terça-feira, 8 de maio de 2012

MUDAR DE MÚSICA

Hoje, no carro, a caminho da escola, dei comigo a fazer algo que antes dificilmente faria, mas que penso ser natural para muita gente: saltar músicas num cd por não me apetecer ouvir algumas.
Parece confissão de miúdos, mas a verdade é que este comportamento simples me fez pensar a sério na forma como estou diferente e mais descontraída e como isso se reflete na minha felicidade.
Até tenho alguma vergonha de admitir, mas a verdade é que, por ter horror a desistir, a deixar coisas a meio ou a dar mostras de não ser capaz, tenho tido atitudes contrariada que, certamente, têm contribuído para o mau-estar geral em que já me encontrei. Será caricato admitir que:
- depois de escolher um cd para ouvir, raramente passava a frente uma música, chegando mesmo a desligar o rádio só para não ouvir alguma?
- quando começava a ler um livro, ficava pressa a ele: ou porque o adorava e simplesmente o devorava em todos os minutinhos disponíveis, ou porque não desistia de o levar até ao fim, mesmo demorando meses a lê-lo porque pouco ou nada me diz?
- quando começava uma tarefa (tipo passar a ferro) não parava enquanto não acabava, mesmo que as costas estivessem a rebentar e tivesse tempo no dia seguinte?
...
...
Tantas e tantas destas que fazia (e ainda faço) diariamente e que hoje, a caminho da escola, percebi que me magoavam por dentro, me impediam de ser feliz. Massacrava-me sem dar conta, castigando-me por coisas que fiz e não fiz, só para ir até ao fim... Deixava aquela sensação de mau estar se instalar, de corda me amarrando, de prisão em mim própria... ou num filme, ou num livro, ou numa atitude que toda a gente tem só para ficar igual aos outros... e a dor da falta de autoconfiança foi se instalando lenta mas persistentemente.

No sábado mandei pela minha sogra um livro que andava a (tentar forçamente) acabar de ler, mesmo só faltando 10 páginas...
Hoje mudei insistentemente de músicas até encontrar as que me faziam feliz, me deixavam com o corpo a dançar por dentro...
Logo à noite vou pôr outro livro de parte... não é por ser adaptado pelo meu escritor preferido que tenho de o ler se nada me diz...

A rígidez não faz parte da minha forma de ser, como não o faz o excesso de rotinas, os fins de semana iguais uns aos outros ou vestir-me sempre da mesma maneira... nem o cabelo uso igual por mais de 6 meses... nem faço as mesmas comidas com frequência...
Sou coerente e simples, peculiar em algumas coisas... quero cada vez mais equilibrio e tenho de ser eu mesma, o que acontece quando ouço o que o coração me diz e respeito a minha vontade...
E hoje, apesar de estar melhor há meses, percebi que ainda tenho pequenos gestos que me torturam... mas percebendo, encaixo e sigo em frente, sem medo de mudar. Esta é uma qualidade que tenho e devo aproveitá-la para ser feliz. Por isso, em minutos de música que colocaram todo o meu corpo a receber energias positivas (sem castigos!!!) dei por encerrada esta etapa de pequenas torturas, porque mereço ser quem sou!

4 comentários :

  1. Estás no bom caminho amiga linda. E tanto que tenho para aprender contigo. Não consigo ainda deixar de lado as mhs rotinas que tanto me prendem como tu dizes e bem.Que sabe um dia...

    ResponderEliminar
  2. Olá Marisa, pois acho que faz muito bem, não devemos viver contrariados nem fazer as coisas por obrigação (já basta aquilo que tem mesmo de ser). Todos nós temos a obrigação de sermos felizes pois só assim conseguimos estar bem com os outros que nos rodeiam. beijinhos e vamos lá saltar de música para aquela que mais gostamos, sim senhora!!! sempre :)

    ResponderEliminar
  3. Em alguns pontos identifico-me consigo, especialmente em teimar ler um livro até ao fim mesmo que não esteja a gostar.
    Enfim...
    bjs

    ResponderEliminar
  4. Fico feliz que estejas a dar a volta ao que te deixa menos Feliz.
    Um beijinho

    ResponderEliminar