sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A MORTE PARA AS CRIANÇAS...

Ontem a minha princesa estava triste. O olhar não enganava, apesar do resto do corpo se "armar em valente" e tentar não mostrar. Mal cheguei a casa, a novidade foi-me contada: o Ricky, um dos porquinhos-da-índia da sua sala, morreu.
Não sabia se ela queria falar do assunto, mas decidiu por mim... contou como tudo tinha acontecido desde o momento em que dois colegas descobriram que o animal estava já inerte. Contou como, responsavelmente, todos se despediram dele e lhe fizeram o "funeral". Fiquei arrepiada com as suas palavras, orgulhosa da sua coragem de gente pequena. "Mãe, estavam todos a fazer barulho no refeitório menos nós, que estivemos sempre calados com tristeza!".

A morte custa a aceitar, dói e cria saudades. A morte é complicada de explicar e difícil para todos. Mas a morte faz parte da vida e as crianças precisam saber disso e, para mim, o momento ideal para falar sobre o assunto é quando a necessidade aparece, quando as perguntas surgem e a dor de perder alguém (ou de saber que alguém de quem se gosta a sentiu) leva-nos a falar do assunto.

Penso que a professora fez um ótimo trabalho no terreno, na altura crítica, sabendo bem gerir o que estava a acontecer e deixando os miúdos participar na "despedida". Depois, em casa, quando a solidariedade do grupo se dissipa, nós pais fizemos o resto.
Não foi a primeira vez que falámos de morte, pois perdi o meu avô há 3 anos e o assunto foi logo conversado, sendo que, a partir daí, os miúdos lidam com o tema como com outros pelos quais sentem curiosidade, mas é sempre mais delicado quando volta a acontecer e ontem foi necessário estar muito perto e acompanhá-la atentamente.

À noite, chorou ao meu colo e adormeceu de cansaço e tristeza, agarradinha ao seu "Francisco".
Explicou o que sentia e falámos até ela querer e segundo o que pensava e questionava.

Hoje de manhã, à entrada no carro, disse-me: "Agora percebo porque não nos deixas ainda ir a funerais. Gosto mais de ver as pessoas vivas." E falou de como gostava do Ricky e partilhámos mais histórias que o envolveram ao longo dos 5 anos de convivência com o porquinho. E combinámos que vamos dar muito carinho ao seu companheiro de gaiola que agora ficou sozinho...

"Gostava de saber como é o Céu!" - foi a última frase que me disse antes de se despedir, à entrada na escola, e de me mandar beijocas e o sinal de "amo-te" à distância.
E eu espero que ela não descubra nunca... ou que demore muitas e muitas décadas a descobrir.

1 comentário :

  1. Coitadinha da minha princesinha! O Ricky sobreviveu mais anos do que é a sua natureza, é sinal que era muito bem tratado e que tinha muito carinho.

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