair amanhã, os soldadores fizeram greve, a encomenda não vai sair,logo vai novamente atrasar a entrada de dinheiro, ora se aindanão recebemos Setembro...
    Mas sou amo a liberdade, por isso concordo com quem quer fazer greve, desde que não interfira com a minha vida.Apesar de na minha opinião greves não chegarem a lado nenhum...e não ajudarem em nada o país, o que precisamos é de trabalho. Mas respeito a tua opinião.
    Tem um bom dia.
    Beijinhos

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