quarta-feira, 31 de outubro de 2012

EU E O BRASILEIRO

Há uns dias que o sotaque brasileiro me acompanha durante os 15 minutos de viagem até ao trabalho.
O Cd andava lá para o carro, é uma coletânea de músicas, tipo covers de várias bandas. Não é música brasileira de topo, mas temas de música popular, que me fazem mexer enquanto conduzo.
Acho que não teria conseguido fazer as últimas viagens de forma tão bem disposta se não deixasse de lado a rádio e as notícias desmotivantes do nosso país e não me deixasse levar até outro continente, onde se fala a mesma língua.
Na verdade, nunca fui ao Brasil e, tirando o que a maioria das pessoas sabe sobre este país, penso que não sou muito conhecedora do que por lá se passa. Mas a verdade é que é um destino que gostaria de visitar, com gentes que têm características que me agradam.
Gosto dos sons que de lá vêm. Uns que me acalmam, me relaxam e me seduzem. Outros que me fazem querer "tirar os pés do chão" e todo o meu corpo corresponde dançando, desde o pescoço ao dedinho do pé, balançando e entrando num som de sensualidade. Ainda outros que me fazem entrar no mundo do romantismo e da paixão,que são características minhas e que preciso de as sentir na pele para me sentir viva.
Não sei se é do sotaque, do ritmo, do calor, mas gosto de música brasileira. Da popular à erudita...
Mas também gosto da descontração, da desinibição, da alegria, da força, da coragem dos brasileiros...
Se calhar falo de forma preconceituosa e decerto que nem todo o povo do Brasil é assim, mas parecem-me pessoas mais "de bem com a vida", apesar da vida lhes ser difícil e de haver muita coisa má por lá.
Não sou especialmente apologista do surto de brasileiros que "invadiram" o nosso país durante uns anos, mas sou capaz de admirar neles muitas coisas, principalmente aquelas que me faltam ou que tenho pouco desenvolvidas porque há sempre o "não quer parecer mal", ou o "que as pessoas vão dizer" ou o politicamente correto.
E não será uma boa onda aprendermos todos uns com os outros e perceber como podemos também ser mais descontraídos e alegres, mesmo quando a dor está ao nosso lado? Ou será que é obrigatório sofrer com lágrimas e cantar o fado quando os passos são mais difíceis de dar?
Bora lá dar a volta por cima e arranjar soluções?
Eu preciso de alguém que alinhe, que isto não me sai assim muito naturalmente.

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