segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ALGUMA VEZ O ENSINO É GRATUÍTO?

Hoje tenho de escrever sobre isto, porque, como professora e mãe, venho aborrecida com a forma como alguns agrupamentos e professores não estão preocupados com a crise que se vive no nosso país e se afastam cada vez mais do tal "ensino gratuíto".

Sempre soube que o ensino gratuíto em Portugal é uma utopia, mas parece que cada vez mais isso é notório.
Daqui a dias, quando fizer reunião de pais, terei de "pedir" a dois deles que paguem 2,50€ pela capa de processo dos filhos, documento que está previsto no Estatuto do Aluno e que a escola tem de organizar. Concordo? Não, claro que não. Nem como mãe, nem como professora. Por isso, e porque já me informaram que é legal e que não posso fazer nada contra, vou convencer os pais a exigir recibo deste pagamento. Deste e do da caderneta do aluno, outro documento escolar, de comunicação entre casa-escola (relação TÃO essencial e que preservo e defendo bastante), que os pais também terão de pagar. Tudo terá um recibo, uma fatura que entrará no IRS (se bem que pouco valerá!), pois não concordo que tenhamos (nós pais) de pagar estes documentos. Melhor, pedirei o recibo por eles.
Isto no 1.ºciclo, que sei de muitos outros valores "gratuítos" que se pagam (por aqui e por ali) noutros graus de ensino obrigatório.

Este ano, terei uma turma de 2.º e 3.ºano, da qual conheço a maioria dos alunos. No 1ºano, pedi alguns materiais aos pais de cada aluno, para uso durante o ano... custa-me sempre fazer esta lista, seja em que ano for, mas há 2 anos atrás pedi alguns materiais mais especiais (tipo papel de lustro, papel manteiga, plasticina...), mas sempre de maneira a que o preço não fosse excessivo.
No ano passado, reduzi bastante a lista. Revi bem os materiais que tinham sobrado, previ o que iria fazer e reduzi os "pedidos". Os manuais vinham carregados de "ofertas" que os pais compraram porque não os alertei para o facto de todos os livros de ficha serem à parte e não obrigatórios e as papelarias/livrarias aproveitam-se disso. Sobraram materiais.... sobraram páginas em branco nos manuais.
Este ano, reduzi a lista ainda mais e fui avisando os pais de que só quero os manuais principais... porque são esses os que vou de facto usar, porque sou professora de criar outros trabalhos, porque uso o quadro, porque há imensas atividades que me dão mais trabalho preparar mas que motivam mais os alunos e ficam "mais baratas". Às vezes gasto dinheiro do meu bolso, porque "a escola não tem"... não peço aos pais. (Não me arrependo de o gastar, mas reclamo e este ano vou muitas vezes apresentar as faturas aos meus "patrões".) Não gosto que me peçam a mim. Reduzi a lista ao essencial e sei que vai ficar (ainda) muito mais barata a vida escolar dos meus alunos este ano.



Também tenho 2 listas de material cá em casa... e também a elas tive de dar resposta.
Espero que os materiais menos essenciais que lá aparecem sejam de facto usados e rentabilizados, porque os meus filhos levam para a escola o que as professoras pediram. Não vão ficar atrás. Mas revimos os lápis de cor e marcadores e comprámos poucos, usámos as promoções que conseguimos, as mochilas foram reutilizadas, combinámos que os lápis serão só para usar e não para roer (e há um verniz cá por casa que controla isso!!) e que todas as páginas do caderno são para usar ordenada e corretamente, aproveitámos os materiais do ano anterior que ainda estavam em condições....
E espero que usem aqueles materiais que não são tão vulgares. Porque os comprei, porque não estamos em fase de desperdiçar, porque isso não é educar. Compro o que for preciso, se for mesmo preciso, porque as vaidades e as exigências exageradas são para cortar.

Quem ler isto vai pensar que sou "forreta", mas não me considero assim. Serei a primeira a oferecer-me para comprar 2 ou 3 livros infantis para cada turma se forem as obras que serão trabalhadas, se decorrerem delas algumas aprendizagens e forem alvo de aulas motivadoras. Darei de bom grado dinheiro para uma visita de estudo, da qual decorram igualmente aprendizagens significativas.... mas não acho que tenha de ser eu a pagar o papel higiénico com que os meus filhos limpam o rabo na escola, nem acho que tenha de pagar para os outros professores tirarem fotocópias a torto e a direito ou imprimirem documentos pessoais ou exercícios à toa, para encher bochechos...
Para o ranho, posso mandar lenços de papel dentro da mala deles, junto com a garrrafa da água e do lanche, mas não sou eu, que desconto e que pago almoços e que não fujo ao fisco, que vou pagar para os "ranhosos" (que muitas vezes têm vivendas e grandes carros) limparem o nariz...

Peço prudência e calma... o ensino não é gratuíto, mas não precisa ser uma fortuna.

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